Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A luta heroica dos servidores de São Paulo pode vencer!

Doria pretendia aprovar uma reforma dos servidores municipais, mas os trabalhadores resistem!

Servidores municipais em frente à Câmara Municiapl de São Paulo contra as reformas de Doria - Reprodução
Servidores municipais em frente à Câmara Municiapl de São Paulo contra as reformas de Doria - Reprodução

Uma batalha campal se estabeleceu hoje em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Os servidores públicos cercaram o prédio por todos os lados, muitos chegaram a entrar nas galerias e corredores e, por um triz, o prédio inteiro não foi ocupado pela multidão.

A razão é simples. Doria, às vésperas de abandonar o cargo de prefeito para candidatar-se ao governo do estado, tenta aprovar, a toque de caixa, o projeto “SAMPAPREV”, uma reforma da previdência do servidor municipal. A reforma prevê o aumento da alíquota de contribuição dos servidores, de 11% para até 19%, num confisco salarial escandaloso, além de privatizar e capitalizar o regime das aposentadorias com a criação do FUNPREV, fundo de investimento a ser controlado por capachos nomeados pelo prefeito.

Os servidores estão radicalizados. Há protagonismo de professores e profissionais da saúde, mas a greve se alastra por todas as categorias. O objetivo da manifestação de hoje era claro: impedir a aprovação do PL 621 (SAMPAPREV) na CCJ e exigir sua retirada definitiva da pauta.

Os vereadores tremeram na base tendo de encarar, frente a frente, uma massa de trabalhadores enfurecida. Mas, mesmo assim, lançando mão de uma repressão brutal desferida pela PM de Alckmin e pela GCM de Doria, trancafiaram-se no plenário, distante dos manifestantes, para aprovar a “legalidade” do projeto.

Houve muitos servidores feridos e que seguem hospitalizados. A covardia dos vereadores foi, como de costume, gritante.

Mas a batalha nem de longe está decidida! Mesmo com a repressão, a manifestação de hoje moralizou os trabalhadores. O governo foi pego de calças-curtas — não esperava tamanha mobilização. A manifestação, após uma infinidade de bombas, não se dispersou. E a truculência e inabilidade política de Doria ganharam as manchetes dos jornais, criando, agora, uma solidariedade com os lutadores que vai para muito além dos servidores públicos municipais.

De fato, estamos diante de uma batalha decisiva. Doria, hoje, é um dos nomes principais da burguesia na cena política. Tenta mostrar serviço, justamente, radicalizando no “ajuste”. Mas como todo “bom” político burguês, subestima o que mais pode atrapalhar seus planos: a mobilização social. E ao contrário do que pensam os céticos, estamos vendo uma sensacional disposição de luta dos trabalhadores.

O mandato da vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) foi protagonista nos embates no dia de hoje. Pelas redes sociais, repercutimos passo a passo a luta dos servidores, alcançando uma audiência de mais de 1 milhão de pessoas. Teve destaque a entrega para a luta de militantes e quadros políticos da Rede Emancipa e do Juntos!, além dos combativos sindicalistas organizados na plataforma Mover. Em cada passo desta batalha, estamos também hasteando a bandeira do PSOL.

A definição é uma só: é possível vencer! Não daremos um passo atrás na defesa dos servidores, na luta contra o corte da aposentadoria e o confisco salarial. Denunciamos a covardia dos vereadores e arrematamos gritando bem alto: fora Doria!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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