PSOL e Rede pedem impeachment de Ibaneis por escândalo do Banco Master
Impeachment Ibaneis

PSOL e Rede pedem impeachment de Ibaneis por escândalo do Banco Master

Novo pedido cita suspeitas de improbidade e relação entre escritório do governador e fundo investigado pela PF; deputado Fábio Felix destaca riscos ao BRB e cobra transparência

Foto: Carlos Gandra/Agência CLDF

Os partidos PSOL e Rede protocolaram, nesta quarta-feira (11), um novo pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), na Câmara Legislativa do DF (CLDF). A iniciativa ocorre após o surgimento de novos elementos relacionados ao escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), investigados pela Polícia Federal por meio da Operação Compliance Zero.

O pedido foi apresentado pelos deputados distritais Fábio Felix e Max Maciel, além da presidente do PSOL no DF, Giulia Tadini, e da porta-voz da Rede Sustentabilidade, Bruna Paola. A nova denúncia aponta três possíveis crimes de responsabilidade: contra a probidade administrativa, contra as leis orçamentárias e contra a guarda e o legal emprego de dinheiro público.

Segundo os parlamentares, a gravidade do caso aumentou após a revelação de que o escritório de advocacia ligado ao governador teria firmado um contrato de cerca de R$ 38 milhões em precatórios com a empresa Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A gestora é apontada nas investigações como parte de uma estrutura usada pelo Banco Master em operações suspeitas que teriam provocado prejuízos bilionários ao BRB.

“Existem muitos elementos novos, especialmente com relação à probidade administrativa. Nesse caso revelado agora, estamos falando de um negócio privado ligado ao governador que tem relação direta com esse escândalo e pode ter interferido nas decisões do BRB, uma vez que o GDF é o acionista controlador”, afirmou o deputado Fábio Felix.

Crise política no DF

As investigações sobre o caso ganharam forte repercussão na Câmara Legislativa. Parlamentares da oposição passaram a cobrar esclarecimentos sobre operações financeiras envolvendo o banco público do Distrito Federal e fundos privados investigados.

O vice-presidente da CLDF, Ricardo Vale, afirmou que é necessário esclarecer se recursos públicos podem ter sido utilizados em operações que acabaram prejudicando o próprio banco estatal.

“Precisamos apurar se o BRB foi vítima de uma ação predatória e se recursos de precatórios do DF foram usados para financiar esquemas contra o próprio banco público. A população tem direito à transparência”, declarou.

Já o deputado Chico Vigilante destacou que as revelações indicam possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas financeiras sob investigação da Polícia Federal.

Atuação de Fábio Felix

O deputado Fábio Felix tem sido uma das vozes mais críticas à condução das políticas financeiras envolvendo o BRB. O parlamentar já havia se posicionado anteriormente contra iniciativas que, em sua avaliação, poderiam expor o banco público a riscos financeiros ou beneficiar interesses privados.

Com o avanço das investigações, Felix voltou a defender uma apuração rigorosa do caso e responsabilização de eventuais envolvidos.

“Estamos falando de um possível esquema que envolve uma triangulação de interesses econômicos entre fundos, instituições financeiras e contratos privados ligados ao governador. A população precisa saber exatamente o que aconteceu com o banco público do Distrito Federal”, declarou.

Questionamentos sobre precatórios

Outro ponto que ampliou a crise política foi a revelação de que o escritório de advocacia ligado ao governador teria negociado direitos creditórios relacionados a precatórios do Governo do Distrito Federal. Parlamentares passaram a exigir esclarecimentos sobre a origem desses créditos e o fluxo de recursos públicos envolvidos.

Segundo Max Maciel, a situação exige transparência total por parte do governo.

“Quando envolve o governo do Distrito Federal e um escritório ligado ao governador negociando com fundos investigados pela Polícia Federal, isso passa a ser um tema de interesse público”, afirmou.

O parlamentar também chamou atenção para o aumento expressivo no pagamento de precatórios durante a atual gestão, que teria chegado a cerca de R$ 400 milhões nos últimos anos.

“O governo quadruplicou o pagamento de precatórios no Distrito Federal. Nosso mandato vai requerer informações detalhadas sobre esse volume pago nos últimos cinco anos e entender como esses recursos circularam”, disse.

Defesa do governador

A defesa do governador, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirma que Ibaneis Rocha está afastado do escritório de advocacia desde 2018, quando disputou a primeira eleição ao Palácio do Buriti.

Segundo a nota, o governador não participou de negociações com representantes da empresa investigada.

“Esclarece-se, ainda, que o Governador Ibaneis nunca participou de quaisquer negociações com o Sr. Marcos Ferreira Costa, tampouco com outros representantes dessa empresa. Todas as informações que detém sobre o grupo foram adquiridas a partir de matérias de jornais, já no presente ano”, diz o comunicado.

O pedido de impeachment agora será analisado pela Procuradoria Legislativa da CLDF, que avaliará sua admissibilidade antes de eventual tramitação no plenário da Casa. Enquanto isso, cresce a pressão de parlamentares e movimentos políticos por investigações aprofundadas sobre as relações


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