Israel rompe com a Agência da ONU para os Refugiados da Palestina
Refugiados palestinos regressam para casa

Israel rompe com a Agência da ONU para os Refugiados da Palestina

Decisão ameaça milhões de refugiados palestinos, intensifica a crise humanitária e pode gerar novas ondas de instabilidade no Oriente Médio

Foto: RS/Fotos Públicas

O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, anunciou na terça-feira (28) que Tel Aviv cessará toda a “colaboração, comunicação e contato” com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), além de exigir que esta deixe Jerusalém até quinta-feira (30), conforme decisão tomada pelo Knesset em outubro passado.

Danon acrescentou que o governo de Israel não estabelecerá mais conversas com “qualquer pessoa agindo em nome” da agência. A justificativa para o rompimento unilateral das relações e a acusação (sem provas) de que a agência teria ligação com o Hamas e que alguns de seus funcionários, supostamente, teriam participado do ataque de 7 de outubro de 2023.

A decisão representa um risco iminente para a assistência humanitária e a estabilidade na região. Essa medida pode agravar a crise humanitária na Palestina, especialmente em Gaza, onde milhares de refugiados dependem dos serviços da UNRWA para acesso a alimentos, saúde e educação. O corte de laços também intensifica a tensão diplomática e compromete os esforços internacionais para um cessar-fogo duradouro.

Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, alertou que a decisão israelense “põe em risco a vida e o futuro dos palestinos”, além de representar uma afronta ao direito internacional e à Carta da ONU. Ele enfatizou que a agência é insubstituível na região e que sua exclusão pode sabotar os esforços de reconstrução e estabilidade.

Apesar de declarações da vice-embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Dorothy Shea, minimizando o impacto da legislação israelense, a ONU e vários países-membros reafirmaram a importância crítica da UNRWA. O desmantelamento das suas operações não apenas prejudicaria milhões de palestinos, mas também poderia gerar novos ciclos de violência e instabilidade no Oriente Médio.


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