A luta da 6×1 é uma luta de toda a classe trabalhadora brasileira
Precisamos estimular todo tipo de medidas, comitês e articulações para impulsionar a luta. Só a mobilização vai garantir o fim da 6×1
Foto: Mobilização de trabalhadores e trabalhadoras contra a escala 6×1. (CONTRATUH/Reprodução)
Às vésperas de um debate eleitoral decisivo, a sociedade brasileira está num intenso debate acerca da redução da jornada de trabalho.
Motivada pela entrada em cena de um amplo movimento que questiona o atual modelo de trabalho no país, inicialmente impulsionado pelo movimento “Vida Além do Trabalho”, a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial ganhou as ruas na consigna “pelo fim da escala 6×1”. Pesquisas de diferentes fontes indicam que mais de 70% dos brasileiros apoiam a redução. Uma medida de nítida maioria social.
Precisamos estimular todo tipo de medidas, comitês e articulações para impulsionar a luta. Só a mobilização vai poder garantir o fim da 6×1.
Uma disputa estratégica
A extrema direita entrou em campo para lutar contra a redução da jornada de trabalho. Foi o campo bolsonarista, com Bia Kicis e Lucas Redecker que pediram vistas na CCJ do último dia 15. Eles ecoam uma faceta que a extrema direita busca dissimular: sua condição profundamente antipovo e de inimigos dos trabalhadores.
O governo colocou corretamente a necessidade de impulsionar a votação pelo fim da 6×1. Os patrões, CEOs de grandes multinacionais e editoriais de grandes jornais da burguesia advogam contra a redução da jornada de trabalho, por mínima que seja, para manter seus lucros inalterados. Apelam para a falácia da produtividade. Do lado dos trabalhadores, a discussão sobre a jornada repõe toda a discussão sobre os sentidos gerais do trabalho: o de direitos, salário e temas que ganharam mais força recentemente como a relação com aplicativos e a IA, a saúde mental e direito ao descanso.
Para vencer a eleição de outubro, Lula sabe que precisa reverter a dinâmica de estagnação que as últimas pesquisas indicam. A extrema direita com Flávio Bolsonaro cresce em alguns cenários, mas seu líder máximo Trump começa a ver sua popularidade declinar. E na eleição da Hungria, Orban perdeu. Pode-se abrir a hipótese cautelosa que há um começo de inflexão desfavorável aos neofascistas no mundo, com a experiência desastrosa em curso com Donald Trump.
Dito isso, a disputa no Brasil, que passa pela soberania, regulação das bigtechs, taxação dos ricos, tem centralidade, digamos assim, na luta pela 6×1. É a tática que organiza a estratégia.
A mãe de toda as batalhas
Na segunda-feira passada, São Paulo, maior metrópole brasileira, se viu paralisada pela forte mobilização dos trabalhadores de aplicativos, contra o PLP 152. Na mesma cidade, piquetes e e protestos fortalecem a greve da mais importante universidade do estado, a USP. Esse “clima” existe em inúmeras categorias, ainda que sem grandes lutas gerais. Temos a greve dos TAES em âmbito federal. Ou seja, as lutas “moleculares” ensaiam a vontade e disposição de enfrentamento, às vezes passando por cima das direções sindicais tradicionais. O ato que teve em Brasília dia 15 foi positivo, como ponto de partida, porém, as direções sindicais tradicionais sequer conseguem organizar um ato de 1 de maio em São Paulo- fato inédito e que fragiliza a luta dos trabalhadores.
A campanha contra a 6×1 pode ser vista como a campanha das diretas, ou seja, responde a uma necessidade do povo. É uma pauta nacional. Tem potencial para ser uma verdadeira campanha. E ser parte da campanha, fazer a campanha, quer dizer participar dos grandes atos (que ainda precisam ser chamados), mas também pode significar fazer uma pequena passeata na escola, no bairro. Cada um pode tomar iniciativa. Os partidos que se reivindicam dos trabalhadores mais ainda. É preciso empurrar e ao empurrar também exigir que as grandes centrais se movam. O Brasil precisa se mobilizar. Devemos apostar nisso. Trata-se de uma pauta que exige um plano de luta. Se tal plano for feito, até uma greve geral poderia e deveria ocorrer. É uma luta pela opinião pública. E contra o imobilismo.
Nesse cenário complexo, algumas iniciativas como o sindicato que dirigiu e organizou a greve da PEPSICO (STILASP), propõe um plano de lutas para pressionar o governo e o congresso, evitando que esses negociem por fora da pauta dos trabalhadores.
Ou seja, colocar a luta da 6×1 nas unidades de trabalho, bairros, escolas e universidades.