Conferência antifascista lota a Assembleia do RS em sua abertura
Com delegações dos cinco continentes e 5 mil inscritos, evento transforma Parlamento gaúcho em espaço de articulação internacional contra a extrema direita
Fotos: Tatiana Py Dutra/Esquerda em Movimento
A 1ª Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos teve início nesta quinta-feira (26), em Porto Alegre, com uma expressiva demonstração de força política e mobilização internacional. A abertura ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que precisou disponibilizar quatro salas simultâneas para comportar o público – são cerca de 5 mil inscritos vindos dos cinco continentes.
A atividade inaugural, o Fórum de Autoridades Antifascistas, reuniu lideranças políticas do Brasil e do exterior em torno de um diagnóstico comum: o avanço global da extrema direita exige respostas coordenadas, enraizadas tanto na ação institucional quanto na mobilização popular.
A mesa de abertura foi conduzida pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL-RS), presidenta da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, que destacou a relação entre desigualdade social e o crescimento do fascismo.
“O fascismo não nasce no vazio, ele prospera na população quando há desesperança, quando uma parte da população se sente abandonada, quando a desigualdade transforma cidadãos e cidadãs em alvos fáceis para os manipuladores do medo. Por isso, a luta antifascista é também uma luta por justiça social”, afirmou.
Ao lado dela, participaram da abertura parlamentares como Pepe Vargas (PT), Leonel Radde (PT) e o vereador Pedro Ruas (PSOL), além do embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril, reforçando o caráter internacional e solidário do encontro.
Nos debates seguintes, representantes de diferentes países enfatizaram os limites da institucionalidade na defesa da democracia. Parlamentares e dirigentes políticos concordaram que, embora importante, a atuação dentro das instituições não é suficiente sem conexão direta com as lutas sociais. A avaliação predominante foi de que o Parlamento deve servir como instrumento para enfrentar os interesses das elites e fortalecer a organização da classe trabalhadora – e não como espaço de acomodação política.
A deputada federal Maria do Rosário (PT) e a deputada Daiana Santos (PCdoB) mediaram um dos painéis centrais, que contou com lideranças como o deputado Glauber Braga (PSOL), além de representantes da Europa e das Américas. As intervenções convergiram na necessidade de articular estratégias globais diante de um fenômeno que também se reorganiza internacionalmente.
Outro eixo do dia discutiu experiências de governos populares e os desafios para aprofundar a democracia. Participantes apontaram contradições em processos políticos recentes e alertaram para o papel de governos de extrema direita, como o de Javier Milei, no fortalecimento de agendas autoritárias na região.
Em sua fala, Luciana Genro reforçou o caráter estratégico e internacionalista da conferência.
“As forças do ódio se articulam globalmente e nós também precisamos nos articular. O fascismo é uma rede e a nossa resposta também deve ser”, disse. Ela também destacou que o enfrentamento exige coragem política para atacar suas bases estruturais: “É preciso enfrentar a elite econômica que lucra com a desigualdade […] e mobilizar as pessoas, porque a luta antifascista não se vence só nos gabinetes”.
Já Pepe Vargas ressaltou que o fascismo contemporâneo opera de maneira mais difusa e menos perceptível do que no século XX.
“Ele é mais sutil, mais sorrateiro, muitas vezes sequer é percebido como tal, mas segue negando direitos humanos e processos democráticos, se valendo inclusive das redes sociais para disseminar ódio e desinformação”, afirmou.
A abertura da conferência, marcada pela diversidade de vozes e pela forte presença internacional, sinaliza que Porto Alegre se tornou um centro de articulação global contra o autoritarismo. Mais do que um espaço de debate, o encontro se apresenta como um ponto de convergência entre diferentes experiências de resistência – com o objetivo de transformar indignação em organização e luta concreta. Confira aqui a programação desta sexta-feira.
Veja, a seguir, fotos da abertura do evento:








