Amelinha Teles, presente!
O Brasil se despede de uma companheira de luta, uma revolucionária, uma feminista e uma construtora de futuros
Hoje (16), Amelinha Teles fez sua passagem. E nós, que seguimos na luta, só podemos dizer: obrigada, Amelinha.
Obrigada por ter aberto caminhos quando quase não havia caminhos abertos para nós.
Em tempos em que falar de feminismo era pisar em ovos, Amelinha esteve na linha de frente. Participou diretamente do Lobby do Batom, que teve papel fundamental na conquista de direitos das mulheres na Constituição de 1988. Mas sua luta nunca coube apenas nas páginas da Constituição.
Amelinha formou gerações de mulheres feministas. Atuou União de mulheres de São Paulo onde fundou as Promotoras Legais Populares e ajudou a construir instrumentos para que mulheres, especialmente aquelas vítimas de violência, pudessem conhecer seus direitos e lutar por eles.
Antes disso, enfrentou a ditadura militar. Foi guerrilheira, foi presa, foi torturada. Seus filhos foram levados ao DOI-CODI e submetidos à violência de presenciarem a tortura de seus próprios pais. O Estado tentou silenciá-la. Não conseguiu.
Amelinha transformou a dor em luta, a memória em resistência e a resistência em organização. Enfrentou Brilhante Ustra e ganhou, onde o Estado brasileiro teve que reconhecê-lo como torturador.
Dedicou sua vida à construção da memória, da verdade e da justiça Defendeu um feminismo plural, que não deixasse para trás as mulheres trabalhadoras, negras, pobres e tantas outras que historicamente foram colocadas à margem. Foi comunista e nunca perdeu de vista que a luta das mulheres também passa pelo enfrentamento à exploração da classe trabalhadora.
Amelinha nos ensinou que lutar é também construir caminhos para que outras possam caminhar.E nós caminharemos.
Cada mulher que se organiza, cada mulher que enfrenta a violência, cada jovem que se descobre feminista, cada trabalhadora que levanta a cabeça e reivindica seus direitos carrega um pouco dessa história.
Hoje, o Brasil se despede de uma companheira de luta, uma revolucionária, uma feminista e uma construtora de futuros.
A melhor forma de agradecer é continuar. Amelinha, sua luta não termina hoje.
Ela segue em nós. Aqui, vamos honrar o seu legado.
Obrigada por abrir os caminhos.