Eleições 2026: Manifesto da Rede Emancipa
Conheça o manifesto da Rede Emancipa de Educação Popular para as próximas eleições
A América Latina, nas últimas eleições, viveu disputas polarizadas que deram uma guinada à direita. Nesse contexto, hoje, o Brasil é o centro da atenção política internacional. O cenário se constitui pela defesa das liberdades democráticas e o funcionamento das instituições republicanas contra o respiro do fascismo brasileiro à moda imperialista comandada por Donald Trump.
As últimas pesquisas de intenção de voto expõem a chance ameaçadora de Flávio Bolsonaro (PL) tornar-se presidente, levantando a trajetória entreguista do pai à bandeira norte-americana e o desejo de concluir o curso da tentativa de golpe de 2023. Submerso nas recentes polêmicas do Banco Master, Flávio impulsiona o sentimento de descrença nas instituições e coleciona parcerias políticas que coadunam com a tarefa de transformar o Brasil em um campo minado para os mais pobres, seja com o discurso anti criminalidade e com a construção de presídios de segurança máxima, seja com uma espécie de futurismo irônico em que a Inteligência Artificial solucionará os problemas que se sentem na pele. Enquanto isso, as punições para os grandes criminosos das facções das elites econômicas representam as exceções, como Daniel Vorcaro, o amigo de Flávio Bolsonaro.
Em um momento em que líderes políticos são representantes diretos da mudança de regime e da abertura para a intervenção internacional dos EUA, é fundamental que haja uma defesa irrestrita das liberdades democráticas à altura dos desafios impostos. Por isso, a Rede Emancipa – Movimento Social de Educação Popular se soma às centenas de outros movimentos sociais e ativistas dos direitos humanos que apoiam a candidatura de Lula (PT), que, com uma margem pequena, lidera as intenções de voto. Hoje estamos juntos pela defesa dos marcos democráticos, mas sempre apontando para o caminho do direito de existir para lutar por um mundo longe das amarras do capitalismo e da exploração da natureza.
Não somos e nem nunca fizemos parte dos que acreditam que a saída para os problemas que enfrentamos em nosso dia a dia sejam as eleições burguesas e suas instituições que estão recheadas de ricaços, como nos temas de privatização dos serviços públicos e avanço do agronegócio e da mineração. Assim como não nos furtamos das urgências e responsabilidades históricas que nossa geração enfrenta com o estremecimento das ordens democráticas e o fortalecimento de ideologias fascistas pelo mundo.
Nesse contexto, nossa tarefa número 1 é eleger Lula para não dar espaço para a família Bolsonaro se instalar no poder novamente, dessa vez com o apelo popular de retorno. E, de mãos dadas à isso, lutar por mais em todos os territórios: lutar pelo direito ao tempo com o fim da escala 6×1, por transição energética, por cotas trans em todas as universidades públicas, pelo aumento do salário mínimo, por tarifa zero no transporte público, pelo direito à cultura, pela juventude negra livre e pelo fim da violência policial, por mulheres vivas e pelo fim do feminicídio. Por nenhum passo atrás e, sim, à frente, é necessário dar um recado aos filhotes da ditadura militar: nossa democracia não está à venda!
A nossa tarefa 2 será a capacidade de transformar nossas salas de aula em polos de resistência feminista, antirracista e anticapitalista, organizando a juventude negra e periférica para disputar o rumo das eleições, garantir que as demandas históricas dos setores mais explorados não sejam rifadas nos acordos de bastidores do Congresso ou das Assembleias Legislativas, e construir um processo de mobilização permanente que conecte as dores cotidianas do povo trabalhador — a fome, o desemprego, a violência policial e o transporte caro — à necessidade urgente de uma transformação radical da sociedade.
Carregando a garra de quem tem coragem de lutar por dias melhores, confira as nossas principais bandeiras:
- Fim do Arcabouço Fiscal, que estrangula o investimento nas políticas públicas;
- Manutenção da vinculação constitucional das receitas da educação e da saúde;
- Rompimento do MEC com as instituições que representam os interesses da reforma empresarial sobre a educação;
- Fim do vestibular e provas afins e instituição do acesso universal ao Ensino Superior público;
- Reconhecimento da educação popular como pedagogia para a formação acadêmica docente e para a elaboração dos planos políticos-pedagógicos escolares;
- Valorização econômica e social da profissão docente e dos/as trabalhadores/as em educação;
- Fim dos projetos de escolas cívico-militares e defesa da Gestão Democrática nas escolas;
- Chamamento à sociedade para um amplo debate sobre o Novo Ensino Médio e a elaboração de uma proposta que não sonegue conhecimento aos/às estudantes, não imponha a esses/as um destino social e incentive o ingresso desses/as nas universidades públicas;
- Ampliação das creches públicas e funcionamento em horário que contemple a jornada de trabalho de mães e pais;
- Por uma educação antilgbtfóbica e pela ampliação das cotas para as pessoas trans, não só em vestibulares, mas também em concursos públicos;
- Fim da escala 6×1, aumento real do salário-mínimo, revogação da Reforma Trabalhista e ampliação dos direitos trabalhistas aos/às trabalhadores/as precarizados/as;
- Pela defesa da vida das mulheres, combate intransigente aos feminicídios, à misoginia, ao machismo e ao patriarcado;
- Por uma educação antirracista, combate intransigente ao racismo e à violência contra o povo negro;
- Defesa intransigente dos direitos dos povos originários, quilombolas e comunidades de matrizes africanas;
- Fortalecimento do direito à cidade contra a cidade-balcão de negócios;
- Centralidade na mitigação das causas e consequências da crise climática.