A  mobilização do povo boliviano contra o presidente Rodrigo Paz
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A mobilização do povo boliviano contra o presidente Rodrigo Paz

Uma entrevista com Marisol Rina, militante socialista boliviana envolvida nos recentes protestos do país

Boletín Súmate 20 maio 2026, 08:00

Foto: Manifestação contra o presidente Paz. (Midia1508/Reprodução)

Via Súmate

A Bolívia atravessa um de seus momentos mais críticos de polarização política; uma crise econômica que se combina com um governo pró-FMI, levando o país à dependência das transnacionais, ao mesmo tempo em que falta uma alternativa revolucionária capaz de resolver a crise. Marisol Rina, correspondente do Boletín Súmate na Bolívia, nos conta um pouco sobre a situação do país vizinho.


Boletín Súmate: A crise econômica e de combustíveis obrigou a COB a convocar uma greve por tempo indeterminado. Conte-nos se essa medida conta com o apoio dos trabalhadores e se ela será garantida.

Marisol Rina: Embora a COB tenha tomado a decisão de convocar uma greve por tempo indeterminado, o descontentamento gerado na população pela crise econômica no país e pelo combustível de péssima qualidade é geral, não apenas entre os filiados à COB. A população em geral estava simplesmente esperando passar as eleições subnacionais de 22 de março, para eleger as novas autoridades locais e sentir-se representada. Agora que a COB convocou a greve, diferentes setores sociais também levantaram suas vozes contra o governo central, como o setor de autotransporte pesado, federado e livre, além dos setores gremiais (comerciantes), que vêm realizando diferentes ações contra o governo, como paralisações iniciais de 24 horas.

Como o presidente Rodrigo Paz está administrando a crise econômica de um “país quebrado”, marcada pela escassez crítica de divisas e combustível?

De um ponto de vista objetivo e técnico, pode-se observar que o governo de Rodrigo Paz simplesmente adquire mais dívida para pagar dívida. Sabemos que essa ação tecnicamente não é viável e que apenas gerará mais crise. No entanto, no início do governo, Rodrigo Paz emitiu o Decreto Supremo 5503, que determinava a eliminação da subsídio aos hidrocarbonetos. Mas não se tratava apenas da eliminação desse subsídio: havia também artigos que beneficiavam grandes empresários e entregavam nossos recursos em apenas 30 dias por meio do chamado “fast track”.

Por isso, a população em geral se mobilizou para revogar esse decreto. Após uma série de mobilizações em todo o país, o governo foi forçado a revogá-lo e emitir outro decreto focado apenas na eliminação do subsídio aos hidrocarbonetos. Mas, infelizmente, o governo de Paz não busca trabalhar para toda a população boliviana, porque, apesar de a gasolina ter preços internacionais, o combustível entregue é de péssima qualidade, causando danos materiais às pessoas que vivem do trabalho diário.

Em relação às divisas, como já mencionado, Rodrigo Paz está começando a recorrer ao FMI. Durante toda a campanha eleitoral, afirmou que não recorreria ao Fundo, mas agora está fazendo exatamente isso. Simplesmente contrai dívida para pagar outra dívida. Não existe uma visão de como gerar novas divisas; eles simplesmente não têm um plano e vivem improvisando dia após dia.

A crise do MAS representa a derrota de uma alternativa. Qual foi o elemento detonador mais importante?

Acho que precisamos entender de onde surgiu o MAS, porque o MAS foi, sim, o partido com o qual nos identificamos por muitos anos. Mas nunca abandonamos a essência de nossos valores culturais ensinados por nossos pais, como o AMA SUA (não seja ladrão), AMA QUELLA (não seja preguiçoso) e AMA LLULLA (não seja mentiroso).

No entanto, durante o governo de Luis Arce Catacora, surgiram denúncias de corrupção, e foi aí que começou a fragmentação do partido político. Havia pessoas que compartilhavam dessa corrupção de Luis Arce Catacora, mas existia uma maioria que não, porque isso vai contra nossa essência. Foi assim que começou nossa fragmentação.

Depois, nas eleições nacionais de 2025, encontramo-nos em uma situação complicada, porque o governo de Luis Arce encontrou uma forma ilegal de impedir que nosso candidato (aquele que nos representa) participasse das eleições. Por isso, optamos por um voto de revolução (voto nulo). Ao mesmo tempo, o MAS tinha seu candidato, Eduardo del Castillo, que obteve apenas 3,17% dos votos em nível nacional (169.887 votos), enquanto o voto nulo alcançou 19,87% em nível nacional (1.371.019 votos). Isso demonstra que mais de um milhão de bolivianos não tinham um candidato que os representasse e optaram pelo voto de revolução (voto nulo).

Existe a possibilidade de construir uma nova organização política popular?

Atualmente estamos na etapa mais complicada e difícil da organização política, porque infelizmente, durante o governo de Lucho Arce, nos roubaram a sigla do MAS. Por isso agora estamos criando uma nova organização, a EVO-PUEBLO. No entanto, o governo impõe muitas desculpas e obstáculos para nos entregar essa sigla e permitir que comecemos a filiar novos simpatizantes.

Ao mesmo tempo, está sendo construída a união de todo o bloco popular para resistir contra um governo de direita (o governo de Paz). Portanto, estamos em uma etapa de rearticulação de todo o bloco popular.


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