Paralisação de bancários e bancárias: exemplo de luta
Certos dias de luta dizem muito mais do que qualquer discurso. O último dia 20 foi um deles
Bancários e bancárias do Banco do Brasil, Caixa, bancos privados e bancos regionais, em diferentes partes do país, fizeram uma paralisação nacional de 24 horas. E o mais importante não foi apenas parar: foi mostrar que, mesmo com todas as mudanças que aconteceram no nosso trabalho nos últimos anos, nós continuamos sendo uma categoria capaz de agir coletivamente.
Pararam agências de varejo, unidades de alta renda, escritórios de negócios, áreas-meio e setores de tecnologia. Escriturários, técnicos bancários, assistentes, analistas, assessores e segmentos da gerência média aderiram à mobilização em muitas unidades. Tudo isso contra a expectativa da burocracia sindical.
A adesão surpreendeu. E isso não é pouca coisa
Durante muito tempo ouvimos que o trabalho remoto, a digitalização, o fechamento de agências e a dispersão dos trabalhadores tornariam praticamente impossível construir novamente uma mobilização nacional forte entre os bancários.
O dia 20 mostrou que não é bem assim.
Em muitos locais, especialmente nos bancos públicos, a paralisação aconteceu sem necessidade de piquetes. As pessoas simplesmente decidiram não trabalhar. Ao mesmo tempo, os escritórios e outras estruturas que concentraram grande número de funcionários acabaram criando novos espaços de convivência — e também novas possibilidades de organização coletiva.
Isso precisa ser percebido.
Porque, por trás da adesão, existe algo muito concreto: um sentimento que muita gente compartilha no dia a dia.
Estamos cansados de um ritmo de trabalho cada vez mais intenso.
Cansados da cobrança permanente por metas.
Cansados do assédio e da pressão transformados em método de gestão.
Cansados de ver nossas responsabilidades aumentarem enquanto nossos salários perdem poder de compra.
E, nos bancos públicos, existe ainda uma preocupação enorme com o futuro da nossa assistência à saúde.
A resistência dos bancos em ampliar seus aportes aos planos de saúde dos funcionários contribui para déficits cada vez maiores e gera insegurança sobre algo que é fundamental para milhares de famílias: a garantia de assistência à saúde para trabalhadores, aposentados e seus dependentes.
Por tudo isso, a força da paralisação do dia 20 não surgiu do nada.
Ela veio de uma insatisfação que já estava presente nos locais de trabalho
Os sindicatos não prepararam o dia de paralisação e apostaram que ele não tivesse a forte adesão que teve. Mas, mesmo sem uma grande preparação prévia pela base, sem um amplo processo de reuniões nos locais de trabalho, sem assembleias de delegados sindicais e sem uma campanha intensa de mobilização, a categoria respondeu.
E quando isso acontece, alguma coisa muda.
Uma paralisação que poderia ser apenas um gesto formal de pressão sobre a FENABAN, como as entidades esperavam e até gostariam, acabou se transformando em uma demonstração concreta de que existe disposição para ir além.
A categoria mostrou que quer ser ouvida
E isso acontece justamente quando entramos em uma semana decisiva da campanha salarial.
Teremos novas negociações com a FENABAN e com os bancos públicos. Também existe a possibilidade de que as direções da CONTRAF e da CONTEC busquem encerrar rapidamente a campanha com um acordo que, na nossa avaliação, pode ficar muito abaixo daquilo que os bancários precisam e esperam.
Por isso, este é o momento de ampliar a conversa entre nós e a mobilização,
Porque o dia 20 deixou uma mensagem muito importante: quando os bancários e bancárias percebem que os problemas são coletivos, a resposta também pode ser coletiva.
Agora precisamos discutir juntos qual será o próximo passo.
Nós defendemos a construção de uma greve nacional, unificada e por tempo indeterminado, capaz de reunir trabalhadores dos bancos públicos, privados e regionais.
Não porque parar seja um objetivo em si, mas porque queremos trabalhar com dignidade e queremos ter voz sobre o futuro da nossa categoria.
A mobilização do 20 mostrou que ainda existe muita força entre nós.
Agora o desafio é transformar essa força em organização, para conquistarmos o que desejamos e merecemos, como categoria!