Abaixo-assinado apoia PL de Sâmia contra discurso ‘red pill’
Mobilização apoia projeto que criminaliza a incitação de misoginia na internet em meio ao aumento da violência contra mulheres no Brasil
Foto: Reprodução
Um abaixo-assinado nacional foi lançado para pressionar o Congresso a aprovar o projeto de lei que busca criminalizar a incitação de conteúdos misóginos associados ao movimento “red pill” nas redes sociais. A iniciativa apoia o projeto apresentado pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que tem denunciado o avanço de discursos de ódio contra mulheres no ambiente digital e sua relação com a escalada da violência de gênero no país.
A proposta, o PL 6075/2025, prevê a criminalização da promoção e da incitação de conteúdos misóginos na internet. A mobilização busca ampliar a pressão popular para que o projeto avance no Congresso diante do crescimento de comunidades virtuais que propagam a ideia de inferioridade feminina e estimulam comportamentos violentos contra mulheres.
“Não podemos seguir aceitando a circulação de discursos ‘red pill’, misóginos e machistas. As plataformas não podem seguir amplificando a violência contra as mulheres. Apresentei o PL 6075/2025 para criminalizar a incitação e divulgação desse tipo de conteúdo. Já basta!”, afirmou a parlamentar.
O movimento “red pill” surgiu em fóruns digitais e comunidades online que difundem uma visão profundamente misógina das relações entre homens e mulheres. Em muitos desses espaços, mulheres são retratadas como inimigas ou manipuladoras, enquanto a violência e a dominação masculina são naturalizadas ou justificadas. Especialistas apontam que esse tipo de discurso tem se expandido nas redes sociais, impulsionado por algoritmos que favorecem conteúdos polarizadores e sensacionalistas.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, o Brasil registrou um número recorde de feminicídios, com 1.568 mulheres mortas em razão de violência de gênero, representando uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Os dados, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e noticiados em março de 2026, mostram um aumento de 4,7% em relação ao ano de 2024.
Isso significa que, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no país por razões de gênero. Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que milhares de outros casos de violência doméstica e agressões contra mulheres são registrados anualmente, muitos deles associados a contextos de controle, misoginia e radicalização masculina.
Para organizações feministas e pesquisadoras da violência de gênero, a disseminação de discursos de ódio nas redes sociais contribui para normalizar comportamentos violentos. Jovens e adolescentes são frequentemente expostos a conteúdos que defendem a superioridade masculina e incentivam hostilidade contra mulheres, criando um ambiente de radicalização que pode transbordar para a vida offline.
É nesse contexto que o projeto defendido por Sâmia busca responsabilizar quem produz e divulga esse tipo de conteúdo. A parlamentar também tem criticado o papel das grandes plataformas digitais, que, segundo ela, acabam amplificando esses discursos.
Além do PL anti-red pill, a deputada também é coautora de propostas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero, como o projeto que inclui condenações baseadas na Lei Maria da Penha nos critérios de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa, impedindo que agressores condenados utilizem cargos públicos como forma de blindagem política.
A mobilização em torno do abaixo-assinado ocorre em um momento de crescente preocupação com a violência contra mulheres no Brasil. Para movimentos feministas e parlamentares comprometidos com a pauta, enfrentar a misoginia nas redes sociais tornou-se uma etapa fundamental para conter a escalada da violência de gênero.
“Os últimos dias foram marcados por notícias devastadoras de feminicídios e violência em diferentes regiões do país. Quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. E há um elemento comum em praticamente todos esses casos: a normalização do ódio às mulheres”, afirma o texto da campanha que acompanha o abaixo-assinado.
Clique aqui para apoiar o PL anti-red pill.