Indígenas ocupam Brasília contra avanço de megaprojetos na Amazônia
Acampamento Terra Livre

Indígenas ocupam Brasília contra avanço de megaprojetos na Amazônia

Mobilização reúne 8 mil lideranças e denuncia violações de direitos, riscos ambientais e ausência de consulta prévia em projetos como Belo Sun e Ferrogrão

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Por Florestal Brasil

O Acampamento Terra Livre (ATL) 2026 começou com força total em Brasília. Sob o tema “Nosso futuro não está à venda – a resposta somos nós”, cerca de 8.000 lideranças de todo o país iniciaram uma semana de mobilização intensa. O foco central é o avanço de grandes empreendimentos de infraestrutura e mineração que ameaçam a integridade dos territórios e a sobrevivência de comunidades tradicionais.

O Gigante de Ouro: O Caso Belo Sun

​No centro do debate está o projeto da mineradora canadense Belo Sun, que planeja instalar na Volta Grande do Xingu (PA) aquela que pode ser a maior mina de ouro a céu aberto da história do Brasil.

​Falta de Consulta: Lideranças denunciam que o licenciamento ignorou comunidades inteiras. A liderança Taiani Xypai alerta que a comunidade Marapanim, a apenas 6 km da futura barragem de rejeitos, nunca foi ouvida.

​Risco Ambiental: A barragem prevista terá 35 milhões de metros cúbicos de rejeitos contendo arsênio e chumbo. Para os povos da região, já castigados por Belo Monte, o projeto é visto como um risco existencial ao ecossistema do rio.

​Exclusão Técnica: Relatórios apontam que 10 comunidades foram excluídas do debate por estarem fora de um raio arbitrário de 10 km, o que violaria a Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário.

Ferrogrão: O Trilho no STF

​Outro alvo pesado dos protestos é a Ferrogrão (EF-170), ferrovia de 933 km projetada para escoar a produção de grãos do Mato Grosso até o Pará.

​Julgamento Decisivo: Amanhã, quarta-feira (8 de abril), o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento que definirá a viabilidade do projeto.

​Impacto no Tapajós: Lideranças Munduruku afirmam que a obra exigirá dragagens profundas no Rio Tapajós, alterando o ciclo das águas e ameaçando a soberania dos povos da floresta sobre seus recursos vitais.

​O movimento reforça que o licenciamento ambiental no Brasil enfrenta uma crise de legitimidade. Ignorar a consulta prévia, livre e informada cria uma insegurança jurídica que afeta a credibilidade de todo o sistema de gestão ambiental e o respeito aos direitos humanos no país.


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