Alemanha: extrema direita fica a um passo de conquistar a maioria absoluta
Partido AfD venceu as últimas eleições legislativas estaduais da Saxônia-Anhalt
Foto: Cartaz eleitoral da AfD. (Anadolu/Reprodução)
Em 6 de setembro, foi eleito um novo Parlamento Estadual (Landtag) na Saxônia-Anhalt. A Saxônia-Anhalt é o menor dos estados territoriais em termos de população, com 2,1 milhões de habitantes. Estava claro de antemão que haveria mudanças consideráveis. Nas últimas eleições para o Landtag, em 2021, a AfD (Alternativa para a Alemanha), que o serviço de inteligência interna da Saxônia-Anhalt classificou como organização comprovadamente de extrema direita, obteve mais de 20%. Às vésperas desta eleição, a popularidade do governo federal formado por CDU e SPD atingiu um ponto muito baixo, como já indicavam as pesquisas de opinião. Assim, a tarefa de todos os demais partidos era, no mínimo, impedir que a AfD obtivesse maioria absoluta, tanto em porcentagem de votos quanto em número de cadeiras.
Quando foi divulgada a primeira projeção na noite de 6 de setembro, apontando a AfD com 44,2%, os partidos dos demais concorrentes ficaram completamente em silêncio durante a noite eleitoral. O choque provocado pelo resultado foi grande demais. A situação era completamente diferente na AfD, que muitas pessoas chamam de partido nazista. As principais lideranças do partido, em torno dos copresidentes nacionais Alice Weidel e Tino Chrupalla, aglomeraram-se ao redor do candidato principal Ulrich Siegmund para comemorar juntos o que chamaram de sua vitória eleitoral histórica.
A CDU, o grande partido burguês, foi duramente punida, sobretudo. Perdeu mais da metade de seus votos e de seus deputados. O liberal FDP não conseguiu sequer entrar no Landtag e continua definhando. Para o partido Die Linke, a noite também não foi motivo de comemoração: três semanas antes da eleição, ainda aparecia com 13% nas pesquisas, mas terminou agora com apenas 8,4%. O SPD e os Verdes, por outro lado, conseguiram melhorar ligeiramente seus resultados em relação à última eleição para o Landtag, alcançando respectivamente 9,1% e 8,9%, um pouco mais do que o Die Linke.
O fator decisivo foi uma campanha maciça promovida por organizações influentes da sociedade civil, que defenderam o voto estratégico, para garantir que SPD e Verdes conseguissem voltar a entrar no Landtag. Isso permaneceu em aberto durante muito tempo. Certamente foi uma surpresa que a Bündnis Sahra Wagenknecht (BSW) também tenha conseguido entrar no Landtag, o que fez com 5,3%.
No novo Landtag, composto por deputados de seis partidos, não será fácil formar um novo governo estadual. Como a AfD, com 39 das 83 cadeiras, não obteve maioria absoluta, depende de parceiros de coalizão ou do apoio de outros partidos. Todos os demais partidos se recusaram a formar um governo com a AfD. A BSW também rejeita uma coalizão com a AfD. Em vez disso, segundo a BSW, deveria ser eleito um primeiro-ministro estadual independente, que formaria um governo e teria de obter maioria a cada votação. Esse modelo existiu nos Países Baixos, na eleição anterior à última, quando o partido do racista Geert Wilders ficou por pouco sem maioria absoluta e ninguém queria que ele fosse primeiro-ministro. Resta saber se a AfD aceitará esse modelo. O SPD e os Verdes já se declararam favoráveis.
Para o Die Linke, o resultado dessa eleição foi uma decepção. O partido perdeu 2,4 pontos percentuais em relação à última eleição para o Landtag. Certamente não teve uma campanha fácil, pois possui uma boa inserção apenas nas cidades e seus resultados no interior tradicionalmente são fracos. Isso voltou a se confirmar nesta eleição. Nas duas grandes cidades, Halle e Magdeburg, conseguiu conquistar três mandatos diretos. Todos os outros 38 distritos eleitorais foram vencidos pela AfD.
O partido Die Linke precisa se tornar mais claro e mais radical. Muitas pessoas simplesmente o colocam no campo vermelho-verde, junto com SPD e Verdes, como também demonstrou a campanha pelo “voto estratégico”. É preciso deixar claro que o Die Linke representa uma oposição inequívoca às condições existentes; que seus representantes não são “políticos” como todos os demais; que pretende superar a sociedade capitalista de classes; e que isso não será alcançado apenas no parlamento.
Por melhores que sejam suas reivindicações parlamentares, e por mais que tais medidas pudessem melhorar significativamente a vida das pessoas se fossem implementadas, não haverá maioria para elas nos parlamentos. É necessário um partido que esteja representado no parlamento, mas que também seja capaz de alterar a correlação de forças sociais por meio da pressão nas ruas, de sua inserção nos locais de trabalho e nos bairros, e do fortalecimento da autoconfiança e da capacidade de auto-organização daqueles que estão na base da sociedade.