Greve geral em Portugal contra reforma trabalhista

Greve geral em Portugal contra reforma trabalhista

A elevada adesão à greve geral pôs hospitais e transportes a funcionar com serviços mínimos, parou a produção em muitas empresas e fechou escolas e serviços públicos por todo o país

Esquerda.net 3 jun 2026, 10:00

A greve geral convocada para esta quarta-feira pela CGTP, com apoio de oito sindicatos da UGT e de diversas entidades independentes, começou com alta adesão, especialmente nos setores de transportes, saúde e educação.

“Está sendo uma grande greve geral. Os dados que temos do turno da noite mostram a grande disposição dos trabalhadores para fazer deste dia um grande dia de luta”, afirmou o secretário-geral da CGTP na manhã desta quarta-feira, em frente a uma das escolas de Lisboa que aderiram à paralisação.

Segundo os dados recolhidos até aquele momento, Tiago Oliveira declarou aos jornalistas que “os hospitais estão funcionando apenas com os serviços mínimos; na coleta de resíduos sólidos urbanos, a adesão foi de 100% na maioria dos distritos; os portos de Setúbal e Sines estão paralisados; os transportes registram forte adesão no Metrô de Lisboa, na Transtejo, Soflusa, CP e no setor aéreo. Na indústria, há um grande número de empresas com adesão total ou com a produção interrompida”.

Para o líder da CGTP, “a dimensão da mobilização de hoje revela que os trabalhadores têm plena consciência do que representa o pacote trabalhista”, um projeto apresentado “com o selo do século XXI, mas com medidas do século XIX”.

Tiago Oliveira não acredita que o governo mude de posição, pois “tem demonstrado arrogância e autoritarismo na forma como conduziu o processo”, e as declarações do primeiro-ministro na véspera da greve geral “mostram falta de humildade e de percepção da realidade”. Por isso, afirma, “serão os trabalhadores que derrotarão o pacote trabalhista”.

Em Lisboa, os sindicatos anunciaram no início da manhã adesão de 100% nos hospitais São José e São Francisco Xavier, além do Hospital de São João, no Porto, e de unidades em Coimbra. No Hospital Santa Maria, a adesão chegou a 90%.

Os trens da CP circulam apenas dentro dos serviços mínimos, situação que também se repete nas principais empresas de transporte público onde esse regime foi decretado. No setor aéreo, os sindicatos informam que cerca de 500 voos foram cancelados.

No Porto, o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves, afirmou que a expectativa era de que a maioria das escolas da cidade permanecesse fechada. Segundo ele, o pacote trabalhista trará ainda mais dificuldades para os profissionais da educação. O dirigente sindical destacou como especialmente preocupante a aplicação do banco de horas individual, que “seria um desastre absoluto para a já desregulada vida pessoal dos professores”.

Após participar, na véspera, de piquetes de greve na Vidrala, em Marinha Grande, e no Metrô de Lisboa, José Manuel Pureza iniciou o dia ao lado dos trabalhadores da Autoeuropa.

“A adesão é muito grande e, sendo a Autoeuropa uma empresa tão importante, isso é motivo de esperança”, afirmou o coordenador do Bloco aos jornalistas, ressaltando que “o que está em jogo é decisivo para impedir essa proposta, que precisa ser derrotada politicamente no Parlamento”.

Pureza acrescentou que esta greve geral “é um dia muito importante e traz enorme esperança para aqueles que acreditam que suas vidas e seus salários não precisam piorar e que sua jornada de trabalho não precisa aumentar”.


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