Uma eleição à sombra de Trump
É necessário defender a soberania nacional e articular uma pauta internacional comum para resistir aos ataques do imperialismo
Foto: Encontro entre Lula e Trump, em outubro de 2025, na Malásia. (Ricardo Stuckert/PR)
A eleição de outubro, que já começa a ser discutida entre o povo, será atravessada pela ingerência de Trump, encarnado pelos representantes locais da extrema direita, preferencialmente os Bolsonaro.
O tarifaço, o ataque ao Pix e a articulação das big techs são os exemplos mais gritantes de como já se manifesta essa ingerência. Há um salto na necessidade de defender a soberania nacional. E na necessidade de articular uma pauta internacional comum para resistir.
Os marcos internacionais da disputa eleitoral
Um passo foi dado na realização da Iª Conferência Antifascista Pela Soberania dos Povos em Porto Alegre, em março último. A luta segue: a disputa renhida contra Fujimori na contagem dos votos da eleição peruana, um segundo turno polarizado na Colômbia, a rebelião popular boliviana, o acosso sobre Cuba.
A marca da situação política internacional é a ação ofensiva de Trump sobre os povos, especialmente a América Latina. E a contra cara é a perspectiva, ainda em modo inicial, de uma luta mais unitária para resistir à ofensiva neocolonizadora.
A foto que Flávio Bolsonaro tirou com Trump é a ilustração de algo mais profundo: há uma disputa de projetos, de sentido e de política que opõe a extrema direita versus um vasto campo democrático. E se expressa na disputa eleitoral, com Lula buscando uma reeleição, ameaçada pela resiliência e articulação da extrema direita, com um forte apoio do imperialismo americano.
Tal ação serve tanto para a disputa geopolítica internacional, que envolve a disputa interimperialista com a China, a busca por novas fronteiras para recursos naturais como as terras raras, o “extrativismo de dados”, num mundo inseguro e caótico.
Nesse momento, a disputa apertadíssima na eleição peruana divide águas, com a filha do ex-ditador Fujimori e o candidato da esquerda, Roberto Sanchez, disputando voto a voto. E na Bolívia, uma rebelião popular pede a renúncia do presidente e se enfrenta com a repressão (colocar nota do PSOL).
6×1, Pix e Bolsomaster: um salto na politização
A defesa da soberania nacional e dos direitos de quem trabalha são os grandes temas da eleição. A vitória na câmara que significou a aprovação do fim da 6×1 indicou uma fortaleza da luta popular, central para disputa eleitoral e para colocar a extrema direita na defensiva.
O “tiro no pé” que foi a associação de Flávio com o tarifaço de Trump e a ameaça ao Pix ajudaram a desconstrução do apoio ao candidato da extrema direita, já golpeado pelo escândalo do Bolsomaster.
A recente pesquisa Quaest comprovou esta tendência. Flávio caiu três pontos na simulação de segundo turno, com Lula chegando a 44% contra 38% . Já no cenário de primeiro turno, Flávio retrocedeu quatro pontos, batendo em 29%, seu pior índice desde que foi confirmado como candidato. Lula está com os mesmos 39% de maio, o que acende um sinal amarelo, mesmo em meio à crise do seu principal oponente. O número de candidatos se fragmenta, podendo chegar até 13 nomes para disputar a presidência. Uma atenção especial merecem os setores à direita que buscam capitalizar a crise de Flávio, já que Zema e Caiado não crescem, ao contrário de Renan Santos, do partido Missão.
Há portanto, uma politização embrionária mas presente na sociedade. As recentes lutas que tiveram lugar, sobretudo no estado de São Paulo, com greves de servidores e estudantes, mas também na greve do professorado de Belo Horizonte, criam um clima de discussão e engajamento que será útil na luta política e eleitoral.
Da parte dos patrões, o manifesto encabeçado por Rogério Marinho no Senado, com milhares de empresários pedindo o desmantelamento da proposta aprovada na Câmara, indica o caminho. Marinho é um dos chefes de campanha de Flávio e a polarização da 6×1 vai contaminar toda a disputa.
O desafio do PSOL: encarnar a força do programa
O PSOL apareceu muito bem na luta contra a 6×1. O reconhecimento foi parte do acúmulo que já vinha sendo visto em outros momentos como a PEC da impunidade e a presença do PSOL na ocupação da Cargill em Santarém, onde o protagonismo dos povos indígenas derrotou a proposta de privatização das hidrovias.
É hora de aproveitar a simpatia que cresce nas ruas e redes pelo PSOL para lutar para superar os limites do PT, mesmo quando caminhamos em unidade eleitoral.
É preciso preparar uma campanha-movimento, “a quente”, com base em elementos programáticos e tarefas, a começar pela pressão total sobre o Senado para aprovar definitivamente o fim da escala 6×1. Naquela casa reacionária, Damares, Alcolumbre e outros buscam desmantelar o projeto, respondendo aos patrões. Com plano de lutas e pressão popular, devemos lutar para que se aprove na íntegra o projeto que passou na câmara.
E seguimos acompanhando o processo internacional, com o exemplo boliviano, para derrotar Trump, o inimigo da humanidade e dos povos, nas urnas e nas ruas.