Colômbia: votar em Cepeda é um ato democrático na luta de resistência continental
Votamos em Cepeda contra a direita colombiana, com a exigência permanente de mudanças e de mobilização nas ruas
1. O contexto mundial: o império voltou a mostrar as garras
Há vários anos que os Estados Unidos deram uma guinada à direita. O Partido Republicano e o movimento MAGA de Trump impuseram uma política agressiva e sem rodeios. Em dezembro passado, a Casa Branca publicou sua nova Estratégia de Segurança Nacional. Nela foi incluído o que se conhece como o “Corolário Trump”, que nada mais é do que uma versão atualizada do antigo Destino Manifesto.
Traduzindo em linguagem simples: os Estados Unidos afirmam que a América Latina é seu quintal e que têm o direito de meter o bedelho onde bem entenderem.Essa política de espoliação dos povos vem acompanhada da ameaça e da agressão militar do maior e mais violento exército do planeta. Diante dessa agressão, não há neutralidade. Ou você se submete ou resiste.
2. Votar em Cepeda é votar pela resistência dos povos.
Nesse contexto, votar pelo progressismo na Colômbia já não é apenas uma questão interna ou nacional. É um ato de resistência continental. Apoiar Iván Cepeda para que ele ganhe a presidência é ajudar na luta pela soberania do povo colombiano e unir forças com os demais povos da América Latina que se recusam a continuar sendo colônias.]
Mas deve ficar claro: não se trata de acreditar em salvadores. Trata-se de avançar em uma política que freie a direita e o império; devemos exigir de nossos governos e, com ainda mais razão, dos progressistas, o apoio à mobilização popular contra os planos da direita e do imperialismo.
3. A direita colombiana está enfraquecida, mas se fecha em bloco.
Dentro do país, a consciência do povo colombiano avançou. Cada vez mais colombianos e colombianas se inclinam para a esquerda no campo eleitoral. Grandes bastiões do sindicalismo e da juventude fazem sua a política de reformas do progressismo. O Pacto Histórico, com o governo de Gustavo Petro, tornou-se a liderança política dessa mudança. Por que isso aconteceu? Porque a direita tradicional, o bipartidarismo liberal e conservador, sobretudo os governos de Uribe e do Centro Democrático, aplicaram o neoliberalismo de forma radical: desigualdade, pobreza, exclusão, perseguição aos protestos sociais. Isso provocou a mobilização de amplos setores populares e da juventude e os enfraqueceu politicamente.
Mas, ao perder o poder executivo com a presidência de Petro, a oligarquia se fechou em bloco. No Congresso, a direita burguesa bloqueou as reformas na saúde, na educação e nas leis trabalhistas. O objetivo? Sabotar o governo, criar caos e depois dizer que “a esquerda não serve” para que a direita volte ao poder.
4. Conquistas do governo Petro, com contradições
Apesar do bloqueio, o governo de Petro e o Pacto Histórico conseguiram coisas importantes. A mais evidente: o aumento do salário mínimo em 23%, fixando-o em $1.750.905 (equivalente a US$ 473 atualmente), mais auxílio-transporte. Os sindicatos patronais queriam conceder apenas 7,2%. Isso foi recebido como uma conquista popular.
Para enfrentar a direita, o projeto progressista convocou, em várias ocasiões, a mobilização operária e popular. Os sindicatos e movimentos sociais saíram às ruas, não apenas para defender as reformas internas, mas também para apoiar a postura internacional do governo, como a denúncia do genocídio contra o povo palestino e a solidariedade com sua resistência ao sionismo assassino, como se observou massivamente nas marchas de 1º de maio nas grandes capitais do país.
5. Iván Cepeda: o que ele representa e o que vamos exigir dele
Iván Cepeda tem sido um lutador pelos direitos humanos e pela paz com justiça social. Como presidente, sem dúvida terá a capacidade de articular e mobilizar. Sua liderança e apoio à mobilização operária e popular podem ajudar a resistir aos ataques da direita local e do império.
No entanto, o movimento operário e popular não deve depositar sua total confiança em um governo que busca um acordo nacional com a classe burguesa e a oligarquia vendepatria, quando afirma em seu programa de governo “que é indispensável construir pontes que nos aproximem de um Pacto Nacional que inclua todos os setores da sociedade… incluindo os donos do capital e da produção”.
E, por isso mesmo, a exigência será clara:
· Que cumpra o programa popular: reforma agrária real, controle de preços, fim das bases militares americanas, nem mais um peso para o pagamento da dívida externa;
· Que rompa de vez com a política de domínio e espoliação de nossos recursos naturais pelo imperialismo e que se busque a formação de um bloco de países latino-americanos que defenda e articule essa política;
· Que não se torne um político da conciliação de classes, mas que coloque seu cargo a serviço dos de baixo, dos assalariados e dos camponeses pobres, dos desempregados, etc.
Vamos votar em Iván Cepeda, mas mantenhamos os olhos abertos: é um voto de resistência, mas também é um mandato. E o mandato o impomos nós, organizados nas ruas, nas fábricas, nos bairros, vigiando e pressionando para que ele não se desvie.
Não é um voto de fé. Votamos em Cepeda, sim, mas com a exigência permanente e a mobilização nas ruas.