Mulheres ampliam presença no Congresso, mas ainda são minoria
Eleições de 2026 levam bancada feminina da Câmara a 109 deputadas e elegem número recorde de senadoras; avanço, porém, não significa automaticamente maior presença das pautas feministas
Foto: Agência Câmara
As eleições de 2026 produziram um resultado histórico para a representação feminina no Congresso Nacional. A partir de 2027, a Câmara dos Deputados terá 109 mulheres, contra 90 na atual legislatura, um crescimento de 21%. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa – o maior número de senadoras eleitas em um único pleito desde a redemocratização.
Com a renovação, a bancada feminina do Senado deverá passar de 15 para 18 parlamentares, o equivalente a 22,2% das 81 cadeiras da Casa. Na Câmara, porém, as mulheres continuarão representando pouco mais de um quinto dos deputados.
O crescimento ocorre em um cenário contraditório. Apesar do aumento no número de eleitas, menos mulheres disputaram vagas para a Câmara. Foram 2.820 candidatas a deputada federal em 2026, contra 3.317 em 2022 – uma redução de quase 15%.
O resultado também não pode ser interpretado automaticamente como avanço das pautas feministas. A expansão da bancada feminina ocorreu, em boa medida, com a eleição de mulheres de diferentes campos ideológicos, inclusive representantes da direita e do bolsonarismo.
No Senado, por exemplo, entre as 12 eleitas estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, pelo Distrito Federal, além de Carol De Toni (PL-SC). Também foram eleitas representantes de partidos de esquerda e centro-esquerda, como Marília Campos (PT-MG), Samanda de Lula (PT-RN), Luizianne Lins (Rede-CE) e Marília Arraes (PDT-PE).
O próprio perfil das eleitas mostra que mais mulheres na política não significa necessariamente mais políticas públicas voltadas à igualdade de gênero. A representação feminina é uma dimensão fundamental da democracia, mas sua efetividade também depende das posições políticas defendidas pelas parlamentares e da capacidade de organização dos movimentos sociais para pressionar o Legislativo.
Ainda assim, o resultado rompe uma barreira histórica. Pela primeira vez, duas mulheres foram eleitas simultaneamente para o Senado pelo Distrito Federal. O recorde anterior de mulheres eleitas para a Casa em um único pleito era de oito, registrado em 2002.
O avanço, portanto, é significativo, mas está longe de representar uma democracia paritária. As mulheres são mais da metade da população brasileira, mas continuarão ocupando pouco mais de um quinto das cadeiras do Congresso.
O desafio para a próxima legislatura será transformar o aumento da presença feminina em mais representação política, diversidade e direitos, em um Congresso que, ao mesmo tempo, emerge das urnas com forte avanço da direita e do bolsonarismo.