O Brasil e a guerra

O Brasil e a guerra

Os efeitos de uma crise econômica e energética geram impactos para o Brasil

Israel Dutra 16 mar 2026, 14:10

A guerra – melhor dizendo, a agressão imperialista ao Irã – está custando caro para todo o planeta.

O editorial da Folha de 15 de março faz diversas críticas à Lula quanto à política de isenção do diesel para evitar uma alta generalizada dos combustíveis. Os efeitos apenas se iniciam dado a importante resistência militar do Irã e o crescente repúdio à estratégia Trump. Chamando de “gambiarra”, admite que o pacote de Lula pode “trazer benefícios ao atenuar a alta da inflação e a piora das expectativas inflacionárias”, mas conclui que “controles de preço geram distorções no consumo, no investimento e prejudicam a produtividade”. O que a Folha deveria fazer era denunciar Trump e seus apoiadores no Brasil como responsáveis pela alta dos preços dos combustíveis.

A conta começa a chegar, como informa o economista Michael Roberts, tanto para os Estados Unidos – que está gastando a cifra de US$ 1 bilhão ao dia – quanto para toda economia mundial:

“Não se trata apenas do custo da guerra pressionando o orçamento dos Estados Unidos, muito mais preocupante é o impacto nos preços da energia e, eventualmente, na economia global. Como já argumentei antes, os preços do petróleo e gás só subiriam a níveis astronômicos se duas coisas acontecessem: primeiro, se o Estreito de Ormuz, um ponto chave de estrangulamento para o tráfego marítimo, fosse bloqueado; e, segundo, se as instalações de produção e distribuição de petróleo nos estados do Golfo, Arábia Saudita e Irã fossem destruídas.”

Os efeitos apenas começam. Avizinha-se uma crise econômica e energética com impactos para o Brasil. E num ano eleitoral, isso será decisivo. Além dos intentos de Trump de interferir na luta política nacional.

Com Trump não há futuro

Não é só no longo prazo. Podemos dizer que se Lula não denunciar de forma mais pesada a linha de Trump, o futuro de curto prazo, outubro, a disputa eleitoral, corre riscos. Trump instruiu seu assessor especial Darren Beattie, conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para o Brasil a se encontrar com Jair e Flávio Bolsonaro. Corretamente, Lula e o governo brasileiro negaram o visto a um conspirador de extrema direita.

Outro elemento da semana passada foi a declaração de Trump que grupos como CV e PCC deveriam ser declarados como parte do catálogo de narcoterroristas, se inscrevendo na escalada intervencionista que ruma ao processo eleitoral.

Trump é o responsável pela nova crise e pela alta dos preços ao levar uma agressão militar contra o Irã e no Oriente Médio.

Qual a orientação para vencer?

A própria Folha, ironicamente, na mesma edição em que acusa o governo de populismo fiscal, traz uma pesquisa acerca do apoio popular à redução da jornada de trabalho. A esmagadora maioria dos brasileiros quer o fim da odiosa escala 6×1 – 71% dos entrevistados estão de acordo com a proposta, um dado impressionante.

É uma importante dica de onde se pode derrotar a extrema direita. O governo deveria atuar pesado para comprar essa briga. E ir para uma ofensiva nas eleições, colocando um programa básico envolvendo a taxação dos ricos, a defesa da soberania nacional, ou seja, confronto com a linha Trump e a garantia da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

O movimento social e a esquerda, onde o PSOL se posiciona com muita autoridade, deve insistir em mobilização e plano de lutas ao redor do fim da escala 6×1. Campanhas que rompam com o rotineirismo das grandes centrais sindicais e falem diretamente à juventude, que já deu demonstrações de estar disposta a encampar essa luta nos comércios, shoppings, farmácias, call centers e outras grandes concentrações.

Somado a isso, estamos preparando com toda a força a luta contra Trump e o neofascismo: pelo fim da agressão no Irã, em solidariedade à Cuba e a luta dos povos; na I Conferência Antifascista, que vem ganhando peso na realidade, marcada para entre os dias 26 e 29 de março, e onde jogaremos força para ser um ponto de apoio na batalha decisiva que estamos travando.


TV Movimento

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo

Global Sumud Flotilla: Por que tentamos chegar a Gaza

Importante mensagem de três integrantes brasileiros da Global Sumud Flotilla! Mariana Conti é vereadora de Campinas, uma das maiores cidades do Brasil. Gabi Tolotti é presidente do PSOL no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete da deputada estadual Luciana Genro. E Nicolas Calabrese é professor de Educação Física e militante da Rede Emancipa. Estamos unindo esforços no mundo inteiro para abrir um corredor humanitário e furar o cerco a Gaza!
Editorial
Israel Dutra | 16 mar 2026

O Brasil e a guerra

Os efeitos de uma crise econômica e energética geram impactos para o Brasil
O Brasil e a guerra
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores