Áudio de Flávio com banqueiro preso amplia pressão por CPMI do Caso Master
Flávio Bolsonaro

Áudio de Flávio com banqueiro preso amplia pressão por CPMI do Caso Master

Revelação de pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro aprofunda crise da família Bolsonaro, impulsiona cobrança pela instalação da CPMI e leva deputadas do PSOL a pedirem investigação e prisão preventiva do senador

Tatiana Py Dutra 14 maio 2026, 10:21

Foto: Beto Barata/Agência Senado

A divulgação do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra do banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro provocou uma nova explosão política em Brasília e recolocou no centro do debate a instalação imediata da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.

O caso, revelado pelo portal Intercept Brasil e confirmado por outros veículos de imprensa, expôs contradições nas declarações públicas do senador, que vinha tentando minimizar sua relação com Vorcaro – preso pela Polícia Federal sob acusação de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras que pode alcançar R$ 12 bilhões, segundo investigadores. A revelação do telefonema também atingiu diretamente o entorno político do bolsonarismo e lançou suspeitas sobre a estrutura de financiamento político da extrema direita brasileira.

No áudio enviado a Vorcaro em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro chama o banqueiro de “irmão” e cobra rapidez na liberação dos recursos. Em tom de intimidade, afirma que “os irmãozinhos não podem vacilar”, frase posteriormente citada em plenário pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS). A gravação desmonta a narrativa sustentada anteriormente pelo senador de que não possuía vínculos relevantes com o empresário.

Segundo as denúncias divulgadas até agora, parte dos recursos teria sido destinada à produção de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Parlamentares da base governista e da esquerda afirmam, porém, que o projeto audiovisual funcionaria, na prática, como uma engrenagem de propaganda eleitoral antecipada para reorganizar politicamente o bolsonarismo após os desgastes provocados pelas investigações golpistas e pelos escândalos financeiros envolvendo aliados do ex-presidente.

A crise também alcançou o senador Ciro Nogueira, apontado nos bastidores como possível candidato a vice em uma futura chapa apoiada por Flávio Bolsonaro. O nome do dirigente do Progressistas passou a circular no contexto das articulações relacionadas ao escândalo, aprofundando o desgaste político do campo bolsonarista no Congresso.

Sâmia pede preventiva

Diante da repercussão, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou o Supremo Tribunal Federal pedindo a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, além da quebra de sigilo e da investigação completa das relações do senador com o Banco Master e Daniel Vorcaro.

“Acabei de acionar o STF para prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, bem como a quebra de sigilo e investigação de toda sua relação com o caso Master. A familícia está afundada em fraudes, corrupções e bandidagens!”, declarou a parlamentar.

O pedido elevou ainda mais a temperatura política em Brasília e consolidou o Caso Master como uma das maiores crises recentes envolvendo o núcleo bolsonarista. Nas redes sociais, cresceram as cobranças por investigação ampla, responsabilização criminal e instalação imediata da CPMI.

A principal voz na pressão pela comissão tem sido a deputada Fernanda Melchionna, que articulou ao lado de Heloísa Helena a coleta das assinaturas necessárias para criar o colegiado. O requerimento protocolado em fevereiro reuniu 280 assinaturas – 238 deputados e 42 senadores – número muito acima do mínimo exigido pelo regimento do Congresso Nacional.

Mesmo assim, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, ainda não leu oficialmente o pedido em sessão conjunta, impedindo a instalação formal da comissão. A decisão provocou acusações de manobra política e “acordão” entre setores do Centrão, oposição bolsonarista e parte do Congresso.

Em discurso contundente no plenário, Melchionna afirmou:

“Maracutaia! Não tem outro nome. Imaginem vocês um filme meio nebuloso de empresas duvidosas, três vezes mais caro que ‘O Agente Secreto’. R$ 134 milhões negociados, porque os irmãozinhos não podem vacilar. Quem são os irmãozinhos? Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.”

A parlamentar também associou o caso à tentativa de reorganização eleitoral da extrema direita.

“Esse dinheiro, em dólares, US$ 4 milhões, metade foi pago para financiar o tal desse filme que, vamos combinar, está muito mais com o cheiro de campanha eleitoral do Bolsonaro Filho”, afirmou.

Na mesma fala, a deputada pressionou diretamente Alcolumbre pela instalação imediata da comissão:

“É hora de instalar nossa CPMI, deputada Heloísa Helena. Foram meses coletando a assinatura, desde novembro, eu e a senhora. Questão de ordem aqui ao senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional: não cabe a ele escolher ou não. O Artigo 21 é claro: tem que ser instalada.”

Melchionna ainda afirmou que o objetivo da investigação é expor as relações entre o sistema financeiro e a extrema direita brasileira:

“Nós vamos enfrentar, vamos lutar porque nós queremos investigar, doa a quem doer. Quem é podre que se quebre e nós sabemos que essa extrema direita é muito podre.”

Alcolumbre e o ‘acordão’

A resistência de Alcolumbre em instalar a CPMI tem sido alvo de críticas de parlamentares governistas e da oposição. Segundo deputados da base, houve um acordo político para evitar o avanço da investigação em troca da derrubada de vetos relacionados à chamada “lei da dosimetria”, projeto que pode beneficiar investigados e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O deputado Helder Salomão (PT-ES) acusou diretamente a existência de um pacto para enterrar as investigações.

“Nós queremos, sim, a instalação da CPMI do Banco Master. Agora, eles fizeram um grande acordão para derrubar o Messias, para aprovar a dosimetria e, acima de tudo, para enterrar a CPMI do Banco Master”, declarou.

Mesmo sob pressão, Flávio Bolsonaro tenta inverter a narrativa e passou a defender publicamente a própria instalação da CPMI. O movimento é visto por adversários como uma tentativa de antecipar danos políticos e tentar controlar os rumos da investigação.

Enquanto isso, o Caso Master amplia o desgaste da família Bolsonaro num momento em que o ex-presidente já enfrenta múltiplas investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado, à disseminação de desinformação e ao uso político de estruturas empresariais e financeiras.

A possível abertura da CPMI ameaça transformar o Congresso Nacional num novo palco de exposição das conexões entre operadores financeiros, empresários e dirigentes da extrema direita brasileira – justamente no momento em que o bolsonarismo tenta reorganizar sua estratégia eleitoral para 2026.


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