Senado derrota governo na indicação de Messias ao STF
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Senado derrota governo na indicação de Messias ao STF

Foram 42 votos a favor e 34 contra Messias, impedindo uma indicação ao STF em uma ação sem precedentes que não ocorria desde 1894

Bruno Magalhães 30 abr 2026, 10:56

Foto: Jorge Messias durante sua sabatina no Senado. (Geraldo Magela/Agência Senado)

A derrota do presidente Lula na indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) representou a maior derrota parlamentar do atual mandato do presidente. Tal situação aconteceu mesmo após grandes esforços do governo, que atuou fortemente na articulação no Senado e liberou mais de R$ 270 milhões em emendas um dia antes da sabatina de Messias.

Tal cenário representa uma vitória dos setores conservadores tanto do bolsonarismo como da direita tradicional. Foram 42 votos a favor e 34 contra Messias, impedindo uma indicação ao STF em uma ação sem precedentes que não ocorria desde 1894.

A reação do governo foi de conformidade com o resultado, buscando não aprofundar a ruptura com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), que operou diretamente para a derrota. No mesmo sentido de apaziguamento, o senador Randolfe Rodrigues (PT/AP, líder do governo no Congresso) foi contra todas as evidências e declarou que “Davi Alcolumbre tem uma preferência pessoal nessa questão da indicação ao STF, mas não vejo ele estender essa preferência a uma articulação contra Messias”.

A preferência de Alcolumbre para o STF é o senador Rodrigo Pacheco (PSB/MG), ex-presidente do Senado e uma aposta de Lula para o governo de Minas Gerais nas próximas eleições. Pacheco já era cotado para ser indicado, no ano passado, à vaga de Luís Roberto Barroso, que se aposentou prematuramente em outubro de 2025. Mesmo assim, dia antes da sabatina, Pacheco se encontrou com Messias e declarou publicamente seu apoio ao candidato de Lula ao STF.

A questão agora é se Lula irá aprofundar a tática de conciliação que o derrotou ou não. Sobre o tema, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL/SP), declarou:

O Congresso inimigo do povo não concederá nada de bom grado; mais do que uma recusa ao nome de Messias, o recado de hoje é a aliança entre bolsonarismo e o Centrão. E que as eleições já começaram.

É hora de ir pra cima, indicar uma mulher negra e comprometida com a classe trabalhadora ao STF. E apostar na luta e mobilização do povo para alcançar vitórias!

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS) foi no mesmo sentido:

Derrotar o Congresso inimigo do povo é, também, fazer o balanço de qual a forma para garantir as vitórias que o povo precisa, como, por exemplo, o fim da escala 6×1, que é uma pauta de maioria e avança na Câmara justamente pelo apoio popular.

Não vai ser liberando emendas, porque o governo liberou emendas, não vai ser fazendo esse jogo de articulação de bastidores diante do PL, da extrema direita, atuando concretamente e do casamento com David Alcolumbre, que é o Centrão fisiológico que ajudou a impor essa derrota ao governo. É com muita mobilização, é com pressão (…).

A situação se complica ainda mais com o mal resultado de Lula nas recentes pesquisas de opinião e perante a provável derrubada no Congresso do veto do presidente ao PL da Dosimetria, que viabiliza a redução de penas para os condenados por atos golpistas e cuja votação será realizada hoje.

A vaga no STF segue aberta e o governo apresentará uma nova indicação nas próximas semanas. Resta saber se o novo nome apontado representará uma capitulação à direita ou se Lula mudará a estratégia que já o derrotou na sabatina de Messias.

 


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