Do L de Lula ao L de Luta: a nova tarefa é derrotar o fascismo
Está na hora de transformar o L de Lula em L de Luta!
A vitória eleitoral de Lula foi resultado da organização e da resistência de amplos setores da sociedade brasileira. As comunidades de matrizes africanas, os povos indígenas, a população negra, as mulheres, as pessoas LGBTQIAPN+, a juventude periférica, os trabalhadores e tantos outros setores historicamente marginalizados se mobilizaram para impedir que o Brasil retrocedesse. Fomos às ruas, ocupamos as redes sociais, mobilizamos nossos territórios e defendemos, com unhas e dentes, nossos direitos e nossas existências.
Não lutamos porque vivemos em uma democracia plena. Sabemos que as leis brasileiras e o próprio sistema democrático burguês não garantem igualdade real para quem está na base da sociedade. Mas sabemos também que o avanço do fascismo representa uma ameaça ainda maior: a intensificação da violência contra nossos corpos, nossas culturas, nossos territórios e nossas vidas. Já estamos vendo setores extremistas da extrema-direita atacarem pessoas LGBTQIAPN+, militantes, povos originários, e todos aqueles que ousaram ocupar as ruas em defesa da democracia.
Quando falamos em soberania, não estamos falando de uma soberania burguesa. Estamos falando da autodeterminação dos povos, da preservação dos territórios quilombolas e indígenas, da resistência da cultura negra, da defesa da natureza e, sobretudo, do direito de nossos povos existirem com dignidade e liberdade.
Mas a vitória eleitoral não encerra nossa tarefa. Pelo contrário, inaugura uma nova etapa da luta. O governo Lula precisará responder àqueles e àquelas que o elegeram. Não podemos ignorar a profunda crise de representação da esquerda brasileira, que já se expressava no primeiro turno. A mobilização popular conseguiu conter o avanço da extrema-direita, mas não resolveu essa crise. Ela só poderá ser superada com mudanças concretas na vida da população.
É preciso enfrentar o preço dos alimentos, garantir trabalho e dignidade, transformar a política de segurança pública, combater o racismo e melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Se a população não sentir essas mudanças, a desilusão poderá abrir ainda mais espaço para a extrema-direita nos próximos anos. Não basta derrotar o fascismo nas urnas: precisamos enfrentar as estruturas sociais e econômicas que permitem seu crescimento.
Tambores se uniram pela democracia e pelo combate à extrema-direita
Foi justamente compreendendo essa tarefa que as comunidades de matrizes africanas tiveram um papel tão importante no último período. No dia 22 de outubro, mais de duas mil pessoas de terreiro ocuparam o Largo da Batata, em São Paulo, no ato Tambores pela Democracia. Levamos nossos corpos, nossas ancestralidades e nossos tambores para as ruas, afirmando que não aceitaremos o silenciamento de nossas culturas e de nossas existências.
Essa mobilização foi resultado de um trabalho de articulação e organização que não começou nas eleições. A Rede Emancipa, por meio de seus cursinhos populares, de sua formação política e de sua presença nas periferias, tem construído espaços de organização da juventude e da classe trabalhadora. O Emancipa Axé, por sua vez, nasce da necessidade de fortalecer a organização política das comunidades de matrizes africanas, aproximando terreiros, lideranças, juventudes e movimentos populares. Nossa tarefa é organizar os territórios, ocupar os espaços de formação, fortalecer os terreiros como espaços de resistência e construir uma articulação capaz de transformar a indignação em luta coletiva.
É assim que construímos movimentos: enraizados nos territórios, com formação política, organização popular e capacidade de mobilização. O ato Tambores pela Democracia foi uma expressão dessa construção e aponta para a possibilidade de um novo movimento de combate ao racismo e à discriminação, que reconheça o papel histórico dos povos de axé na defesa da democracia brasileira.
Essa mobilização também nos ensina que não houve um único setor responsável pela vitória eleitoral. A juventude foi fundamental, assim como os trabalhadores, as mulheres, os povos indígenas, a população negra, as pessoas LGBTQIAPN+ e nossos griôs e mais velhos. Foram aqueles e aquelas que estão na base da pirâmide social que se organizaram para impedir o avanço do fascismo e garantir a vitória de Lula. Essa força popular não pode ser esquecida nem convocada apenas em períodos eleitorais.
Por isso, precisamos construir uma alternativa real para o Brasil. Não podemos aceitar que a política brasileira continue limitada à escolha entre administrar as desigualdades ou aprofundá-las. Precisamos de um projeto de transformação profunda da sociedade, capaz de enfrentar o racismo, o patriarcado e a exploração capitalista.
PSOL pela transformação radical da sociedade e o 20 de novembro
Nesse cenário, o PSOL pode representar uma esperança, uma nova luz para a esquerda brasileira. Um partido de luta, de movimento e de enfrentamento, que demonstrou sua capacidade de resistência e ampliou sua presença política e parlamentar. O PSOL tem a possibilidade de se consolidar como uma alternativa necessária, capaz de dialogar com os movimentos populares, organizar a classe trabalhadora e apresentar um projeto de transformação radical da sociedade. É preciso fazer esse sol brilhar ainda mais forte no próximo período.
Essa disputa pelo futuro não pode esperar. Estamos em novembro de 2026 e ainda há muito pelo que lutar. Os povos indígenas continuam sendo assassinados em seus territórios. A população negra segue sendo vítima da violência do Estado, do genocídio e da precarização das condições de vida. Não podemos esquecer que o fascismo é supremacista e racista e que seus ataques atingem principalmente aqueles que historicamente sustentam essa sociedade, mas continuam privados de seus direitos. São justamente esses povos que estão mais ameaçados quando a extrema-direita avança.
É também por isso que as comunidades de matrizes africanas foram às ruas. Porque sabemos que não existe democracia enquanto nossos povos forem perseguidos, nossas culturas forem atacadas e nossos territórios estiverem ameaçados.
E é por isso que não podemos deixar novembro passar sem ocupar as ruas. O dia 20 de novembro precisa ser uma grande demonstração de força popular. Não podemos permitir que, mais uma vez, a população negra esteja sozinha na luta pelos seus direitos. Precisamos que todo o Brasil se mobilize: trabalhadores, juventudes, povos indígenas, comunidades de terreiro, movimentos sociais e organizações populares. A luta antirracista precisa deixar de ser tratada como uma pauta de um único segmento e ocupar o centro de qualquer projeto de transformação do país.
Precisamos fazer do 20 de novembro um marco de organização e mobilização nacional. Não queremos apenas resistir à violência, queremos transformar as estruturas que a produzem. Porque, enquanto houver pessoas negras sendo assassinadas nas favelas, indígenas sendo mortos em seus territórios e mulheres sendo violentadas dentro de suas próprias casas, não haverá liberdade verdadeira.
A tarefa que está colocada é criar esperança, organizar o povo e mobilizar a luta. É transformar a indignação em força coletiva, a resistência em organização e a organização em um projeto capaz de mudar o Brasil. Precisamos derrotar definitivamente o fascismo e a extrema-direita, não apenas eleitoralmente, mas também nas estruturas que alimentam o racismo, a exploração e as desigualdades.
Está na hora de fazer o L de Lula virar L de Luta! Porque não basta impedir o fascismo de avançar: precisamos construir um Brasil onde nossos povos possam viver com dignidade, liberdade e igualdade. Um Brasil onde a democracia não seja apenas uma promessa, mas uma realidade para quem sempre esteve na linha de frente da luta.