Lula x Flávio: começa a batalha do segundo turno pelos votos dos derrotados
Com diferença de 1,87 ponto percentual no primeiro turno, candidatos buscam alianças e disputam eleitores de Caiado, Cury, Renan Santos e Zema, além dos mais de 33 milhões que não foram às urnas
Foto: Antonio Augusto/TSE
A disputa pela Presidência da República entra em uma nova fase depois de um primeiro turno marcado pela proximidade entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.
O resultado abre uma corrida pelos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) somaram juntos cerca de 9 milhões de votos no primeiro turno. Nenhum deles, entretanto, representa um bloco homogêneo de eleitores que possa ser simplesmente transferido para um dos finalistas.
Entre os derrotados, as primeiras manifestações já começaram a redesenhar o mapa de alianças. Zema declarou apoio a Flávio, enquanto Caiado também anunciou que apoiará o candidato do PL. O movimento aproxima o senador de dois nomes identificados com a direita que disputaram o primeiro turno.
Caiado terminou o primeiro turno com 2,18% dos votos válidos, enquanto Zema obteve 0,27%. Juntos, os dois tiveram pouco menos de 3 milhões de votos. O apoio político, porém, não significa que todos esses eleitores seguirão a orientação dos candidatos.
A situação é diferente entre os demais concorrentes. Augusto Cury, terceiro colocado, não declarou apoio a nenhum dos dois candidatos e defendeu a pacificação do país. Renan Santos também não anunciou adesão a Lula ou Flávio. O PSD de Caiado, por sua vez, liberou os diretórios estaduais para decidir sobre o segundo turno.
A matemática eleitoral ajuda a dimensionar o desafio. Cury teve 2,89% dos votos válidos, Renan Santos, 2,24%, Caiado, 2,18%, e Zema, 0,27%. Somados, os quatro chegaram a aproximadamente 9,3 milhões de votos, número várias vezes superior à diferença registrada entre os dois finalistas.
Mas a disputa não se resume a esses eleitores. O primeiro turno teve 21,08% de abstenção, o equivalente a mais de 33 milhões de pessoas. São eleitores que poderão comparecer no segundo turno, já que cada turno é considerado um pleito independente.
É justamente nesse universo que as campanhas também concentram esforços. Lula e Flávio precisam, simultaneamente, preservar seus eleitorados, conquistar parte dos votos que foram para os candidatos derrotados e mobilizar quem não participou da primeira votação.
O mapa eleitoral acrescenta outra dimensão à disputa. Flávio foi o candidato mais votado em 16 das 27 capitais, enquanto Lula venceu em 11. O petista manteve forte vantagem no Nordeste, enquanto o candidato do PL avançou em diferentes regiões do país.
Para Lula, o segundo turno significa buscar uma ampliação de sua votação para além do eleitorado que já o apoiou. A campanha petista deve tentar associar a candidatura de Flávio ao legado político de Jair Bolsonaro e apresentar a eleição como uma escolha entre projetos distintos para o país.
Flávio, por sua vez, procura transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma frente política mais ampla. Os apoios de Caiado e Zema são parte dessa estratégia, que também passa pela tentativa de atrair eleitores que votaram em outros candidatos de direita e centro-direita.
A segunda etapa da eleição, portanto, será menos uma disputa pela simples transferência mecânica dos votos do primeiro turno e mais uma batalha por alianças, rejeição, comparecimento e capacidade de ampliar coalizões eleitorais.
Com apenas 1,87 ponto percentual separando os dois candidatos na primeira votação, cada segmento do eleitorado ganha importância. A partir de agora, Lula e Flávio terão 19 dias para tentar transformar uma disputa apertada em maioria no segundo turno.