Mercúrio no garimpo não é legal. Uma chamada pública para ação!

Mercúrio no garimpo não é legal. Uma chamada pública para ação!

Assine a petição pelo fim do uso do mercúrio no garimpo artesanal e pelo banimento definitivo de seu comércio global

Via Racismo Ambiental

👉 Assine aqui a petição: https://forms.gle/ufxK95KjyFaNGWNP8

Pesquisas científicas há tempos demonstram o perigo da exposição ao mercúrio e seus compostos à saúde animal e humana. E investigações expõem que a mineração de ouro é, atualmente, a maior fonte de poluição por mercúrio no planeta. Trata-se de um dos metais mais tóxicos conhecidos pela humanidade e o seu uso permanece como uma ameaça severa ao meio ambiente e à saúde.

A situação é ainda mais crítica na Mineração Artesanal e de Pequena Escala (MAPE). Devido ao uso ilegal e à falta de fiscalização, o mercúrio no garimpo é oferecido, geralmente, de forma clandestina, como um insumo de baixo custo. Mas, inevitavelmente, o barato sai caro, pois o mercúrio, após o processo de queima, se distribui no ambiente e causa a exposição, intoxicação e adoecimento, que pela latência torna o processo invisível. Além disso, as operações da mineração atingem violentamente sistemas paisagísticos e ecológicos únicos que, uma vez destruídos, são irrecuperáveis.

O rastro da destruição

As consequências do garimpo são as extensas áreas desflorestadas, desbarrancadas, solos revolvidos, rios assoreados e contaminados por esse metal tóxico. A cadeia alimentar nessas regiões foi atingida, e o peso desse fardo recai sobre o topo dessa cadeia, os povos das florestas, sobretudo indígenas e ribeirinhos, mas também pode atingir quilombolas, seringueiros, castanheiros e outros grupos vulneráveis que estão na área territorial de influência.

Uma vez lançado no ambiente — seja pelo ar, água ou solo, o mercúrio se move com extrema facilidade em um ciclo interminável (vaporização → condensação – liquefação → vaporização). Assim, o metal tóxico se acumula nos compartimentos ambientais, penetra na biota e transforma-se em sua forma mais letal: o metilmercúrio.

Ironicamente, o mercúrio é inodoro e seu vapor é invisível. Os sintomas e danos à saúde incialmente são sutis, podendo evoluir para quadros extremos, inclusive a morte. Em uma sociedade desigual e estruturalmente racista, onde o lucro se sobrepõe à vida e o lobby invisibiliza, silencia e adoece, sobretudo as populações mais vulneráveis, precisamos despertar para o grave problema.

É preciso empatia, escutar, sentir para se indignar, quando é revelado em pesquisas que as mulheres indígenas sofrem danos cognitivos ou reprodutivos devido à exposição crônica ao mercúrio. E que há lugares de garimpo, em que as atividades nas quais as pessoas ficam mais expostas ao mercúrio, como o processamento, a lavagem e secagem, são destinadas às mulheres. Ainda, devido à questão social desigual de gênero, elas também recebem menos pelo trabalho.

As mulheres e, por meio delas, as crianças, estão mais expostas aos efeitos do racismo ambiental, aos graves danos à saúde devido à exposição ao mercúrio. Impactos que atingem toda a família, com sequelas que podem ser crônicas, irreversíveis e onerosas.

Diante de tão preocupante cenário, a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos não é frase de efeito. É um caso clássico dessa máxima. E expõe nitidamente o racismo ambiental, que historicamente impõe a poluição, a contaminação ambiental e a exposição humana às populações menos assistidas social e politicamente, neste caso, os povos originários.

Como consequência da indignação, é preciso frear o processo destrutivo quando os povos das florestas estão sendo atingidos pelo metal tóxico e quando sabemos que, para o mercúrio e seus compostos, não existem níveis seguros de exposição humana — especialmente durante a formação fetal. Precisamos agir e dar visibilidade ao tema para que o problema alcance, efetivamente, os espaços de decisão. Esse metal tóxico peculiar viaja grandes distâncias e pode atingir os grandes centros urbanos; embora pareça um problema distante, é apenas uma falsa percepção. Não é!

