Sinal amarelo – retomar a iniciativa contra a manobra no STF
O golpismo e Trump vão jogar pesado para evitar a vitória de Lula. O lado de cá, das trabalhadoras e trabalhadores, precisa responder à altura
Foto: Mobilização pelo fim da jornada 6×1 no Rio de Janeiro. (Selma Souza/Reprodução)
É inaceitável a manobra de André Mendonça para destituir a direção da PF, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial. É um verdadeiro golpe para desestabilizar as eleições, posicionar Flávio e derrotar Lula, num segundo turno.
Alguns elementos que indicam um inflexão desfavorável na conjuntura imediata:
A ação consciente de girar ao redor de uma pauta com a crise de Moraes no STF, o ato da paulista do último 7 de setembro e as últimas pesquisas que já apontam um empate matemático no segundo turno.
A isso se soma a eleição regional alemã que preocupa o ativismo – e com razão- se o Irã mostra que Trump não é imparável, a Alemanha indica que a extrema direita tem mostrado resiliência, estratégia e caminho para se desenvolver.
Para retomar a iniciativa é preciso denunciar que Mendonça é um agente direto de Flávio e de Vorcaro, retomar a agenda central da eleição e apostar na mobilização do ativismo.
Eleição plebiscitária
Sendo uma eleição plebiscitária, a polarização influencia ambos os lados. Se Flávio está forte, Lula perde e vice e versa. Um setor da burguesia atuou para inflar Cury e agora há um esforço coordenado para se entrincheirar novamente no campo do bolsonarismo, sob a orientação de Trump. A grande batalha da eleição é escolher quais serão as agendas que vão marcar as próximas semanas. Não por acaso, Mendonça utilizou a crise do STF para colocar em segundo plano o debate da 6×1, paralisado no Senado e minimizado no noticiário.
O 7 de setembro foi outro exemplo. Ao contrário de debater as questões nacionais, de soberania, foi a retomada das ruas para Flávio, que com Nikolas e Tarcisio convocaram o ato da Paulista na televisão. O ato teve cerca de 28 mil pessoas, longe de chegar perto do auge da extrema direita, serviu para dar força moral ao bolsonarismo.
É preciso dar volta para retomar a iniciativa. Colocar nos termos de um plebiscito sobre quatro temas, condensada na urna. O Brasil será uma colônia dos Estados Unidos? O trabalhadores vão trabalhar um dia a menos na semana? O país vai relativizar a violência contra as mulheres? O negacionismo climático vai nos deixar vulneráveis ao El Niño?
Responder aos ataques
O ataque de Mendonça é gravíssimo, abrindo um precedente de uma crise institucional. Foi essa diretoria da PF que prendeu Vorcaro e revelou seus tentáculos profundos. Isso não quer dizer que Moraes e suas relações não devam ser julgada, afinal os indícios da relação dele e de Dias Toffoli com Vorcaro também são contundentes. O que está na ordem do dia uma ampla reforma política e judiciária, que acabe com os privilégios dos ministros e reponha a possibilidade de escolha pelo voto popular da corte suprema.
O que não se pode aceitar é um verdadeiro golpe em meio ao processo eleitoral. O movimento de massas precisa responder, sem deixar cair no desânimo ou no desalento. É preciso se organizar para enfrentar a extrema direita, com mobilização de rua, reforço nas candidaturas, banquinhas, em movimentos como foram o “Ele Não” e o “Vira Voto”.
É preciso reforçar que Flávio não é só “mais um político”, sim, membro de uma gangue que saqueou o país, tem vínculos com milicianos e o crime organizado, responde pela morte de centenas de milhares na gestão desastrosa da pandemia e quer anistiar os golpistas do 8 de janeiro. Que eleger Flávio é retornar o Brasil da fila do osso, da destruição de parte da Amazonia e do Pantanal, do desmonte do serviço público e dos que que querem impor um golpe para entregar o poder aos viúvos da ditadura militar, de Ulstra e dos porões da tortura.
O PSOL pode fazer a diferença
O PSOL tem grande responsabilidade. Convocar sua militância e o ativismo a transformar a enorme simpatia por nosso candidatos em engajamento voluntário nas últimas três semanas do primeiro turno. Uma eleição de uma bancada combativa, na Câmara e no Senado, a garantia de segundo turnos nas grandes praças eleitorais do país e uma mobilização ao redor da campanha Lula será a melhor contribuição para a retomada da luta política.
Lula deve convocar em cadeia nacional a mobilização, denunciando os laços de Mendonça, Flávio e Vorcaro, além das mãos de Trump por detrás dessa manobra.
Um dia nacional centralizado de agitação, caminhadas e mobilização, para mover dezenas de milhares poderia ser o começo de uma resposta.
O sinal amarelo indica que o golpismo e Trump vão jogar pesado e sujo para evitar a vitória de Lula. O lado de cá, do Brasil real, das trabalhadoras e trabalhadores, de norte a sul, precisa responder à altura, sabendo que o que está em jogo é muito caro.