Argentina: manifestação em Buenos Aires reúne a indignação contra o fascista Milei
Repressão policial na Praça do Congresso foi tão brutal que provocou numerosos feridos
Foto: Milhares nas ruas de Buenos Aires contra o governo argentino. (Agustín Diéguez/Resumen Latinoamericano)
Nem a chuva, nem a provocação de impedir o quórum necessário para discutir a lei de terras na Câmara dos Deputados, nem a repressão ordenada pela ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva (discípula de Bullrich na ideia de gasear e atirar indiscriminadamente), conseguiram conter a força do setor mais consciente de um povo que, pouco a pouco, vai entendendo que sua melhor arma é o enfrentamento a este governo impregnado de maldade.
Dezenas de milhares de pessoas em Buenos Aires, diante do Congresso, e centenas de milhares de manifestantes em todo o país uniram duas reivindicações fundamentais: a necessidade de que o governo cumpra seu compromisso de financiar as universidades e, por outro lado, o fim da ameaça de entregar as melhores terras do país a investidores estrangeiros. À frente de uma nova marcha histórica, alinharam-se os estudantes universitários, ao lado de professores e reitores. Acompanhando-os, um amplo e diversificado conjunto de homens e mulheres de organizações sociais e populares. A polícia de Milei lançou gás lacrimogêneo contra todos eles, inclusive quando realizavam um ato para explicar as razões da marcha.
Enquanto alguns representantes do terrorismo midiático enchiam a boca nos canais de TV, alertando, como sempre fazem, que havia infiltrados, pessoas com o rosto coberto — e exigindo que a polícia as detivesse —, ou afirmando que estavam quebrando um banco da praça para atirar pedras, a realidade que se impunha com toda a força eram aquelas multidões exigindo o que um país inteiro reivindica: que Milei vá embora, que cesse essa infâmia de vender o país e, ao mesmo tempo, submeter-se aos interesses do império ianque e do sionismo.
Um parêntese à parte: há décadas não se via, na cidade de Buenos Aires, a quantidade de gás lacrimogêneo que a polícia lançou contra manifestantes que só queriam protestar e que, apesar de tudo, foram às ruas. Enfrentando a repressão com o próprio corpo e demonstrando uma resistência coletiva massiva que, diante das circunstâncias atuais, é mais do que necessária. Quando todas as instâncias institucionais se fecham, não resta ao povo outro caminho senão se rebelar — diz um ensinamento histórico que, mais uma vez, começa a se colocar em movimento.
Confira as fotos de Agustín Diéguez:











