O 1º de Maio e uma semana de terremotos políticos
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O 1º de Maio e uma semana de terremotos políticos

Sobre o desastre que nos ameaça e como combatê-lo

Israel Dutra 1 maio 2026, 17:04

Foto: Debate sobre proposta da anistia na Câmara dos Deputados. (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Primeiro foi a derrota da indicação de Messias para o STF, uma derrota humilhante para o governo com o Senado rompendo uma tradição de 132 anos. Depois veio a articulação para derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que abranda a pena dos golpistas, de Bolsonaro e de outros criminosos.

O sinal de alerta se acendeu . O governo, nas cordas, ficou desalentado e sem iniciativa. O bolsonarismo festejou com abraços ao Centrão e Alcolumbre. O ativismo ficou preocupado e reflexivo. Foi uma semana de terremotos.

Qual a saída para o impasse que está colocado? É sintomático que no dia 1º de Maio não tenhamos atos massivos e unitários, mesmo quando o debate sobre a jornada de trabalho toma a cena nacional. É preciso tirar lições do “caso Messias” e apostar em outra estratégia para derrotar a extrema direita no Brasil e efetivar conquistas populares.

Pode parecer simplismo, mas a resposta reside na capacidade de articulação e mobilização da classe trabalhadora.

Messias foi um desastre

Derrotado em todos os terrenos, o governo até agora não conseguiu se recuperar da derrota no Senado. Afinal, porque mesmo indicando um ministro “terrivelmente evangélico”, viu parte de seus aliados, como Alcolumbre, levantarem um motim. E não faltaram esforços para mostrar o quanto Messias era um “lulista conservador”, na contramão de lutas centrais, como o direito ao aborto. Os “gênios da realpolitik” do petismo em crise – como se verificou no 8º Congresso do partido – entregaram espaço e vida a um bolsonarismo resiliente, mas nem tão moralizado.

O problema não é tático, nesse caso. Ao contrário das manifestações contra a PEC da Bandidagem, que mobilizaram a sociedade contra a impunidade da extrema direita, o governo aposta por negociar e ceder, sem qualquer perspectiva de evocar as ruas como lugar de disputa.

O papel da CUT e do PT no 1º de Maio foi ilustrativo. A maior central do país não organizou atos unificados e sequer chamou a unificação das pautas ao redor da luta pela derrubada da escala 6×1. Na região metropolitana de SP, a mais importante do país, terão dezenas de atos fragmentados, apenas para “cumprir tabelas”, de diferentes centrais e sindicatos.

O projeto de conciliação de classes prepara um desastre. O centrão vai jogar pra chantagear a serviço da CNI e dos patrões para obstruir e desidratar o projeto que prevê o fim da escala 6×1.

A pergunta de milhões

Qual o segredo para a vitória de Lula e para a mudança da relação de forças? No mundo da superestrutura política, onde marqueteiros e assessores muito bem pagos se entrincheiram para formular “grandes sacadas”, essa discussão pode até ser mais complexa. Mas, no “mundo real”, as coisas estão mais nítidas. Sem mobilizar amplas parcelas do povo – a partir dos seus interesses gerais – não é possível vencer.

O próprio Lula reconhece que sua impopularidade decorre da gestão neoliberal que a centro-esquerda faz quando chega aos governos. A cumplicidade das burocracias sindicais completa o quadro da dor: incapazes de mobilizar, temos uma oportunidade jogada fora, com o 1º de Maio fragmentado, sem convocatórias unitárias e massivas que coloquem centenas de milhares nas ruas, sob a bandeira mais importante de todas, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, consagrada no mote pelo fim da escala 6×1.

A ampla maioria quer aprovar pautas e bandeiras da classe. A maioria quer saber quem ganhou e se beneficiou com um dos maiores escândalos de corrupção no país, o do Banco Master.

E nesse momento, onde o que prima é o debate eleitoral, existem mobilizações moleculares, que são “escolas políticas” de luta, como a dos entregadores, a greve das universidades federais, além da USP, que já teve uma vitória entre servidores e empareda a reitoria para ter conquistas estudantis. Os professores de São Paulo deflagraram greve, assim como servidores de diversas cidades Brasil afora.

Construir sem sectarismo apoiado na maioria social, a campanha pela aprovação da redução da jornada de trabalho é o caminho mais correto para combater qualquer hipótese de retorno da extrema direita ao país, o que seria um verdadeiro desastre.

Lula acerta ao colocar na ordem do dia a pauta do endividamento, mas se equivoca com sua proposta que drena recursos para os bancos e não confronta o real problema: a anistia às dívidas individuais e das pequenas e médias empresas.

Outro caminho com um programa e plano de lutas

A presença de Sâmia Bomfim no embate parlamentar da luta contra a 6×1 foi destaque para sua imagem positiva nas redes sociais. Esse reconhecimento é importante, mas está a serviço do debate e do impulsionamento da luta por fora do parlamento.

O PSOL e a esquerda devem se apoiar nos sindicatos combativos e na juventude para organizar um plano de lutas coerente, que chegue a uma greve geral ou paralisação nacional para pautar a aprovação do projeto.

Junto a isso, mobilizar por um programa básico: redução da jornada sem redução salarial; contra a misoginia e a violência contra as mulheres; taxação das grandes fortunas; anistia e renegociação das dividas das famílias; contra a dosimetria, por punição aos golpistas e aos corruptos do Master; controle dos preços de combustível, redução dos juros e por outro modelo econômico.

Há espaço para a luta. Mesmo com todas as dificuldades, milhares de pessoas se mobilizaram nas ruas de todo o país nas manifestações do Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Essa disposição indica o caminho que devemos trilhar para responder a todos estes desafios.

Em tempo, precisamos registrar também o sequestro do companheiro Thiago Ávila, liderança da Global Sumud Flotilla, pelas forças israelenses em águas internacionais durante uma missão humanitária que rumava a Gaza. A luta pela liberdade de Thiago, assim como do companheiro também sequestrado Saif Abu, e a pressão para que o governo brasileiro tome medidas enérgicas nesse caso, também se coloca como prioritaria no momento.


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