Alemanha: extrema direita fica a um passo de conquistar a maioria absoluta
thumbs_b_c_6b9f30650543a322c58f62dfae65d5cd

Alemanha: extrema direita fica a um passo de conquistar a maioria absoluta

Partido AfD venceu as últimas eleições legislativas estaduais da Saxônia-Anhalt

Helmut Born 10 set 2026, 10:45

Foto: Cartaz eleitoral da AfD. (Anadolu/Reprodução)

Via International Viewpoint

Em 6 de setembro, foi eleito um novo Parlamento Estadual (Landtag) na Saxônia-Anhalt. A Saxônia-Anhalt é o menor dos estados territoriais em termos de população, com 2,1 milhões de habitantes. Estava claro de antemão que haveria mudanças consideráveis. Nas últimas eleições para o Landtag, em 2021, a AfD (Alternativa para a Alemanha), que o serviço de inteligência interna da Saxônia-Anhalt classificou como organização comprovadamente de extrema direita, obteve mais de 20%. Às vésperas desta eleição, a popularidade do governo federal formado por CDU e SPD atingiu um ponto muito baixo, como já indicavam as pesquisas de opinião. Assim, a tarefa de todos os demais partidos era, no mínimo, impedir que a AfD obtivesse maioria absoluta, tanto em porcentagem de votos quanto em número de cadeiras.

Quando foi divulgada a primeira projeção na noite de 6 de setembro, apontando a AfD com 44,2%, os partidos dos demais concorrentes ficaram completamente em silêncio durante a noite eleitoral. O choque provocado pelo resultado foi grande demais. A situação era completamente diferente na AfD, que muitas pessoas chamam de partido nazista. As principais lideranças do partido, em torno dos copresidentes nacionais Alice Weidel e Tino Chrupalla, aglomeraram-se ao redor do candidato principal Ulrich Siegmund para comemorar juntos o que chamaram de sua vitória eleitoral histórica.

A CDU, o grande partido burguês, foi duramente punida, sobretudo. Perdeu mais da metade de seus votos e de seus deputados. O liberal FDP não conseguiu sequer entrar no Landtag e continua definhando. Para o partido Die Linke, a noite também não foi motivo de comemoração: três semanas antes da eleição, ainda aparecia com 13% nas pesquisas, mas terminou agora com apenas 8,4%. O SPD e os Verdes, por outro lado, conseguiram melhorar ligeiramente seus resultados em relação à última eleição para o Landtag, alcançando respectivamente 9,1% e 8,9%, um pouco mais do que o Die Linke.

O fator decisivo foi uma campanha maciça promovida por organizações influentes da sociedade civil, que defenderam o voto estratégico, para garantir que SPD e Verdes conseguissem voltar a entrar no Landtag. Isso permaneceu em aberto durante muito tempo. Certamente foi uma surpresa que a Bündnis Sahra Wagenknecht (BSW) também tenha conseguido entrar no Landtag, o que fez com 5,3%.

No novo Landtag, composto por deputados de seis partidos, não será fácil formar um novo governo estadual. Como a AfD, com 39 das 83 cadeiras, não obteve maioria absoluta, depende de parceiros de coalizão ou do apoio de outros partidos. Todos os demais partidos se recusaram a formar um governo com a AfD. A BSW também rejeita uma coalizão com a AfD. Em vez disso, segundo a BSW, deveria ser eleito um primeiro-ministro estadual independente, que formaria um governo e teria de obter maioria a cada votação. Esse modelo existiu nos Países Baixos, na eleição anterior à última, quando o partido do racista Geert Wilders ficou por pouco sem maioria absoluta e ninguém queria que ele fosse primeiro-ministro. Resta saber se a AfD aceitará esse modelo. O SPD e os Verdes já se declararam favoráveis.

Para o Die Linke, o resultado dessa eleição foi uma decepção. O partido perdeu 2,4 pontos percentuais em relação à última eleição para o Landtag. Certamente não teve uma campanha fácil, pois possui uma boa inserção apenas nas cidades e seus resultados no interior tradicionalmente são fracos. Isso voltou a se confirmar nesta eleição. Nas duas grandes cidades, Halle e Magdeburg, conseguiu conquistar três mandatos diretos. Todos os outros 38 distritos eleitorais foram vencidos pela AfD.

O partido Die Linke precisa se tornar mais claro e mais radical. Muitas pessoas simplesmente o colocam no campo vermelho-verde, junto com SPD e Verdes, como também demonstrou a campanha pelo “voto estratégico”. É preciso deixar claro que o Die Linke representa uma oposição inequívoca às condições existentes; que seus representantes não são “políticos” como todos os demais; que pretende superar a sociedade capitalista de classes; e que isso não será alcançado apenas no parlamento.

Por melhores que sejam suas reivindicações parlamentares, e por mais que tais medidas pudessem melhorar significativamente a vida das pessoas se fossem implementadas, não haverá maioria para elas nos parlamentos. É necessário um partido que esteja representado no parlamento, mas que também seja capaz de alterar a correlação de forças sociais por meio da pressão nas ruas, de sua inserção nos locais de trabalho e nos bairros, e do fortalecimento da autoconfiança e da capacidade de auto-organização daqueles que estão na base da sociedade.


TV Movimento

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo
Editorial
Israel Dutra | 09 set 2026

Sinal amarelo – retomar a iniciativa contra a manobra no STF

O golpismo e Trump vão jogar pesado para evitar a vitória de Lula. O lado de cá, das trabalhadoras e trabalhadores, precisa responder à altura
Sinal amarelo – retomar a iniciativa contra a manobra no STF
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça a Revista Retomada!
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
A Revista Retomada é uma publicação trimestral produzida pelo Movimento Esquerda Socialista (MES-PSOL) em articulação com intelectuais, militantes e artistas

Autores