Acuado, Trump ataca novamente
U.S. And Israel Wage War Against Iran

Acuado, Trump ataca novamente

O cenário está aberto, mas o Brasil tem todas as condições de derrotar Trump e iniciar uma virada contra a ofensiva que o líder fascista dirige internacionalmente

Israel Dutra 24 jul 2026, 17:53

Trump voltou a atacar o Irã. A nova jornada de agressão imperialista se inscreve nos marcos da instabilidade internacional. E se volta como inimigo dos interesses do povo brasileiro impondo um nefasto tarifaço.

Trump sofreu uma derrota parcial ao ser obrigado a assinar um memorando de ‘trégua’ de sessenta dias. E agora, com sua nova investida, quer disputar no “terreno” o controle do Estreito de Ormuz. De sua parte, o Irã retaliou contra bases americanas em todo Oriente Médio, levando a baixas importantes de soldados. No outro front, os Houtis do Iêmen atacaram os sauditas, disputando o controle do Mar do Vermelho. O grupo, aliado do Irã, bloqueou o estreito de Bab el Mandeb, fechando uma segunda rota de tráfego marítimo e deixando apenas como opção Suez para saída dos países do Golfo.

Trump não tem condições de invadir o Irã por terra e quer uma guerra de desgaste para dobrar Teerã a negociar em melhores termos, no que diz respeito ao tráfego por Ormuz, rompendo a aliança estabelecida pelo sultanato de Omã. Trump não tem condições de operar um cálculo fino, seja pela debilidade política, seja pela condição militar do regime iraniano, com a “ala dura” da Guarda Revolucionária tendo posições chaves na nova estrutura de comando, disposto a lutar com resiliência.

Os efeitos são imprevisíveis. Por agora, a óbvia escalada do preço do petróleo e o fantasma de uma crise energética podem ser um “tiro pela culatra” para as próximas eleições legislativas estadunidenses, para qual os Republicanos vão com uma popularidade de Trump caindo cada vez mais. O agravamento da polarização no mundo, com Trump cada vez mais odiado por setores de massa dentro e fora dos EUA, abre o caminho para um movimento amplo, antifascista e antiimperialista.

Trump vai pelo tudo ou nada

Trump atua da forma típica dos líderes em declínio, tal qual Nero, na Roma Antiga, se tornando ainda mais agressivo e perigoso conforme cresce seu repúdio. São muitas as frentes de conflito que está criando, com a sensação de que está disposto a ir para o “tudo ou nada” em todas elas. Podemos elencar três grandes frentes onde ele tem atacado e demonstrado dificuldades: no Oriente Médio; na economia com a guerra tarifária; e nas contradições no próprio “front interno”, às vésperas das eleições midterms.

Sua ofensiva sobre o Irã carrega a dúvida do isolamento diplomático. Sua ação está sendo repudiada com muito mais força que a primeira etapa da agressão contra os persas. Lembremos das complicações, semanas atrás, quando teve uma crise com Netanyahu quanto ao cessar-fogo no Líbano. Depois, o vice-presidente JD Vance declarou que Israel atuou contra os interesses de Trump, ecoando todo um setor reacionário da extrema direita que se distancia do sionismo. A crise na frente “libanesa” e a entrada mais decidida dos Houtis no conflito, além da hipótese de uma maior inflação, coloca em risco a ação de Trump. Aproveitando a expressão da Copa do Mundo, derrotado na primeira etapa, quer usar a ‘prorrogação’. Aliás, na Copa, Trump enfrentou muita resistência, terminando vaiado durante a entrega das medalhas.

No âmbito da guerra tarifária, tentando equilibrar os cenários econômicos – alguns economistas seguem prognosticando que a eventual explosão de uma bolha da IA teria consequências terríveis – Trump usa da pressão política para novas ações coloniais.

O tarifaço sobre o Brasil deu um salto- começou com 25%- passando a 37,5%, depois do anúncio de penalidades contra 60 países, com destaque para o Canadá, com 50% de taxação. E não é menor o fato contra-intuitivo de que as taxações contra o Brasil ocorrem em um contexto no qual a balança comercial dos dois países é positiva para os EUA, dando uma dinâmica na qual a guerra tarifária pode afetar ainda mais as empresas norte-americanas.

