AntiBolsonaro – a batalha da reta final
Todos os esforços devem estar concentrados para derrotar Flávio Bolsonaro e fazer avançar o PSOL como ferramenta necessária para enfrentar a extrema direita e mudar o Brasil
Qual o centro da política?
Não se pode hesitar, o centro da política agora é demonstrar que a eleição é um plebiscito sobre a volta do clã Bolsonaro ao poder. Esse deve ser o esforço do conjunto da militância, do ativismo e dos simpatizantes do PSOL. Precisamos colocar os centenas de milhares de apoiadores do Partido, que hoje conta com mais de 300 mil filiados, numa mesma sintonia, a partir das figuras e lideranças: explicar pacientemente para o conjunto do eleitorado o significado do retrocesso que seria uma vitória de Flávio. Trocando em miúdos, ampliar a rejeição de Flávio, constrangendo quem está em dúvida de não ir votar ou indeciso.
A recente pesquisa Datafolha mostra Lula com três pontos à frente de Flávio, ou seja, dentro da margem de erro. É preciso crescer na parcela da população que ganha entre 2 e 5 salários mínimos, evitar um deslocamento de Flávio na região sudeste, ampliar e retomar a margem entre o voto das mulheres. Assim, superar os 50% da rejeição de Flávio e manter Lula por mais de 4 pontos na frente no primeiro turno. E vale destacar, uma vez mais, que o Nordeste brasileiro está na vanguarda da disputa contra o bolsonarismo, o que deve se manter e ampliar, tomando como exemplo para todo o Brasil.
É preciso explicar, de forma simples e resumida: Não podemos deixar o Brasil voltar para a fila do osso, para a alta da inflação no preço da carne, do ovo e do pão, não podemos deixar impunes os responsáveis pela morte de cerca de 700 mil brasileiros na pandemia, nem os que querem um golpe que leve o país de volta aos porões da ditadura. E para tanto, é um plebiscito: a favor ou contra retroceder a um governo do clã Bolsonaro? A favor ou contra um presidente que recebeu favores diretos e milhões da conta do bandido Vorcaro? A Favor ou contra a redução de um dia da jornada de trabalho, para que o povo brasileiro possa descansar, estudar, namorar ou aproveitar com a família? A favor ou contra a misoginia e a violência contra as mulheres? A favor ou contra a soberania nacional, que ameaça inclusive o PIX e com o tarifaço destrói a nossa economia? A favor ou contra um plano de defesa do meio ambiente diante das mudanças climáticas?
Contra Flávio, construir a linha da vitória
Nesse sentido, não é suficiente defender apenas o legado e as políticas do governo de Lula. O PSOL é consciente dessa condição e a linha geral de campanha, hoje ainda majoritária na coordenação de campanha e do próprio PT precisa mudar. Como defendemos no documento do Secretariado Nacional do MES-PSOL, é necessário um giro na campanha para mostrar que se o governo de Lula não é o paraíso- e não é mesmo, por isso defendemos uma série de medidas diferentes, o retorno do clã Bolsonaro abre as portas do inferno para a classe trabalhadora brasileira, a juventude e o povo pobre.
Trump está por trás da ofensiva de Mendonça no STF e já prepara uma linha de intervenção, direta e indireta, ao ameaçar com um relatório que acusa o país de “falhar” no combate ao PCC e ao CV. A hipocrisia da rede internacional de extrema direita é tamanha, pois sabe bem que é o clã que tem relações diretas com o crime organizado, nas suas mais diversas esferas.
A crise do STF evidencia a necessidade de uma reforma política e judiciária radical no Brasil, onde uma casta que vive às custas do povo, sem transparência e com relações promíscuas com os donos do dinheiro. Entretanto, há uma operação parcial liderada por Mendonça para desfocar o tema plebiscitário da eleição e assim, criar um clima a favor dos setores da burguesia e da elite brasileira que não querem Lula reeleito.
Nas ruas, nas redes, por Lula e pelo PSOL
Os próximos dez dias devem ser eletrizados pela campanha. Não se pode esmorecer. Em cada grande concentração urbana, nas periferias, terminais de ônibus, bares, em mais de mil cidades brasileiras onde a campanha dos candidatos do PSOL se faz presente, é preciso disputar o presente e o futuro.
Com a linha da vitória, precisamos garantir a vantagem de Lula no primeiro turno, buscar arrastar eleições decisivas como as de SP, MG e DF para um segundo turno e apostar em duas tarefas concretas: subir o tom como estamos falando e mobilizar mais e mais.
Foi correto o anúncio de subir em 15% o valor do Bolsa Família, gerando pânico na direita e em setores da burguesia pro fiscalismo, chamando de “populistas e eleitoreiras”; e foi correto a medida em relação aos endividados. É preciso ir além, implementar mais medidas populares que melhorem a vida do povo, um povo cansado com o ajuste.
Sustentar a necessária abolição das dívidas das famílias, afetadas pelos juros altos, quando não pelos crimes das Bets. Ampliar a correção do Bolsa Família, além de um aumento substantivo do salário mínimo. Medidas para proteger o povo, vencer as eleições e ajudar as forças que querem inverter a lógica da atual política econômica que não está sendo favorável ao povo mas ao sistema financeiro. Eis o que importa.
Assim, com a força do PSOL, uma ferramenta indispensável, vamos organizar a simpatia que temos de parcela importante do povo, para superar a clausula de exclusão, criar a barreira contra a extrema direita com a reeleição de Lula e eleger a maior bancada da história do Partido.
Essa é a batalha política da reta final.