O Brasil “explode” nas ruas: a virada é Lula 13!
É a força moral de milhões, alicerçada na luta e trajetória do povo brasileiro, que pode impor uma derrota aos inimigos da classe trabalhadora no próximo domingo
Foto: Presidente Lula durante ato de campanha em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, em setembro. (Ricardo Stuckert/Reprodução)
A eleição mais disputada da história. O Brasil se divide como há muito não ocorria. O salto de qualidade se deu a partir da entrada em cena dos jovens, abrindo uma porta estreita da situação política – e eleitoral- dominada pelas ruas e seus desejos.
A última pesquisa Datafolha indicou não apenas o chamado “empate técnico”, como o empate matemático, quando se contabilizam os votos válidos, com 50% para Lula e 50% para Flávio. A vitória de Lula é possível, visto que ninguém sabe o que pode ocorrer. Vai depender da capacidade de mobilização das próximas 48 horas, quiçá as mais importantes da história política de nosso país. Os dados estão lançados.
Uma reviravolta que recolocou a chance da vitória de Lula
Há um movimento que combina duas dimensões numa única onda: um levante popular e juvenil, concentrado nas grandes e médias cidades, tendo como epicentro a juventude estudantil e trabalhadora; e um movimento democrático, desencadeado pela voracidade de Flávio em controlar as instituições, que sintetiza as reservas e defesas das liberdades, dos direitos e dos pactos civilizatórios dos últimos quarenta anos, num formato de vira voto massivo e engajado.
A euforia inicial dos mercados, das big techs, das parcelas mais ativas da burguesia e da rede internacional da extrema direita liderada por Trump e Milei foi contida pela ação política de um setor do movimento de massas. O que era para ser uma avalanche na esteira do forte resultado da extrema direita no primeiro turno, foi parada. A “onda” mudou de lado. Um verdadeiro terremoto político, que lembra o Fora Collor, Junho de 2013, Primavera das Mulheres e o Tsunami da Educação, recolocou a iniciativa ao lado de Lula e de seus apoiadores.
A iniciativa de André Janones, de “subir o tom” e organizar o que chamou de exército virtual de Lula, foi capaz de centralizar e multiplicar essa força para golpear a extrema direita.
Dois dos maiores campos de disputa, assim, estavam em ação, com a iniciativa passando para nosso lado: a juventude e as redes. Assim se sucederam atos multitudinários, como os da semana em Porto Alegre, Fortaleza, Juazeiro/Petrolina, Belo Horizonte e nas cidades pêndulo como Osasco, Montes Claros, entre outras.
A extrema direita responde, pois controla boa parte dos aparelhos ideológicos, entre eles os mais importantes ligados ao fluxo de informação digital, através das big techs, influenciadores e os que “dirigem os algoritmos”. A Meta e Trump não medirão esforços para, nas próximas 48 horas, evitarem um desenlace favorável à Lula e à classe trabalhadora.
O futuro está em jogo.
O caminho da vitória
Lula precisa chegar perto dos 60 milhões de votos para realmente ter chances de vitória. Precisa reverter votos que foram para Flávio, Cury e Caiado, neutralizar quem votou em Renan e habilitar a massa de abstenções, votos nulos e brancos para massificar um voto 13 em rechaço a um novo governo do Clã.
Para garantir esse deslocamento, é preciso calibrar o discurso: ampliar a defesa das medidas populares, como a anistia aos endividados, o reforço do Bolsa-Família e do SUS, a extensão da gratuidade no transporte público, o respeito e ampliação das liberdades políticas e democráticas, o diálogo com os micros, pequenos e médios empresários, a efetivação de direitos para a classe trabalhadora como na redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a defesa dos direitos das mulheres, como o combate à violência, ao feminicídio, contra o genocídio da juventude pobre e negra da periferia, a taxação dos super ricos, a defesa da Amazonia, do Pantanal e de um plano de emergência climática.
Junto a isso, seguir mostrando a índole de Flávio: consegue ser pior que o pai, tendo como plataforma a política de morte, transformando o Brasil numa república de milicianos e criminosos, a serviço dos interesses de Trump. Sua turba de apoiadores sequer consegue disfarçar, como os fascistas que levaram um míssil inflável para a Paulista pedindo a Trump uma “intervenção nuclear”. São traidores da Pátria e assim merecem ser tratados.
O caminho da vitória está em furar as bolhas, batalhar por cada voto, desmoralizar Flávio em todo lado e reverter todas as margens. Os estudantes estão mostrando o caminho, apoiando a ida de colegas para votar, mobilizados seus familiares idosos que não comparecem mais às urnas, multiplicando por todo país, a enorme energia social.
Mobilização total
A esquerda anticapitalista não faltou ao encontro. O PSOL está na primeira fileira desse combate, crescendo e sendo reconhecido por milhares de ativistas, que se filiam e se envolvem nessa luta. É possível vencer. E a vitória depende de mobilização total. No caso de Flávio não reconhecer o resultado, será necessário dobrar a luta nas ruas para impor uma derrota para a extrema direita.
É uma batalha difícil, com Flávio e Lula podendo vencer. Os dois tem vantagens comparativas, cada um a seu modo. O debate de mais tarde, da Rede Globo, terá um lugar decisivo. A direita tenta plantar velhos métodos: o caso da lobista Roberta recorda muito o uso de Mirian Cordeiro contra Lula; os presos que foram obrigados a vestirem camisetas com o 13 replica a famosa manipulação do sequestro de Abílio Diniz. Ambas as farsas que os poderosos querem que resulte em tragédia.
Diante dessa guerra, já que a expressão “Exército de Lula” se popularizou, temos que pensar em nossas forças, na dimensão que um dos maiores estrategistas militares da história, Clausewitz, teorizou: a força material e a força moral são inseparáveis em meio a uma guerra. E a força moral é um valor imaterial, mas central. É o “espírito de combate”, que move multidões, exércitos, partidos e revoluções; é a sinergia que faz com que a superioridade física do inimigo seja dobrada, como aconteceu muitas vezes em nossa história.
Essa força moral, de milhões, alicerçada na luta e trajetória do povo brasileiro que pode impor uma derrota aos nossos inimigos. Com afeto e solidariedade entre nós, com paciência com os indecisos, confusos e hesitantes, com ódio de classe contra nossos opressores. Vamos lutar para virar, vamos lutar para vencer.