As eleições ao governo de Minas Gerais
Uma análise da situação eleitoral mineira para as eleições de 2026
Tornou-se corriqueiro na política o famoso jargão sobre a disputa para presidente da República: ganhou em Minas, ganhou no Brasil. Os dados mostram que tal frase não se constitui em mera jogatina de palavras soltas, desde a primeira eleição após redemocratização todos os presidentes que assumiram a cadeira presidencial saíram vitoriosos pelo colégio eleitoral mineiro. Constituindo o segundo maior colégio eleitoral do país, ficando atrás apenas de São Paulo, a pergunta na qual paira nossas dúvidas é o porquê, seja à direita, seja à esquerda hegemônica (representada pelo PT), ainda não definiram quem serão seus representantes para disputa de governador.
Cabe ressaltar que o bloco de esquerda em Minas Gerais não estão entre aqueles dentro do PSOL que aguardam as indicações do atual presidente Lula, pois desde o início do ano já no posicionamos a favor da candidatura da companheira Maria da Consolação. Como é sabido, tal iniciativa não foi endossada pelo PSOL de Todas as Lutas (PTL), setor majoritário do partido. Posto isso, façamos as análises da situação da disputa para cadeira do executivo da Unidade Federativa de Minas Gerais Mateus Simões (PSD), atual Governador do estado após a descompatibilização de Romeu Zema para este ser pré-candidato ao pleito de Presidente da República, colocou-se na disputa.
Nas últimas pesquisas, não conseguiu pontuar expressivamente e isso se manifesta enquanto consequência da falta de apoio de outras legendas que possuem nomes com capitais políticos, como o caso do Partido Liberal (PL) na figura da família bolsonaro e do deputado Federal Nikolas Ferreiras. Explícito fica nas entrevistas de Domingos Sávio, presidente do PL em MG, o desejo de uma chapa puro sangue para Minas Gerais, mas devido aos escândalos do Banco Master envolvendo Flávio Bolsonaro e os atritos entre Eduardo Bolsonaro (que atenta contra o Brasil nos E.U.A) com Nikolas Ferreira fragilizaram as articulações.
Flávio Roscoe, importante nome da burguesia mineira e que se beneficiou das privatizações de Zema quando esteve à frente da Federação de Indústria do Estado de Minas Gerais (FIEMG), e Vitório Medioli, cuja gestão como Prefeito na cidade de Betim foi um desastre para a classe trabalhadora, filiaram-se recentemente ao PL e se colocaram à disposição do partido. Em entrevista concedida devido a recente visita de Flávio “Rachadinha” a Belo Horizonte e a cidade de Betim (em ambos municípios ocorreram ações contra sua nefasta presença), foi apontado que o PL se aproxima para ser vice na chapa composta com Cleitinho Azevedo (Republicanos).
A aproximação do PL com o Republicano precisa ser avaliado com certo cuidado, afinal, algumas posturas de Cleitinho, como ser “favorável” ao fim da escala 6×1 e defender um trabalhador ambulante petista, não eram bem-quistas pelo setor bolsonarista raiz. Mas três fatores condicionam essa mudança. A primeira é a própria situação do PL em Minas, que dificilmente conseguiria eleger chapa própria com a recorrente crise da família Bolsonaro e as últimas ações de Nikolas contra a classe trabalhadora. Notem, isso não significa que o PL não teria força política na corrida eleitoral. O segundo elemento é o de Cleitinho ter se redimido, pois votou favorável a Proposta de Emenda Constitucional que escraviza o trabalhador, a PEC da escala 7 por 0.
Todavia o terceiro elemento, sem dúvidas é o mais importante, o do oportunismo. Em todas as pesquisas Cleitinho aparece como candidato melhor posicionado, ou seja, nas circunstâncias atuais, ao que tudo indica, o PL prefere ser vice de alguém que tem chances de ser eleito e estar dentro (leia-se destruindo) da máquina estatal. Ora, e a ideologia? Ser vice de alguém que “apoiou” uma pauta proposta pela esquerda? Nada de novo abaixo do sol, para esse setor o ideário é apenas palanque eleitoral.
Com a desistência de Rodrigo Pacheco ao pleito, até então cotado para ser a o palanque de Lula no estado, somada a aliança de Alexandre Kalil (PDT) com o PSDB, que foi somente cravada com um acordo do ex-prefeito de Belo Horizonte de se afastar do PT, ventilou a possibilidade de o Partido dos Trabalhadores lançar candidatura própria. Nomes como do deputado federal Reginaldo Lopes e da pré-candidata ao Senado Marilia Campos apareceram nos bastidores concomitantes ao do ex-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo Josué Gomes (PSB).
Este não possuindo expressividade na política mineira, caso o PT opte por um deles, seria mais provável o do Reginaldo Lopes, pois seria fiel na garantiria do palanque para o Lula. Marilia Campos não viria pelo fato dela ser a melhor colocada na corrida para o Senado, então não fazeria sentido tirá-la de uma disputa “ganha”. Entretanto o que tudo indica é que acontecerá uma aliança entre MDB e PT, em que Gabriel Azevedo surge como alternativa para Lula. Como foi informado na imprensa mineira, reuniões estão ocorrendo entre representantes das duas legendas.Segue-se em aberto a disputa ao Palácio Tiradentes tanto à esquerda quanto à direita do espectro político.
Como supracitado, nós do bloco de esquerda seguimos comprometido com a classe trabalhadora e com a tradição aguerrida do PSOL ao apostarmos na companheira Consola, mas que decisões tomarão o partido nestas terras do melhor café com pão de queijo do Brasil? Será que a majoritária seguirá na linha de adesão a indicação do PT e estarão fazendo campanha para o Gabriel Azevedo, caso se confirme a aliança? Ou estarão com o PDT, cuja aliança se dá com Aécio Neves (que dispensa desagradável apresentação).
Sem dúvidas, a discussão tomaria outro rumo caso o PT lançasse candidatura própria, vislumbrando a possibilidade de se repetir nosso posicionamento na esfera nacional igualmente na esfera estadual.
Por fim, se nos próximos dias não forem divulgados os nomes, tanto de lá como de cá, daqueles e daquelas que concorrerão ao Palácio Tiradentes, a espera se encerrará no próximo mês, quando acontecerá as convenções partidárias (marcadas para acontecer entre os dias 20 de julho e 05 de agosto). Sigamos em mobilização permanente e que possamos atuar da melhor forma possível nestas eleições em prol do povo trabalhador.