Pesquisas mostram disputa apertada entre Lula e Flávio
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Pesquisas mostram disputa apertada entre Lula e Flávio

Levantamentos divulgados nesta terça-feira apontam empate técnico em dois institutos, enquanto terceiro registra vantagem maior do candidato do PL; rejeição e mobilização serão decisivas

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A disputa pela Presidência da República segue acirrada no segundo turno das eleições de 2026. Pesquisas divulgadas nesta terça-feira (13) mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico nos levantamentos BTG Pactual/Nexus e PoderData/AYA. A pesquisa Gerp, por sua vez, apresenta uma diferença de dez pontos percentuais entre os candidatos nos votos válidos.

Os resultados reforçam a importância da reta final da campanha, que se encerra com a votação de 25 de outubro. Depois de um primeiro turno em que Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, os novos levantamentos indicam uma disputa nacional sem vantagem estatisticamente conclusiva nos dois institutos que apontam empate técnico.

BTG/Nexus: Flávio tem 52% e Lula, 48%

A pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de votos válidos, contra 48% de Lula. No total de votos, incluindo brancos, nulos e indecisos, o senador registra 48%, enquanto o presidente aparece com 45%. Outros 5% declaram voto branco ou nulo, e 2% não sabem ou não responderam.

O levantamento ouviu 2.002 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07997/2026.

Apesar da vantagem numérica de Flávio, a diferença está dentro da margem de erro. Portanto, o levantamento não permite afirmar que um dos candidatos tenha liderança estatisticamente consolidada.

A pesquisa também mediu a rejeição aos dois concorrentes. Segundo os resultados, 51% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 47% disseram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. A diferença também está dentro da margem de erro do estudo.

Os números indicam que ambos enfrentam dificuldades para ampliar seu eleitorado, em uma disputa marcada pela polarização e pela necessidade de conquistar eleitores que não se identificam integralmente com nenhum dos dois campos políticos.

PoderData: distância cai para dois pontos

O levantamento PoderData/AYA também aponta empate técnico, mas registra uma aproximação entre os candidatos em relação à rodada anterior.

Flávio Bolsonaro aparece com 51% dos votos válidos, enquanto Lula tem 49%. Na pesquisa divulgada em 8 de outubro, o senador somava 53%, contra 47% do presidente. A diferença numérica, portanto, caiu de seis para dois pontos percentuais.

Na contagem que considera todos os entrevistados, Flávio tem 48% das intenções de voto, e Lula, 46%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% não sabem ou não responderam.

O PoderData entrevistou 3 mil eleitores por telefone, entre 10 e 12 de outubro, em 686 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e registrado no TSE sob o número BR-01209/2026.

A variação em relação à rodada anterior sugere uma redução da distância entre os candidatos no período analisado. Entretanto, como a diferença permanece dentro da margem de erro, o resultado deve ser interpretado como um cenário de equilíbrio estatístico, e não como comprovação de uma virada eleitoral.

Gerp apresenta cenário diferente

A pesquisa Gerp divulgada nesta terça-feira apresenta um quadro distinto. Flávio Bolsonaro registra 55% dos votos válidos, enquanto Lula aparece com 45%, uma diferença de dez pontos percentuais.

O levantamento ouviu 2.400 pessoas em todo o país. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95,55%.

A distância observada nesse estudo supera a margem de erro divulgada pelo instituto. O resultado, porém, não deve ser tomado isoladamente como uma previsão do desfecho da eleição, sobretudo diante das diferenças em relação aos outros levantamentos divulgados no mesmo dia.

As pesquisas podem apresentar resultados distintos em razão de fatores como metodologia, composição da amostra, forma de abordagem dos entrevistados e período de realização do trabalho de campo. A comparação exige considerar essas variáveis, além dos números finais.

Rejeição, economia e disputa política

A rejeição elevada dos dois candidatos é um dos elementos centrais da campanha. No levantamento BTG/Nexus, mais da metade dos entrevistados afirma que não votaria em Lula de jeito nenhum, enquanto quase metade expressa a mesma posição em relação a Flávio Bolsonaro.

Esse cenário torna relevante a capacidade de cada candidatura de mobilizar sua base e conquistar eleitores ainda indecisos ou menos identificados com os dois projetos. O resultado do primeiro turno, com uma diferença inferior a dois pontos percentuais entre os candidatos, também demonstra a dimensão do desafio.

Para Lula, a campanha precisa defender os resultados do governo e apresentar propostas capazes de responder às preocupações da população com renda, custo de vida, emprego e serviços públicos. Para Flávio, a estratégia envolve consolidar os votos obtidos no primeiro turno e ampliar sua presença entre eleitores que buscam uma alternativa ao governo petista.

A disputa também ocorre em meio a controvérsias sobre a atuação da Justiça Eleitoral, a circulação de conteúdos políticos nas redes sociais e as regras da propaganda. Decisões sobre retirada de publicações e restrições a canais de comunicação passaram a integrar o confronto entre as campanhas, alimentando discussões sobre liberdade de expressão e igualdade de condições na disputa.

Esses fatores compõem o ambiente político em que os eleitores avaliam os candidatos, mas não permitem estabelecer, por si só, uma relação direta entre acontecimentos específicos e mudanças nas intenções de voto.

Pesquisas são retratos do momento

Os levantamentos divulgados nesta terça-feira mostram que a disputa continua aberta do ponto de vista estatístico em dois dos três institutos analisados. Enquanto BTG/Nexus registra 52% a 48% dos votos válidos para Flávio e Lula, respectivamente, o PoderData/AYA aponta 51% a 49%. O Gerp apresenta uma diferença maior, de 55% a 45%.

As divergências reforçam a necessidade de observar a evolução dos números ao longo dos próximos dias, sem transformar uma pesquisa isolada em prognóstico eleitoral. Intenções de voto podem mudar, e as estimativas estão sujeitas às incertezas próprias de cada levantamento.

Até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, as campanhas terão de disputar não apenas os votos dos eleitores já mobilizados, mas também a atenção de quem ainda pode rever sua escolha. Em uma eleição polarizada, a capacidade de apresentar propostas concretas, responder às críticas e ampliar a confiança do eleitorado será parte central da disputa.


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