O Brasil e a guerra
Os efeitos de uma crise econômica e energética geram impactos para o Brasil
A guerra – melhor dizendo, a agressão imperialista ao Irã – está custando caro para todo o planeta.
O editorial da Folha de 15 de março faz diversas críticas à Lula quanto à política de isenção do diesel para evitar uma alta generalizada dos combustíveis. Os efeitos apenas se iniciam dado a importante resistência militar do Irã e o crescente repúdio à estratégia Trump. Chamando de “gambiarra”, admite que o pacote de Lula pode “trazer benefícios ao atenuar a alta da inflação e a piora das expectativas inflacionárias”, mas conclui que “controles de preço geram distorções no consumo, no investimento e prejudicam a produtividade”. O que a Folha deveria fazer era denunciar Trump e seus apoiadores no Brasil como responsáveis pela alta dos preços dos combustíveis.
A conta começa a chegar, como informa o economista Michael Roberts, tanto para os Estados Unidos – que está gastando a cifra de US$ 1 bilhão ao dia – quanto para toda economia mundial:
“Não se trata apenas do custo da guerra pressionando o orçamento dos Estados Unidos, muito mais preocupante é o impacto nos preços da energia e, eventualmente, na economia global. Como já argumentei antes, os preços do petróleo e gás só subiriam a níveis astronômicos se duas coisas acontecessem: primeiro, se o Estreito de Ormuz, um ponto chave de estrangulamento para o tráfego marítimo, fosse bloqueado; e, segundo, se as instalações de produção e distribuição de petróleo nos estados do Golfo, Arábia Saudita e Irã fossem destruídas.”
Os efeitos apenas começam. Avizinha-se uma crise econômica e energética com impactos para o Brasil. E num ano eleitoral, isso será decisivo. Além dos intentos de Trump de interferir na luta política nacional.
Com Trump não há futuro
Não é só no longo prazo. Podemos dizer que se Lula não denunciar de forma mais pesada a linha de Trump, o futuro de curto prazo, outubro, a disputa eleitoral, corre riscos. Trump instruiu seu assessor especial Darren Beattie, conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para o Brasil a se encontrar com Jair e Flávio Bolsonaro. Corretamente, Lula e o governo brasileiro negaram o visto a um conspirador de extrema direita.
Outro elemento da semana passada foi a declaração de Trump que grupos como CV e PCC deveriam ser declarados como parte do catálogo de narcoterroristas, se inscrevendo na escalada intervencionista que ruma ao processo eleitoral.
Trump é o responsável pela nova crise e pela alta dos preços ao levar uma agressão militar contra o Irã e no Oriente Médio.
Qual a orientação para vencer?
A própria Folha, ironicamente, na mesma edição em que acusa o governo de populismo fiscal, traz uma pesquisa acerca do apoio popular à redução da jornada de trabalho. A esmagadora maioria dos brasileiros quer o fim da odiosa escala 6×1 – 71% dos entrevistados estão de acordo com a proposta, um dado impressionante.
É uma importante dica de onde se pode derrotar a extrema direita. O governo deveria atuar pesado para comprar essa briga. E ir para uma ofensiva nas eleições, colocando um programa básico envolvendo a taxação dos ricos, a defesa da soberania nacional, ou seja, confronto com a linha Trump e a garantia da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
O movimento social e a esquerda, onde o PSOL se posiciona com muita autoridade, deve insistir em mobilização e plano de lutas ao redor do fim da escala 6×1. Campanhas que rompam com o rotineirismo das grandes centrais sindicais e falem diretamente à juventude, que já deu demonstrações de estar disposta a encampar essa luta nos comércios, shoppings, farmácias, call centers e outras grandes concentrações.
Somado a isso, estamos preparando com toda a força a luta contra Trump e o neofascismo: pelo fim da agressão no Irã, em solidariedade à Cuba e a luta dos povos; na I Conferência Antifascista, que vem ganhando peso na realidade, marcada para entre os dias 26 e 29 de março, e onde jogaremos força para ser um ponto de apoio na batalha decisiva que estamos travando.