Porto Alegre vai às ruas por Lula e reúne gerações históricas da esquerda gaúcha
Multidão ocupou a Esquina Democrática e caminhou pelo Centro Histórico na mobilização “Bota pra Virar!”, em defesa da reeleição do presidente
Fotos: Tatiana Py Dutra/Esquerda em Movimento
Milhares de pessoas tomaram as ruas do Centro Histórico de Porto Alegre na noite desta terça-feira (13) em uma grande manifestação de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização, convocada sob o lema “Bota pra Virar!”transformou a Esquina Democrática em ponto de partida de uma caminhada que reuniu militantes, movimentos sociais, estudantes e lideranças de diferentes gerações da esquerda gaúcha.
A concentração começou no fim da tarde, por volta das 18h, no cruzamento da Rua dos Andradas com a Avenida Borges de Medeiros. A multidão ocupou o entorno da tradicional esquina, um dos principais espaços de mobilização política e popular da capital gaúcha. Por volta das 19h, os manifestantes iniciaram a caminhada pelas ruas do Centro, com carros de som, bandeiras e palavras de ordem em defesa da continuidade do governo Lula. O percurso rumou para a Praça da Alfândega, após passar por vias centrais e pela região da Orla do Guaíba.
A dimensão da mobilização foi registrada por veículos de imprensa como Correio do Povo, Jornal do Comércio, GZH e O Sul, que noticiaram a concentração de milhares de apoiadores. O ato integrou uma sequência de manifestações realizadas em diferentes cidades brasileiras para impulsionar a campanha petista no segundo turno.
Mais do que uma atividade eleitoral, a caminhada reuniu representantes de uma tradição política que tem raízes profundas na história do Rio Grande do Sul. A presença de lideranças históricas, como Tarso Genro, destacou a participação de quadros que ajudaram a construir o campo popular e democrático no estado e que seguem mobilizados diante da disputa presidencial.
Da velha guarda às novas lideranças
A mobilização ainda contou com a participação de Manuela d’Ávila, Fernanda Melchionna, Luciana Genro, Maria do Rosário, Miguel Rossetto, Matheus Gomes, Adão Pretto Filho, Edegar Pretto e Natasha Ferreira, entre outras lideranças. A presença de representantes do PT, do PSOL e do PCdoB evidenciou a articulação de diferentes setores da esquerda em torno da candidatura petista.
A bandeira brasileira também ganhou destaque durante a caminhada. Dezenas de manifestantes estenderam uma grande bandeira do Brasil sobre o cruzamento próximo à Praça da Alfândega. Nos discursos e nas palavras de ordem, apareceram a defesa das instituições democráticas, da educação pública, dos direitos sociais, do combate à violência contra as mulheres e da proteção ambiental.
Disputa voto a voto
A manifestação ocorreu em um momento decisivo da campanha presidencial. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo os números divulgados pela imprensa. A diferença nacional tornou a ampliação da mobilização nas ruas, a busca por eleitores indecisos e a redução da abstenção prioridades para a campanha petista.
Em Porto Alegre, entretanto, Lula terminou a primeira etapa da eleição à frente de Flávio Bolsonaro. O resultado na capital gaúcha foi um dos argumentos utilizados pelos organizadores para convocar apoiadores a intensificar a campanha no estado e ampliar a vantagem local como parte do esforço nacional pela virada.
A caminhada também se inseriu em uma sequência de atos realizados em diferentes regiões do país desde o início da segunda etapa da disputa. Na capital gaúcha, a mobilização ocorreu na véspera da visita de Flávio Bolsonaro, prevista para esta quarta-feira (14), quando o candidato do PL deve participar de atividades de campanha no Centro Histórico, acompanhado de lideranças da direita, entre elas o governador eleito Luciano Zucco (PL).
Com a Esquina Democrática novamente ocupada por uma multidão, a esquerda gaúcha buscou demonstrar capacidade de mobilização e disposição para a disputa até o último dia. O desafio agora é converter a presença nas ruas em votos, em uma eleição marcada pela polarização e pela disputa em torno dos rumos políticos, econômicos e sociais do país.