As eleições do primeiro turno em Minas Gerais
Perante a vitória da extrema direita, devemos nos lançar no processo para eleger Lula
Foto: Urna eletrônica. (Valter Campanato/Agência Brasil)
O avanço da extrema direita em terras mineiras causam preocupações e exigirá da diversa classe trabalhadora mobilização permanente independentemente dos resultados do 2° turno para Presidente da República. Caso Lula vença, e não podemos medir esforços para isso, pois resultará em certo alívio para o povo brasileiro, o estrago em Minas Gerais já está feito: para o Governo do Estado Cleitinho (REPUBLICANOS) foi eleito no 1° turno com 55,40% dos votos, enquanto Patrus Ananias (PT) alcançou pouco mais de 26%.
O novo governador já declarou seu desejo de ter Paulo Guedes cuidando das financias mineiras, ou seja, estadualizando a tragédia nacional econômica dirigida por Guedes no governo Bolsonaro. Estando atualmente como Senador, é verídico que Cleitinho “defendeu” o fim da escala 6×1, mas não passa de mera retórica para as redes virtuais! Seu nome contava entre as tantas assinaturas da PEC 12/2026, desastrosamente batizada como Escala 7×0, PEC articulada e defendida por Flávio Bolsonaro. Em síntese, elegemos para o executivo do 2° maior colégio eleitoral alguém que mais atua para obter boa performance nas redes virtuais do que, de fato, trabalha para a classe trabalhadora.
Como é sabido, nestas eleições foram duas cadeiras disputadas para o Senado Federal. Encabeçamos a campanha da ex-deputada federal Áurea Carolina, terminando a corrida eleitoral em 4° colocada. O ex-presidente do PL-MG Domingo Sávio ocupou a primeira vaga com 24,21% dos votos. Com 19,44%, a petista Marília Campos, considerada uma das melhores prefeitas do estado, conseguiu a segunda cadeira. Nos bastidores, discutia-se a dobradinha entre Marília Campos e Áurea Carolina ganharam destaques locais, tendo informações que a própria petista preferiria dobrar com alguém lincado mais à direita, pois tinha receio uma chapa à esquerda poderia repetir o cenário de 2018, quando a candidata mais bem-posicionada nas pesquisas, Dilma Roussef, e seu companheiro de partido Miguel Correa perderam as vagas para Rodrigo Pacheco (na época filiado ao DEM) e Carlos Viana (na época filiado ao PHS).
Apesar de elementos que perduram em ambas as conjunturas, cabe ressaltar diferenças significativas. Recorrente ao golpe sofrido por Dilma em 2016, as mentiras construídas pela “vaza” jato, a injusta prisão de Lula etc. o antipetismo ranqueava seu auge. Não temos dúvidas que a dobrada de Marília com Áurea acarretou parte considerável dos votos para eleger Marília Campos. Caso o “marécio” fosse concretizado (dobrada entre Marília e Aécio Neves) provavelmente a ex-prefeita de Contagem não estaria eleita.
Para a Câmara dos Deputados Federais, a federação PSOL-REDE conquistou duas cadeiras. Duda Salabert seguirá representando o PSOL, ficando na terceira colocação com 229.535 votos, enquanto André Janones representará a REDE Sustentabilidade. No quadro geral, em segundo lugar, elegeu-se de forma expressiva Ana Eliza do PT; os seus 524.219 votos aos 21 anos resultou no título de parlamentar mais jovem eleita enquanto deputada Federal do Brasil. O candidato do PL Nikolas Ferreira bateu o recorde de mais de 3 milhões de votos, contribuindo para eleger outros 20 deputados federais. Ou seja, a bancada do PL por MG contará em 2027 com 21 parlamentares. O PT elegeu, além de Ana Eliza, outros 11 deputados/as federais.
Para a ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), a federação PSOL-REDE fizeram duas cadeiras. No caso do PSOL, a eleição da vereadora de Belo Horizonte Iza Lourenço garantiu a retomada do mandato que foi perdido pelo partido quando Bela Gonçalves migrou para o Partido dos Trabalhadores (PT). Ao assumir o cargo de deputada Estadual Iza Lourenço será substituída na vereança por Maria da Consolação (conhecida como Consola), quadro histórico do PSOL-MG. Lucas Lasmar se reelegeu, ocupando a segunda cadeira da federação na ALMG.
Ainda sobre a ALMG, o PL saltou de 12 para 21 eleitos. Os partidos PODEMOS, DEMOCRATAS e PSOL ganharam representação na Casa Legislativa mineira, MDB (partido de centro-direita) e PCdoB (partido em MG deteriorado recorrente a sua política de aliança com a extrema-direita) perderam seus mandatos. Posto isso, mesmo com Iza Lourenço, que terá como aliada figuras combativas da esquerda mineira (como Beatriz Cerqueira), a ALMG ganha conotação reacionária, talvez, como nunca antes vista.
O que fazer?
Perante ao que foi exposto, devemos, enquanto esquerda no geral, retomar a máxima de Florestan Fernandes: “um pé na instituição, outro pé nos movimentos populares”. Devemos nos lançar no processo para eleger Lula, conversar com indecisos, ganhar votos daqueles que votaram em outros candidatos no primeiro turno e motivar as pessoas idosas irem votar. Depois que elegermos Lula para seu quarto mandato, no dia 26 de outubro devemos organizar todo poder popular para combater a lastimável bancada da ALMG e o pior Congresso Nacional da história depois da redemocratização. Enquanto mineiros, o cenário nacional reverbera em nossa Unidade Federativa. Sendo assim, os trabalhos sindicais, a juventude e todos os trabalhos de luta devem organizar a indignação, o medo e o ódio do povo trabalhador. A Casa Marx-Engels (sede do MES na cidade de Betim) cumpre papel fundamental sendo um espaço de acolhimento, disciplina e orientação do que fazer para diversa classe trabalhadora.
Por fim, não tenhamos dúvidas que teremos tarefas árduas, mas como alegou o camarada Trotsky no discurso gravado para a Conferência fundacional da IV Internacional, e que nos inspira em lutar organizados neste momento de avanço da extrema-direita, é que nossa mobilização permanente para derrotar o bolsonarismo nas urnas e nas ruas nos proporcionará “[…] a maior das felicidades, a consciência de participar da construção de um futuro melhor, de levar sobre nossas costas uma partícula do destino da humanidade de não viver em vão”.