A última palavra
A última palavra contra a extrema direita não foi dada e a mobilização por Lula 13 tem um só sentido: apostar na vitória!
Foto: Manifestação da campanha de Lula na Avenida Paulista, em São Paulo. (Ricardo Stuckert/Campanha Luiz Inácio Lula da Silva)
A palavra convence. E com ela, disputaremos cada um dos milhões de votos que decidirão os rumos do Brasil. Porém, o exemplo arrasta. E foi o exemplo da juventude que saiu às ruas que virou o clima político, a partir dos centenas de ato que ocorrem no Brasil, superando a escala dos centenas de milhares reunidos e ecoando grandes momentos da nossa história, como as Diretas Já, a eleição de 1989, o “Fora Collor”, o levante juvenil de junho de 2013, o Tsunami da Educação de 2019 e as marchas pelo Fora Bolsonaro.
A eleição segue em aberto, com Flávio despontando como preferido da burguesia, liderando as pesquisas, montado na vitória expressiva que a extrema direita teve em 4 de outubro.
Uma nova eleição começou na semana de 5 de outubro, onde o clima obedece a uma polarização que tem suas coordenadas marcadas pela iniciativa da extrema direita, pela imensa politização de um setor da sociedade, pelo desbordamento da orientação inicial da coordenação de campanha Lula e por um protagonismo da juventude em todo canto.
A polarização ganhou as ruas, abrindo uma porta estreita da hipótese da virada, colocando em ação milhares de jovens que despertam para a luta política, sem o peso das razões pragmáticas das gerações anteriores e se conectando com uma batalha mundial contra a extrema direita, Trump e seus planos de destruição civilizatória.
Um salto na polarização
A juventude volta à cena no mundo. Há um novo momento dentro dos Estados Unidos, mas também com a entrada da juventude em luta na Espanha, França, Bélgica, o retorno do “movimento das baratas” na Índia, entre outros exemplos.
Por um lado, a extrema direita mostra as garras, avançando no terreno institucional, liderando pesquisas e ganhando votos. Por outro, a resposta das ruas coloca a juventude em ação, com métodos coletivos e radicalizados que evocam a greve geral. A juventude da França fez duas grandes jornadas de protestos e prepara uma ação comum para o próximo sábado (17) com os chamados Coletes Amarelos. Os espanhóis convocam uma greve geral após a comoção pelo despejo de uma idosa de Madri, Maricarmem, que faleceu, tornando-se o símbolo de uma luta. Protestos que envolvem a juventude e setores da classe trabalhadora estão acontecendo na Índia, Bélgica, Albânia e Portugal. A participação de Greta Thunberg nos protestos estudantis da França indica a aliança entre pautas, como um salto na polarização e na politização.
As previsões do FMI para a economia foram reduzidas, indicando a possibilidade de novas tormentas econômicas no horizonte, para além da crise climática que já é uma realidade dramática para o Planeta. Está se acumulando o caldo objetivo de um movimento decisivo contra Trump dentro e fora dos Estados Unidos, a partir das eleições legislativas estadunidenses de novembro, mas com capacidade de agregar um sentimento massivo pelo mundo.
Trump precisa avançar no neocolonialismo, como fez com a Venezuela, sobre Brasil e Cuba, num momento em que os próprios governos de extrema direita da região têm baixos índices de popularidade e aprovação.
O Brasil é parte dessa luta. Não seria exagero que a disputa dos mais de duzentos milhões de brasileiros sobre seus rumos imediatos e sobre sua soberania diga respeito e tenha impacto sobre bilhões ao redor do mundo. Há muito em jogo.
A juventude ofereceu o coração
Como na canção de Mercedes Sosa: “quem disse que tudo está perdido…”? Em meio ao desalento e a derrota do primeiro turno, a juventude irrompeu a partir de assembleias de estudantes e protestos de rua. Começou na UFF, depois chegou ao Colégio Pedro II, passando por atos em Fortaleza, dando um novo salto no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, na sexta dia 9.
