EUA: o povo se voltou contra Trump
Trump pode interferir nas próximas eleições estadounidenses, mas milhões de pessoas no país estão preparadas para defender seu direito ao voto
Foto: Manifestantes no protesto No Kings na cidade de Los Angeles. (Britannica/Reprodução)
Nos últimos dois anos, o Partido Republicano do presidente Donald Trump controlou não apenas a presidência, mas também ambas as casas do Congresso, a Suprema Corte e muitos governos estaduais. Trump parecia ser politicamente onipotente. Agora, o povo americano se voltou contra Trump e parece provável que o Partido Republicano enfrente uma derrota nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro, quebrando o domínio de Trump sobre o Congresso. Trata-se de uma notável reviravolta provocada pela própria arrogância de Trump.
Em janeiro de 2025, quando assumiu o cargo, Trump tinha um índice de aprovação de 47%, que, segundo diversas pesquisas, agora caiu para entre 31% e 34%. Ou seja, dois terços dos americanos não o aprovam mais. Vários grupos demográficos, incluindo alguns que faziam parte de sua base, romperam com Trump: jovens eleitores do sexo masculino, eleitores latinos, eleitores urbanos e suburbanos — ou seja, republicanos mais da classe média e moderados. Além disso, várias figuras proeminentes do movimento “Make America Great Again” (MAGA), entre elas a congressista Marjorie Taylor Greene e o ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson, romperam publicamente com Trump. O MAGA está em desordem.
As pessoas se voltaram contra Trump por causa de suas políticas fracassadas. No final de fevereiro de 2026, Trump levou os Estados Unidos a se aliarem a Israel em uma guerra contra o Irã e, embora apenas o Congresso possa declarar guerra, Trump seguiu em frente sem a aprovação do Congresso. A Câmara dos Deputados dos EUA votou várias resoluções sobre poderes de guerra na tentativa de conter o presidente, mas o Senado não as aprovou. A guerra, é claro, resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz, o que levou ao aumento dos preços da gasolina. Hoje, de acordo com várias pesquisas, 65% dos americanos se opõem à forma como o presidente está conduzindo a guerra.
As tarifas de Trump também são impopulares, com pesquisas indicando que cerca de 63% dos americanos não as aprovam. As tarifas causaram perturbações em setores da economia dos EUA e levaram ao aumento dos preços para os consumidores.
Trump utilizou a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) para realizar batidas violentas com o objetivo de prender imigrantes da classe trabalhadora que têm empregos, famílias e filhos na escola. Essas batidas resultaram em vários tiroteios e na morte tanto de imigrantes quanto de cidadãos americanos, de modo que hoje apenas 33% dos americanos apoiam a ICE, enquanto 60% desaprovam a agência.
Além disso, 83% dos americanos desaprovaram o perdão concedido pelo presidente Trump a criminosos violentos que participaram da insurreição no Capitólio e da tentativa de golpe em 6 de janeiro de 2021.
Por fim, pesquisas recentes revelam que entre 60% e 69% dos americanos afirmam estar “muito” ou “um pouco” preocupados com “corrupção, negócios em benefício próprio ou conflitos de interesse” no governo Trump. Os negócios em benefício próprio de Trump e de sua família finalmente se tornaram um escândalo nacional. “Os eleitores estão mais preocupados com a corrupção no governo do que com qualquer outra questão, incluindo os altos preços dos alimentos e da gasolina”, de acordo com a última Pesquisa Econômica All-America da CNBC.
Também poderíamos mencionar outras questões que fizeram com que as pessoas se voltassem contra Trump: suas políticas tributárias que beneficiam os ricos, a demissão de funcionários federais e a reforma da Casa Branca, juntamente com seu vulgar “embelezamento” do interior do prédio.
Com as perspectivas eleitorais de seu partido parecendo sombrias, Trump tomou algumas medidas extraordinárias — medidas inconstitucionais, já que, segundo a Constituição, são os estados, e não o presidente, que controlam as eleições. O Departamento de Justiça está movendo ações judiciais contra os estados e realizando batidas, buscas e prisões, supostamente para impedir o voto de não cidadãos. E Trump não descartou enviar agentes do ICE ou soldados aos locais de votação.
Se Trump não interferir nas eleições de meio de mandato, ele pode muito bem perder. Mas, temendo que ele intervenha, na semana passada, de 7 a 9 milhões de pessoas participaram dos protestos “No Kings” e estão preparadas para defender os locais de votação e o direito ao voto.