Após iniciativa de Melchionna, TemMeuVoto suspende plataforma
Deputada do PSOL acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral após divulgação da ferramenta por Luciano Huck e relatos de resultados questionados por eleitores; MPF-RS abriu apuração sobre possível infração eleitoral
Foto: Agência Câmara
A plataforma TemMeuVoto, divulgada pelo apresentador Luciano Huck no programa Domingão do último domingo (27), foi suspensa na quarta-feira (30) pela Coalizão pelo Voto Consciente, que reúne 14 organizações da sociedade civil. A decisão ocorreu depois que a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral para pedir a apuração do funcionamento da ferramenta e da divulgação feita pelo apresentador.
A iniciativa da deputada também resultou na abertura de uma investigação pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF-RS) para verificar se Huck e a TV Globo infringiram a legislação eleitoral. Durante o Domingão, Huck apresentou a plataforma como uma ferramenta gratuita e apartidária para aproximar eleitores de candidaturas a partir de suas posições políticas.
“Eu queria falar sobre uma plataforma, que é gratuita e apartidária, que dá um match entre eleitor e candidato, que se chama TemMeuVoto. O eleitor responde oito perguntas e o sistema calcula o percentual de alinhamento.”
Após a divulgação, usuários passaram a publicar nas redes sociais relatos de resultados que consideravam incompatíveis com suas respostas. Entre as reclamações estava a indicação de candidaturas de direita e extrema direita mesmo quando os eleitores haviam respondido às questões de forma alinhada a posições progressistas. Esses relatos foram um dos elementos que levaram Melchionna a provocar o Ministério Público Eleitoral.
Na representação, a deputada também questionou a divulgação da ferramenta em televisão aberta e pediu que fossem investigados seus critérios de funcionamento, além de informações sobre financiamento e administração da plataforma.
Coalizão alega baixa adesão
Em nota publicada no próprio site, a Coalizão pelo Voto Consciente justificou a suspensão pela falta de diversidade suficiente entre as candidaturas participantes. Segundo a organização, a plataforma pretendia reunir posições de candidaturas de diferentes espectros políticos.
“Pluralidade e isonomia sempre foram condições imprescindíveis para que a iniciativa cumprisse o seu propósito de ampliar o acesso à informação ao eleitor”, afirma a nota.
A entidade diz ainda:
“Desde o início, convidamos partidos e candidaturas de todos os espectros políticos a registrarem suas posições na plataforma. Apesar dos esforços, a adesão das candidaturas ficou abaixo do necessário para assegurar uma ampla representatividade das opções apresentadas ao eleitor.”
Na sequência, a Coalizão afirma que a ausência de uma base suficientemente diversificada comprometeu a comparação oferecida aos usuários:
“Sem uma base suficientemente diversa de candidaturas participantes e com pouco tempo hábil para ampliá-la, a eficácia da plataforma como ferramenta de comparação ficou comprometida. Por isso, optamos pela suspensão da operação neste ciclo eleitoral.”
A organização conclui que “os aprendizados desta edição serão considerados em iniciativas futuras” e reafirma o compromisso com “a transparência, o acesso à informação e o fortalecimento da democracia”.
A suspensão ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, enquanto o MPF-RS ainda analisa as circunstâncias envolvendo a plataforma e sua divulgação no programa de Huck.