A faísca se espalhou pelo final de semana, combinando atos em todas as cidades e tendo um ponto de inflexão na Avenida Paulista, que se contou por 9 quadras cheias e indica a escala dos centenas de milhares, para sermos sóbrios. Cidades médias, por todo o país, entraram em ação com as capitais e maiores cidades do Nordeste, Centro-oeste, Norte, Sudeste e Sul. O ato que tomou Copacabana foi simbólico, dado o lugar que teve para a largada da campanha de Flávio. 50 mil pessoas ocuparam as ruas na última terça-feira, dia 13, em Porto Alegre e em Brasília.
Foi uma junção de setores da juventude, protagonizado pelo Movimento Estudantil, com a UNE e os DCEs tomando a frente, tal qual os protestos do Tsunami da Educação, agora incorporando novos fenômenos de ruas e redes, como os “fandoms”.
Essa dinâmica ganhou os IFs, atravessando a cultura, o povo de axé, diferentes formas de organização da sociedade, junta novas e velhas gerações, do “povo das esquerdas”, com mulheres da esquerda e secundaristas.
Os militantes e figuras públicas do PSOL, junto a outros setores do campo progressista, tem estado na primeira fileiras desse processo, num mutirão de auto-organização e disposição militante.
A aprovação do fim da escala 6×1 no Senado foi o passo novo para essa dinâmica, com uma mudança em que o maior sintoma foi a manobra de Flávio para mudar de voto; ainda assim, o voto de Mourão deixou a digital do “clã Bolsonaro” contrária à maior vitória que a classe trabalhadora teve nos últimos anos.
A combinação entre a mobilização de ruas e redes com a vitória robusta do fim para 6×1 no Senado apontam um caminho. Possível, sinuoso, mas incontornável.
Está em curso um movimento que pode mudar o cenário político
As últimas pesquisas indicam duas dinâmicas: que tudo deve estar dentro da margem de erro, entre um e dois pontos, e a rejeição de Flávio começa a ser maior que a de Lula.
Na segunda-feira, Flávio mobilizou o “mercado” e parte expressiva da burguesia, impondo um clima de “já ganhou” interrompido pela dinâmica da juventude e agora a aprovação do fim da 6×1, impactando milhões, na pauta mais popular da agenda legislativa nos últimos anos.
Agora está colocado mobilizar para virar votos que estiveram em outros candidatos no primeiro turno, abordar os indecisos, mobilizar quem não votou. Por exemplo, se cada um dos milhões de ativistas que estão na campanha mobilizarem dois ou três idosos que não votaram, teremos aí uma quantidade expressiva para neutralizar os bolsonaristas. Também é necessário ampliar a força das mulheres, onde Lula começa a alargar sua vantagem.
Por outro lado, toda luta nas redes envolve entender que a Meta e as big techs têm lado. Temos que buscar formas organizativas para lutar também nesse terreno, denunciando todo tipo de manobra preventiva que possa vir daí, dos aliados de Flávio e Trump.
A vitória é possível
A energia social liberada nos últimos dias deve ser colocada a serviço da hipótese de vitória. O governo deve seguir no caminho da 6×1 e oferecer propostas de futuro, como a renegociação das dívidas de pessoas físicas e jurídicas, micros, pequenos e médios empresários. Avançar com a proposta do passe-livre, construir um plano de vagas em concursos públicos, ampliar a extensão das universidades públicas e dos Institutos Federais, além de buscar outras medidas que indiquem que vamos viver melhor.
Onde vencer? Diminuindo a derrota no Sul e Centro-Oeste, ampliando a margem no Nordeste e lutando para vencer nas grandes cidades do Sudeste.
Como já estávamos afirmando, subir o tom, mobilizar e mudar a vida. Uma eleição na qual se decide o que queremos para o Brasil e para o nosso futuro.
A última palavra contra a extrema direita não foi dada. Uma poderosa luta, que recorda Junho de 2013, se coloca em ação. O voto em Lula 13 no próxima dia 25 ganha um novo sentido: apostar na linha da vitória!