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5 motivos para protestar contra os cortes na Educação

No dia 15/05, milhões de estudantes e professores foram às ruas e colocaram Bolsonaro na pior crise de seu governo até agora.

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Os cortes na Educação promovidas por Bolsonaro e Weintraub ameaçam o futuro do nosso país e atendem a interesses obscuros. Aqui estão cinco razões para você ir para as ruas dia 30/05 protestar contra eles.

Motivo 1: vários estudos importantes para o país correm o risco de parar em função dos cortes.

Os ministros de Bolsonaro fazem pouco caso dos cortes, como se não fosse algo muito grave. Eles afirmam que foram cortados provisoriamente apenas os recursos não obrigatórios. Acontece que essas despesas “não obrigatórias” incluem contas de água, luz e materiais de trabalho, como equipamentos de laboratório e de hospitais universitários. Ou seja, são recursos sem os quais uma universidade para de funcionar. Esse é o caso, por exemplo, da UFPR e do Instituto Federal de Hortolândia, que terão que interromper suas atividades no semestre que vem caso os cortes não sejam revistos.

Há também pesquisas que estão sendo realizadas há décadas que podem ser perdidas em função dessa interrupção. É o caso, por exemplo, de estudos que envolvem seres vivos. Além disso, como afirmou o presidente da Academia Brasileira da Ciências (ABC), Luiz Davidovich, interromper pesquisas, mesmo que provisoriamente, significa perder posições na corrida do desenvolvimento científico para outros países. Ou seja, perde-se um tempo que não é facilmente recuperável posteriormente.

Portanto, Ministro Weintraub, cortar dinheiro da educação não é a mesma coisa que deixar chocolatinhos para comer mais tarde. Tampouco é como deixar de comprar um “vestido de festa”, “uma cervejinha” ou “um churrasco”, como comparou o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni.

Motivo 2: as universidades públicas são fundamentais para o futuro do Brasil

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp descobriram que o vírus da Zika pode ajudar no tratamento de tumores no cérebro. Na USP, pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência investigam a origem e a ascensão do PCC. Já o pesquisador da UNIFESP Ricardo Diaz, desenvolve um método inovador para o tratamento de HIV/AIDS. Assim como essas, todos os anos são desenvolvidas pesquisas fundamentais para resolver os problemas sociais e econômicos do Brasil. 99% delas são realizadas em universidades públicas. Sem isso, é impossível termos um país desenvolvido e soberano de fato.

Essas pesquisas são desenvolvidas em grande parte por estudantes de mestrado e doutorado. A chamada “bolsa CAPES/CNPq” nada mais é do que o salário do pesquisador. No mestrado, ela é de apenas R$1500 e, no doutorado, de R$2200 – valores que não são reajustados há seis anos. Para receber a bolsa, o pesquisador não pode realizar nenhum outra atividade remunerada. Além disso, não possui nenhum direito trabalhista, como férias e 13. Os cortes nessas bolsas promovidos por Weintraub deixaram sem remuneração pessoas que já haviam sido aprovadas nos programas de pós graduação das universidades. Muitas delas já tinham largado seus empregos ou mudado de estado para se dedicar integralmente à pesquisa.

Motivo 3: esse papo de priorizar a educação básica em detrimento do ensino superior é uma falácia.

Em primeiro lugar, os cortes não atingiram apenas o ensino superior, mas também a educação básica. O governo cortou um 1 bilhão de reais destinados à compra de livros didáticos, transporte escolar, construção de creches, dentre outras coisas.

Em segundo lugar, não é verdade que as universidades gastam demais. Ainda que o investimento por aluno seja maior no ensino superior do que na educação básica, ele ainda está abaixo do que investem os países da OCDE. Ou seja, o problema não é que há investimento demais no ensino superior, mas que há ainda menos na educação básica.

Tirar das universidades para dar para as escolas também não faria sentido porque a educação deve ser pensada como um ciclo completo já que os professores e o conteúdo do ensino básico são formados na universidade.

Também não é verdade que os estudantes da universidade pública sejam uma elite privilegiada. Mais de 70% dos estudantes das universidades federais são de baixa renda. Além disso, com a recente adoção das cotas raciais e sociais, o perfil social das universidades públicas tem se aproximado cada vez mais da maioria da população.

Motivo 4: A justificativa econômica para os cortes não se sustenta.

Primeiro o governo disse que os cortes tinham sido feitos porque as universidades faziam balbúrdia. Depois o discurso mudou e a desculpa passou a ser a falta de recursos. Mas essa foi uma desculpa improvisada, sem embasamento técnico de qual o tamanho do rombo orçamentário, qual o impacto fiscal dos cortes, quais alternativas o Poder Executivo teria, etc.

O governo aproveitou ainda para fazer uma chantagem dizendo que os cortes só seriam suspensos se a reforma da Previdência passasse. Mas isso não faz sentido já que a suposta “economia” da reforma da Previdência viria apenas após alguns anos ou décadas. Além de tudo, cortar verbas da educação é uma economia burra pois prejudica a capacidade do Brasil desenvolver tecnologia e resolver seus problemas econômicos a médio e longo prazo. Como diz o dito popular, “o barato sai caro”.

Motivo 5: existem interesses obscuros por trás dos cortes na educação.

As ações das três maiores redes de ensino privado do Brasil dispararam após o anúncio dos cortes na Educação. Isso quer dizer que os chamados “tubarões do ensino” esperam aumentar os seus lucros com a precarização da educação pública.

Dentre essas pessoas está a irmã do ministro da Economia Paulo Guedes, Elizabeth Guedes, que é vice presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares.

O governo é o verdadeiro “idiota útil” dos tubarões do ensino. Como afirmou a psicóloga Vera Iaconelli, os estudantes e professores que foram para as ruas sabiam não apenas a fórmula da água mas como fazer um tsunami para defender o futuro do país. Dia 30/05 vamos parar o Brasil novamente contra o obscurantismo e o autoritarismo. Vamos juntos!

Artigo originalmente publicado no site de Sâmia Bomfim.

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Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

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