Argélia: Lyes Touati libertado, uma vitória da solidariedade popular
Ativista socialista argelino foi libertado após uma ampla mobilização internacional
Preso durante 59 dias sob acusações infundadas, o ativista socialista argelino Lyes Touati foi libertado após uma ampla mobilização, transformando seu caso em um símbolo dos ataques às liberdades democráticas.
Sua prisão ocorreu como parte de uma sequência política marcada pela restrição das liberdades democráticas na Argélia desde o fim da revolta do Hirak. Sua audiência, seu julgamento e, finalmente, sua absolvição constituem uma sucessão de acontecimentos nos quais a solidariedade popular desempenhou um papel decisivo.
Uma acusação absurda
Membro do Parti socialiste des travailleurs (PST, filiado à Quarta Internacional), suspenso desde 2022, Lyes Touati é conhecido por seu compromisso constante com as liberdades democráticas, a justiça social e a defesa dos direitos dos trabalhadores. Suas convicções anticapitalistas, anti-imperialistas e antissionistas, inscritas na tradição política de seu partido, moldaram sua trajetória militante. Durante 59 dias, sua prisão simbolizou, para seus camaradas e apoiadores, uma tentativa de silenciar uma voz comprometida com a conscientização e a organização das massas populares.
Sua prisão, em 14 de dezembro de 2025, causou grande repercussão. A acusação de “conluio com uma organização terrorista” baseia-se em uma publicação sobre a eurodeputada Rima Hassan vestindo traje cabila, em alusão ao MAK, uma organização separatista e pró-sionista. Essa acusação, portanto, provocou incompreensão e indignação.
Apesar de um processo descrito como vazio por sua defesa, o juiz de instrução ordenou sua prisão preventiva em 16 de dezembro, transformando seu caso em um símbolo da questão mais ampla da liberdade de expressão e do direito ao engajamento político.
Solidariedade decisiva
Diante dessa situação, a solidariedade rapidamente se organizou. As redes sociais desempenharam um papel central ao transformar seu nome em um ponto de mobilização. Petições foram lançadas, reunindo mais de 700 assinaturas localmente e mais de 1.500 assinaturas no total. Figuras políticas, ativistas e blogueiros divulgaram seu caso. Essa mobilização permitiu transformar seu encarceramento em uma questão política nacional.
Seu julgamento ocorreu no tribunal de Béjaïa. Em 12 de fevereiro de 2026, o veredito foi anunciado: sua absolvição e sua libertação. Essa decisão foi recebida com enorme alívio. Ao sair, recebido por seus camaradas e familiares, Lyes Touati destacou a importância da solidariedade e afirmou sua determinação em continuar sua luta pelas liberdades democráticas.
Sua libertação demonstra que a solidariedade pode romper o isolamento e impor justiça diante do arbítrio. Essa sequência constitui uma importante lição política: nenhuma repressão é invencível quando a consciência coletiva está organizada.
Por fim, o caso Lyes Touati lembra que as liberdades democráticas nunca são definitivamente garantidas. Elas permanecem fruto de lutas, compromissos e solidariedade. Sua libertação não marca o fim de uma luta, mas confirma que apenas uma mobilização consciente e organizada pode abrir caminho para uma sociedade baseada na justiça, na dignidade e na soberania popular.