Super-ricos causam dano desproporcional ao clima, diz estudo
O 1% mais rico do mundo é responsável por 41% das emissões de carbono associadas à propriedade de ativos, segundo organização
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Via Ihu Unisinos
Um grupo reduzido de super-ricos provoca um dano climático desproporcional, impulsionado por propriedades e investimentos altamente poluentes, somados a estilos de vida intensivos em carbono. É o que diz um relatório do Greenpeace publicado nesta semana, que retrata a crise climática como “cada vez mais também uma crise de concentração extrema de riqueza”. A informação foi publicada por DW, em 10 de junho de 2026.
O estudo estima que, em 2022, o 1% mais rico do mundo foi responsável por 41% de todas as emissões associadas à propriedade de ativos, ou seja, aquelas geradas pelas empresas e investimentos que possuem. Em comparação, o mesmo grupo foi responsável por cerca de 16,5% das emissões baseadas no consumo.
“Quando falamos de responsabilidade climática, também falamos de possíveis fontes de financiamento público e de como os custos relacionados à mudança climática são distribuídos”, afirmou Clara Thompson, responsável por campanhas de justiça climática e fiscal do Greenpeace, a jornalistas.
Em 2022, o custo dos danos climáticos associados aos investimentos dos 0,01% mais ricos do mundo foi de 992 bilhões de dólares, no cálculo da organização. Já o seu consumo teria causado danos estimados em 405 bilhões de dólares.
Correlação já estabelecida
Outras organizações e pesquisadores já identificaram a correlação entre concentração de riqueza e impacto climático. No ano passado, a Oxfam reportou que uma pessoa do 0,1% mais rico do mundo produz, em média, maior poluição em carbono por dia (800 quilos diários) do que uma pessoa dos 50% mais pobres ao longo de um ano todo (dois quilos diários).
Para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, conforme prevê o Acordo de Paris, o 1% mais rico do mundo precisaria cortar as emissões per capita em 99% até 2030, segundo a organização.
Já pesquisadores do Instituto Internacional para Análises de Sistemas Aplicados, na Áustria, calcularam que os 10% mais ricos do mundo provocaram dois terços do aquecimento global de 1990 a 2025.
Diante de um crescente debate sobre a necessidade de financiamento para proteger o clima, o Greenpeace sugere que taxar os danos climáticos associados às emissões derivadas da propriedade de ativos dos 0,01% mais ricos poderia contribuir “significativamente” para cobrir as necessidades dos países em desenvolvimento, estimadas em pelo menos 1 trilhão de dólares anuais.