Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

8M: Juntas construindo um feminismo dos 99% no Brasil

Relatos sobre como foi o 8 de março em algumas das principais cidades do país.

Foto: Catarina Santos
Foto: Catarina Santos

Por muitos anos, o 8 de março se estabeleceu para a maioria da população como uma data comercial, de entrega de flores, elogios e presentes para as mulheres. Mas essa situação tem mudado. Especialmente desde a eclosão da Primavera Feminista, o real significado do 8M tem sido resgatado no Brasil e no mundo: um Dia Internacional de Luta das Mulheres.

O 8 de março de 2017 foi histórico. Milhões de mulheres foram às ruas em diversos países para lutar por seus direitos e suas próprias vidas, parando suas atividades numa greve geral de mulheres, como há muito tempo não se via. Além disso, as mobilizações feministas também foram o estopim para que a luta contra governos anti-populares, como o de Trump, Temer e Macri, viesse à tona.
Em 2018, os atos do 8M deram sequência a esse grande movimento internacional, numa luta irrestrita contra os poderosos e contra o sistema que violenta as mulheres diariamente. No Brasil, seguimos nos manifestando contra as reformas de Temer e as péssimas condições de vida que elas impõem às mulheres e a todos os trabalhadores. Continuamos a luta por salários e condições de trabalho dignas, pela manutenção dos direitos trabalhistas, e nos manifestando contra a violência às mulheres, expressa nos alarmantes casos de feminicídio.

A seguir, compartilhamos relatos sobre como foi o 8 de março em algumas das principais cidades do país.

São Paulo/SP

A manifestação de São Paulo teve início às 16h na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista. Durante a tarde, as categorias de professores municipais realizaram uma assembleia, deliberando greve contra a redução salarial e a Reforma da Previdência. As professoras estaduais também se reuniram para marcar sua luta por direitos. Se somando ao ato, chegamos a mais de 10 mil mulheres concentradas na Paulista! Juntas, expressamos nossa indignação frente à violência de gênero e às reformas dos governos. As intervenções que ocorreram em locais como FIESP e o escritório da presidência deram o recado: as mulheres não vão se calar diante dos poderosos!

Rio de Janeiro/RJ

No Rio de Janeiro, mesmo em meio a forte chuva, mais de mil mulheres se reuniram para protestar a política dos poderosos. Entre as principais pautas estavam o fim das Reformas de Temer e seu congresso corrupto, bem como de todas as formas de violência contra as mulheres em suas especificidades, com enfoque importante para a situação das mulheres negras e das mulheres lésbicas. Além disso, o ato exigiu o fim da intervenção federal no RJ, que ao invés de dar voz ao povo de um estado sem governo, vem calando cada vez mais aquelas que sustentam a cidade.

Belém e Santarém/PA

O ato do 8 de março em Belém expressou a força que nós, mulheres, temos! Reunimos milhares de pessoas em torno do tema “Pela vida das mulheres na Amazônia, por democracia, por mais diretos e nem uma a menos”. Uma diversidade de mulheres compuseram alas reivindicando o direito ao território, ao aborto seguro e legal, em combate ao racismo e a violência contra mulher, por direitos trabalhistas e contra os desmandos do governo misógino de Temer. Com agitação das baterias, palavras de ordem, cartazes, faixas e intervenções artísticas, tomamos as ruas de Belém de forma tão contagiante que nem a tradicional chuva do inverno amazônico derrubou o brilho do ato.

Nenhum direito nos foi dado de forma simples – e nunca serão, nós sabemos. E é justamente por sabermos disso que nos reunimos, uma a uma, cada vez mais fortes e organizadas EM TODO O MUNDO, na linha de frente contra toda forma de opressão e com a certeza de que podemos derrubar os poderosos!

