Classe contra classe: a burguesia contra-ataca na 6×1
É preciso aproveitar a defensiva do bolsonarismo para intensificar a pressão e efetivar uma vitória que teria efeitos históricos para a classe trabalhadora
Foto: Mobilização pelo fim da escala 6×1. (Sindifes/Reprodução)
Tudo indica que será votada na próxima semana a nova regulamentação acerca da jornada de trabalho no Brasil. Há um intenso debate na sociedade no qual setores empresariais e reacionários estão atuando para obstruir e “desidratar” a proposta.
Existe uma ampla vontade popular – que abre toda uma discussão sobre as condições e o tempo de trabalho. Esse é um processo mundial. Uma discussão que envolve a recuperação de direitos, de tempo, a relação com a Inteligência Artificial, entre outros temas. Num capitalismo de crise, países como a Colômbia estão avançando nessa direção.
Lula capturou bem esse sentimento. Sua declaração de que o povo quer ter tempo para descansar, aproveitar, estudar, namorar ecoou uma visão de mais de 70% segundo as pesquisas. E a propaganda do governo defendendo o fim imediato da 6×1, nas redes e na TV caminha nessa direção.
Há uma batalha em curso. O movimento sindical está passivo, vide o que foi o 1º de maio. A burguesia contra-ataca. Temos lado e responsabilidade nessa hora.
O contra-ataque dos patrões
A burguesia, em sua maioria, montou um operativo “clamor” para desconstruir a aprovação do projeto. Inúmeras são as expressões. Desde Flávio Bolsonaro, que emitiu uma nota, curiosamente, dias depois de sua pré-campanha ter conhecido um revés que desorganizou parte de sua estratégia eleitoral, com a bomba “Bolsomaster”.
Encabeçados por deputados bolsonaristas, uma coalizão reacionária no Congresso, com 176 assinaturas, busca inviabilizar o fim da escala 6×1, chegando a sugerir até 52 horas semanais(!!) como jornada de trabalho.
A CNI também colocou nas ruas e nas redes uma campanha de agitação com mentiras e chantagens, usando dos grandes jornais para seu próprio lobby. O argumento patronal é de que a redução da jornada quebraria a economia brasileira.
A outra frente de ação dos representantes patronais, das elites agrárias e das oligarquias é impor travas, no chamado “plano de transição”, onde a lei poderia chegar a até 10 anos para ser implementada, caso seja aprovada.
Ou seja, o contra-ataque da burguesia é parte da luta eleitoral, seja para derrotar a reeleição de Lula, seja para no caso uma nova vitória do petista, tutelar as agendas “economicas e sociais”. O primeiro plano é o que está em curso, mas o abalo do “Bolsomaster” pode intensificar o segundo ou até a combinação de ambos.
O lugar dos trabalhadores
O apoio generalizado à redução da jornada é um sintoma de que há uma consciência difusa de defesa dos interesses da classe enquanto tal. Os grandes temas hoje da classe trabalhadora são a redução da jornada de trabalho e o alto endividamento das famílias, no qual o programa Desenrola foi uma medida mais aparente que efetiva, ainda que tenha melhorado muito a imagem do governo.
A consciência em prol do tempo dos trabalhadores é um ponto de inflexão fundamental depois de anos de bombardeio ideológico de noções individualistas como o empreendendorismo – uma experiência depois do boom da uberização.
A falta de mobilizações que aproveitem essa viragem difusa deve ser explicada pela fragilidade, pela desconexão e pela desorientação do meio sindical. Mesmo na semana que será votada, as propostas são atos nos próximos domingo e na segunda, sem grande convocação e com posturas passivas e eleitorais, apenas.
Estaremos presentes nas jornadas dos dias 24 e 25, buscaremos fazer agitação também na data que será votada em plenário; a bancada do PSOL, com nossas camaradas deputadas Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna na primeira linha da batalha pelo fim da 6×1.
É preciso aproveitar a tensão da defensiva do bolsonarismo para intensificar a pressão, buscar um sentido comum para as lutas e efetivar uma vitória que teria efeitos históricos para a classe trabalhadora e todo povo brasileiro.