Ao mesmo tempo, a nova articulação internacional promovida para declarar setores antifascistas e da esquerda como terroristas surge como nova etapa do teatro trumpista, não por acaso mirando em movimentos que ganharam protagonismo na resistência à extrema direita mundial nos últimos anos, como aqueles em solidariedade ao povo palestino e os socialistas que representam, cada vez mais, uma possibilidade de alternativa à barbárie disseminada pela policrise capitalista. Nas últimas semanas, 3 imigrantes foram assassinados pelo ICE, gerando mais repulsa contra a repressão trumpista.

Internamente, Trump enfrenta seus problemas também dobrando a aposta e tenta atacar diretamente as bases da democracia burguesa dos EUA, com tentativas de mudança dos distritos eleitorais (o chamado gerrymandering), a ampliação das fakenews através de ferramentas de IA e da suposta defesa da “liberdade de expressão” contra o controle das big techs, entre outras iniciativas. Suas ameaças à lisura eleitoral se deram num pronunciamento nacional em TV, logo, sinalizaram uma ofensiva mais clara pra além de declarações esparsas.

Paisagens da resistência

A heróica resistência militar no Irã, cuja resiliência não parece ter sido afetada pela nova onda de agressões imperialistas, demonstra que as mesmas dificuldades militares de Trump no Oriente Médio ainda permanecem e se aprofundam na medida em que seus aliados sionistas também se desmoralizam cada vez mais. A sequência de bravatas, que agora se concentra ao redor de possíveis ataques à montanha de Pickaxe e ao complexo de Natanz, fundamentais para o programa nuclear iraniano, tem cada vez menos credibilidade na medida em que se comprova a narrativa errática de Trump.

E a resistência se espraia para além do Oriente Médio, com iniciativa de resistência lutadora protagonizadas pela geração Z em outros países, a exemplo da Revolta dos Flamingos na Albânia (cujos protestos atingem diretamente a família Trump) ou o “Movimento das Baratas” na Índia, que atingem um governo de extrema direita membro dos BRICS.

E também internamente nos EUA crescem os sinais da resistência. As declarações do prefeito socialista de Nova York, Zohran Mamdami, sobre a necessidade de prisão de Netanyahu por crimes de guerra em Gaza, se combinam ao bom momento eleitoral dos Socialistas Democráticos da América (DSA), que tiveram significativas vitórias recentes contra o establishment do Partido Democrata.

Derrotar Trump, lá e aqui, nas ruas e nas urnas

Às vésperas das eleições brasileiras, a questão da soberania se coloca novamente no centro dos debates nacionais, com o bolsonarismo se alinhando diretamente ao imperialismo de Trump e demonstrando cada vez mais a necessidade de uma ampla unidade contra a extrema direita internacional e seus reflexos no país. Após a vitória dos neofascistas na Colômbia, a América Latina vira o alvo privilegiado para fazer garantir “seu quintal” declarado pelas intenções do recente “colorário Trump”.

Nesse sentido, as eleições brasileiras tomam outro caráter como um um prounciamento antifascista e pela soberania nacional, na qual a reeleição de Lula servirá como contraposição ao que fazem hoje Milei, Kast, Fujimori, Bukele e outras lideranças alinhadas ao imperialismo no continente. Milei chega pessoalmente ao Brasil para reforçar o apoio ao bolsonarismo.

Não será uma tarefa simples. As possibilidades de interferência na eleição presidencial brasileira em favor do clã Bolsonaro são um risco que deve ser enfrentado com toda tenacidade pelas instituições democráticas do país, combatendo os interesses do imperialismo – pelos quais as big techs serão grandes agentes – e de seus aliados traidores do Brasil. O cenário está aberto, mas o Brasil tem todas as condições de derrotar Trump e iniciar uma virada contra a ofensiva que o líder fascista dirige internacionalmente.


TV Movimento

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo
Editorial
Israel Dutra | 24 jul 2026

Acuado, Trump ataca novamente

O cenário está aberto, mas o Brasil tem todas as condições de derrotar Trump e iniciar uma virada contra a ofensiva que o líder fascista dirige internacionalmente
Acuado, Trump ataca novamente
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça a Revista Retomada!
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas

Autores