O 8 de março em Santarém foi construído por diversas mulheres, organizadas em coletivos ou não, com uma vasta programação de oficinas e mesas, e com o ato finalizando o “Março das Mulheres”. As mulheres ocuparam as ruas de Santarém reivindicando melhores condições para mães estudantes e trabalhadoras, contra o agronegócio, pela legalização do aborto, contra a reforma da previdência, por nem uma a menos, pela vida das mulheres negras. O ato seguiu da Praça da Matriz, na rua da orla da cidade, e parou na Praça do Pescador, onde as mulheres encerram o ato e dizendo para toda cidade que só a luta das mulheres é capaz de mudar o mundo!

Porto Alegre/RS

No dia 8 de março, as mulheres de Porto Alegre e de todo o estado do Rio Grande do Sul foram às ruas. Na capital, somamos mais de 3 mil pessoas. Fizemos um ato unificado, composto por todas as frentes e por mulheres independentes. O aquecimento para o ato iniciou com panfletagens e diálogo com as mulheres que estavam nas paradas de ônibus e do comércio. Saímos em marcha com falas contra as Reformas Trabalhista e da Previdência, pedindo o fim da violência contra as mulheres. Mostramos que, em Porto Alegre e no mundo todo, é necessário lutar contra os poderosos. Durante a marcha, também desviamos o trajeto inicial para dar apoio ao movimento negro que atualmente ocupa bravamente a reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com pauta de averiguação das fraudes nas cotas, entendendo que a universidade estaria facilitando para que isso acontecesse. Encerramos com um chamamento para a população se somar nas próximas lutas que virão!

Natal/RN

Em Natal, o ato unificado reuniu cerca de cinco mil mulheres, que caminharam pelas principais avenidas do centro da cidade em defesa da aposentadoria, da democracia e contra as violências. No Estado que ocupa o quinto lugar no ranking de violência contra mulher, as trabalhadoras, estudantes – e tantas outras – colocaram suas vozes e seus blocos nas ruas, em combate ao feminicídio. Ao final da marcha, ocupou-se o Porto de Natal, denunciando os grandes conchavos do agronegócio local. Seguiremos confrontando todos os poderosos que nos atacam diariamente. A luta das mulheres potiguares muda o mundo!

Brasília/DF

No DF, debaixo de chuva, milhares saíram às ruas e marcharam pela vida das mulheres, pela radicalização da democracia, contra o racismo, trazendo à tona a realidade de machismo e misoginia que permeia nossas vidas no Brasil. Pautamo a importância da luta pela legalização do aborto, contra os feminicídios, a violência contra a mulher e, sobretudo, contra os ajustes e ataques do governo de Temer, que na forma de medidas, como a Reforma da Previdência e Trabalhista, precarizam ainda mais a vida de todas as brasileiras.

Belo Horizonte e Uberlândia/MG

O ato em Belo Horizonte reuniu cerca de 5 mil pessoas, expressando como o empoderamento feminino vem crescendo na cidade. Saímos às ruas contra a Reforma da Previdência, o machismo e pela legalização do aborto. A organização, no entanto, foi infelizmente difícil. Defendemos a realização de um ato unificado das mulheres, porém, as centrais sindicais ligadas ao PT não tiveram a mesma disposição, e racharam com a manifestação para defender o Lula. Ainda sim, foi positivo ter visto muitas mulheres unidas na cidade, na luta contra o machismo.

Em Uberlândia, o 8 de março uniu centenas de mulheres dos mais diversos setores de movimentos sociais do Triângulo Mineiro. Fizemos, mais uma vez, um ato simbólico pela retirada do nome de Tubal Vilela da principal praça da cidade. Nosso abaixo-assinado denunciou Tubal como um assassino de sua esposa grávida e por isso não aceitamos seu nome em nossa praça. Seguimos um bonito ato de rua protagonizado por mulheres. Duas faixas principais se destacaram: “Mexeu com uma mexeu com todas” e “Mulheres contra os poderosos de todo o mundo”. As palavras de ordem falavam sobre trabalho doméstico, reforma trabalhista, liberdade sexual e revolução feminista. Não tem mais volta, aqui o 8M é tradição!

Fotos extraídas de: https://www.facebook.com/pg/juntascoletivo/photos/?tab=album&album_id=969185879873288

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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