Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

ARQUIVO: Resposta do Juntos ao pronunciamento de Dilma

Em Junho de 2013, a então presidente Dilma Rousseff dava pronunciamento em rádio e TV tentando responder as manifestações que paravam o país.

O pronunciamento da Presidente Dilma, em cadeia nacional de rádio de TV, é mais uma expressão categórica que o povo brasileiro, mobilizado em todo país, marcou a história. Ontem, 20 de junho, mais de 1,5 milhão de brasileiros ocuparam as ruas de centenas de cidades brasileiras. O que se viu não foi nenhum sinal de diálogo, ao contrário, um discurso evasivo. O povo na rua não aceita este tipo de postura. O debate da Copa é outro. Sobre o dinheiro público gasto não foi nada esclarecido!

Lamentamos que Dilma, com passado político importante, corrobore o discurso da grande mídia e mostre sua mão de ferro da repressão. Não é através da Polícia Federal, da ABIN e das Tropas de Choque que vão dar vazão as justas e necessárias demandas do povo nas ruas. Segue a perseguição contra a juventude, especialmente nas periferias revoltas das grandes cidades. A gari trabalhadora que morreu em Belém, pelo efeito do gás lacrimogêneo, é um exemplo da violência policial contra o povo.

Quando fala em violência, Dilma não respondeu porque um jovem da periferia do Rio tem 21 vezes mais chances de ser preso que um jovem de classe média de qualquer cidade do Brasil. Também não disse porque temos estádios luxuosos, de padrão Europeu e uma saúde em condições vergonhosas. Também não se pronunciou porque os torturadores e assassinos da ditadura militar estão impunes, ganhando altos salários dos cofres públicos.

Os aliados de Dilma são os políticos tradicionais, de partidos marcados pela corrupção e pelo descaso com a voz das ruas. As promessas de mudança, neste quadro, parecem falsas.

Isso tudo demonstra que a força da ruas é a que vai garantir a conquista das nossas reivindicações. Seguiremos nas ruas pelo Passe Livre nacional, motivados pela vitória nacional na revogação do aumento. Exigimos o imediato investimento de todos os recursos empregados para a Copa do Mundo em hospitais, escolas e transporte público; lutaremos por democracia real, através da desmilitarização da polícia, desmonte dos órgãos repressivos, extinção da PEC37 e mecanismos de combate à corrupção. Um deputado deve ganhar o mesmo que um professor.

E, por fim, avisamos: vamos às ruas para imediatamente destituir o homofóbico-machista-racista Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Vamos derrubá-lo.

Seguimos nas ruas! O futuro é nosso!

Brasília, 21 de junho de 2013

Texto originalmente publicado em juntos.org.br.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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