Alice Carvalho volta a sofrer ameaças de morte
Alice Carvalho

Alice Carvalho volta a sofrer ameaças de morte

Vereadora do PSOL volta a ser alvo de intimidações com ameaças de morte; histórico de ataques e casos recentes envolvendo Luciana Genro reforçam alerta sobre o avanço da violência contra mulheres de esquerda

Tatiana Py Dutra 11 jun 2026, 02:20

Foto: Reprodução


A vereadora Alice Carvalho, de Santa Maria (RS), voltou a denunciar ameaças de morte recebidas por e-mail. Segundo sua assessoria, as mensagens contêm conteúdo racista e misógino, além de ameaças explícitas à sua integridade física. Em um dos trechos, o autor afirma que pretende fazer com que a parlamentar “viva com medo”, utilizando referências à sua rotina e a dados pessoais como forma de intimidação. O caso foi encaminhado para investigação policial.

O novo episódio não é um fato isolado. Em outubro de 2025, Alice já havia denunciado o recebimento de mensagens com ameaças de morte, ataques racistas, conteúdo misógino e referências à supremacia racial. Na ocasião, o gabinete da parlamentar registrou ocorrência policial e cobrou providências das autoridades para identificar os responsáveis.

A repetição dos ataques reforça uma realidade preocupante: a violência política dirigida a mulheres, especialmente mulheres negras e de esquerda, segue sendo utilizada como instrumento de intimidação e tentativa de silenciamento. Em nota, a assessoria da vereadora destacou que os episódios evidenciam a persistência da violência política, racial e de gênero enfrentada por Alice ao longo de sua trajetória pública.

O histórico de agressões contra a parlamentar é extenso. Durante sua primeira candidatura, em 2018, Alice relata ter sido vítima de agressão física durante uma atividade de campanha. Em 2020, uma janela de sua residência foi quebrada no período pós-eleitoral. Já em novembro de 2022, sua casa foi atingida por um disparo de arma de fogo, episódio que levou lideranças do PSOL a cobrarem uma investigação que considerasse a hipótese de atentado político.

Na época do ataque a tiros, Alice declarou que não aceitaria a naturalização da violência. “Eu não posso e não vou naturalizar que balas perdidas (ou não) continuem achando a casa de famílias negras na periferia”, afirmou. A então presidenta estadual do PSOL, Luciana Genro, também manifestou preocupação e cobrou uma apuração rigorosa, afirmando que “as investigações precisam levar em conta a possibilidade de tratar-se de um atentado político”.

O caso ganha ainda mais gravidade porque ocorre em um contexto recente de ameaças contra outras parlamentares do campo progressista. Em maio deste ano, Luciana Genro denunciou ter recebido um e-mail com ameaças de morte e violência sexual. Segundo relato divulgado por seu mandato, o autor descrevia agressões em detalhes e prometia estar “esperando o momento certo” para atacá-la. O conteúdo também reproduzia ataques misóginos e já havia sido direcionado a outras parlamentares de esquerda.

Os episódios envolvendo Alice Carvalho e Luciana Genro revelam uma escalada preocupante da violência política no Rio Grande do Sul e no Brasil. Organizações de direitos humanos, entidades antirracistas e movimentos sociais têm alertado que ataques desse tipo não atingem apenas indivíduos, mas a própria democracia, ao tentar afastar mulheres, pessoas negras e representantes de setores historicamente marginalizados dos espaços de poder e decisão.

Diante das novas ameaças, cresce a cobrança para que as autoridades identifiquem e responsabilizem os autores, rompendo com a sensação de impunidade que frequentemente acompanha crimes de ódio e violência política. Para movimentos sociais e organizações democráticas, garantir a segurança de parlamentares ameaçadas é também defender o direito da sociedade à livre participação política e ao pluralismo democrático.


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