O “Ouro-Cinza” e a ronda do fantasma de Minamata

A busca desenfreada pelo que chamamos de “ouro-cinza” — em referência ao uso do mercúrio na sua extração — ameaça repetir o “mal de Minamata” no Brasil. As informações disponíveis já são preocupantes, mas a situação pode ser ainda pior, dado que pesquisadores de campo são frequentemente ameaçados, as pesquisas não seguem um fluxo normal, e o aprofundamento nas regiões é lento.

Embora a fiscalização tenha avançado — como a recente apreensão de 399 kg de mercúrio pela Polícia Rodoviária Federal, para os quais não existem estruturas seguras de armazenamento no país —, a pergunta permanece: para onde vai esse passivo ambiental? Precisamos de uma coalizão de forças entre todos os envolvidos neste processo para enfrentar os obstáculos, por vezes despercebidos e invisíveis na grande estrutura de poder.

A Convenção de Minamata e o papel do Brasil

O comércio mundial de mercúrio deve ser proibido. Existe um instrumento jurídico para isso: a Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que entrou em vigor 2013, atualmente assinada por 163 países e ratificada por 153, inclusive o Brasil promulgou a Convenção em 2018 (Decreto nº 9.470).

​Em novembro de 2025, a 6ª Conferência das Partes (COP6) alcançou uma vitória histórica ao definir o fim do uso do mercúrio em amálgamas dentários. Além disso, a indústria de cloro-álcalis, por força da Convenção, encerrou o uso do metal em suas plantas no mesmo ano. Esses avanços provam que é possível dialogar, superar o lobby do mercúrio e progredir na eliminação de substâncias tóxicas.

No entanto, para afunilar o diálogo em relação ao uso de mercúrio no garimpo de ouro, precisamos de três ações conjuntas:

  1. Definir uma data final para o uso de mercúrio na MAPE (garimpo).
  2. Proibir o comércio global (circulação entre países), eliminando as brechas que permitem o fluxo legal continuar alimentando o mercado ilegal de mercúrio.
  3. Envidar esforços para elaborar o Plano de Ação Nacional do garimpo de ouro, com a ampla participação de todas as partes envolvidas, inclusive os povos indígenas.

*

Junte-se à campanha “Mercúrio no Garimpo Não é Legal”

Com o apoio da Rede Internacional de Eliminação de Poluentes (International Pollutants Elimination Network – IPEN) — composta de mais de 600 organizações da sociedade civil, presentes em 120 países, inclusive no Brasil, que atuam como stakeholders (partes interessadas) com ações diretas junto aos Governos, o Secretariado e nas Conferências das Partes (COPs) da Convenção de Minamata sobre Mercúrio — a sociedade civil, no Brasil, lançou a campanha “Mercúrio no Garimpo Não é Legal”. O objetivo é elevar o debate no Brasil e pôr um fim no uso do mercúrio no garimpo e no comércio global.

Participe: Ajude na melhoria ambiental contínua do nosso planeta

As grandes fontes poluidoras de mercúrio já estão sendo desmontadas (as células de produção de cloro-álcalis, em 2025 e os amálgamas dentários de mercúrio, em 2030). Esse panorama positivo sinaliza que chegou a hora de eliminar, também, o uso do mercúrio no garimpo de ouro.

O momento de agir é agora. A janela para a coleta de assinaturas encerra neste início de abril, e cada adesão é fundamental para pressionar as autoridades internacionais na próxima Conferência das Partes.

Convidamos todos — cidadãos e entidades — a ecoar esta voz. Assine a petição pelo fim do uso do mercúrio no garimpo artesanal e pelo banimento definitivo de seu comércio global. Ainda há tempo de fazer parte desta mudança histórica.

👉 Assine aqui a petição: https://forms.gle/ufxK95KjyFaNGWNP8

A hora de ajudar a mudar o mundo é agora!


TV Movimento

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo
Editorial
Israel Dutra | 17 abr 2026

A luta da 6×1 é uma luta de toda a classe trabalhadora brasileira

Precisamos estimular todo tipo de medidas, comitês e articulações para impulsionar a luta. Só a mobilização vai garantir o fim da 6x1
A luta da 6×1 é uma luta de toda a classe trabalhadora brasileira
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores