Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A Independência deles é o nosso Nakba

Hoje, enquanto Israel comemora aquilo a que chama de Dia da Independência, os palestinianos indígenas que sobreviveram à limpeza étnica irão realizar marchas e vigílias.

A neta de Abdul Hadi Qude, homem de 97 anos, segura a chave que ele diz pertencer à casa que a sua família foi forçada a deixar depois do estabelecimento de Israel em 1948, enquanto posa para um fotógrafo no campo do avô antes do Dia do Nakba em Khan Younis no sul da Faixa de Gaza 14 de Maio, 2014 - Fotografia: Mohammed Talatene/APA Images
A neta de Abdul Hadi Qude, homem de 97 anos, segura a chave que ele diz pertencer à casa que a sua família foi forçada a deixar depois do estabelecimento de Israel em 1948, enquanto posa para um fotógrafo no campo do avô antes do Dia do Nakba em Khan Younis no sul da Faixa de Gaza 14 de Maio, 2014 - Fotografia: Mohammed Talatene/APA Images

O Comité Nacional para o Boicote, Desinvestimento e Sanções Palestiniano (BNC), que é a maior coligação na sociedade civil palestiniana, emitiu a seguinte declaração:

A Independência deles é o nosso Nakba. A limpeza étnica de 750.000 a 1 milhão de palestinianos indígenas há 70 anos e fazer deles refugiados para estabelecer um estado maioritariamente judeu na Palestina não é causa de comemoração.

O Nakba não é um crime do passado, ainda está a ocorrer. Setenta anos mais tarde, Israel continua a demolir lares palestinianos, a roubar as nossas terras para construir colonatos ilegais exclusivos para judeus-israelitas, a expulsar palestinianos de Jerusalém revogando os nossos direitos de residência, a negar aos refugiados palestinianos, como muitos dos nossos membros, o direito de voltar às suas casas.

Israel também tenta criminalizar a nossa dor e recusa em aceitar o contínuo Nakba, ameaçando ações legais contra os palestinianos que assinalam este dia como um dia de luto. Mas nós insistimos em assinalar e resistir a este sistema de injustiça que dura há décadas.

Assinalamos afirmando o nosso direito a voltar a casa e a viver em liberdade e dignidade. Milhares de palestinianos em Gaza continuam a participar na Grande Marcha do Regresso, enfrentando a política militar israelita de “atirar para matar ou mutilar”.

Até Israel parar de violar os nossos direitos humanos fundamentais, pedimos às pessoas e comunidades conscientes em todo o mundo que apoiem os nossos esforços para parar a construção criminosa israelita e escalar campanhas de BDS pacíficas.

A forma mais eficaz de solidariedade para com as nossas mobilizações em massa inclui apelar a governos e instituições que banam todo o comércio e investimentos de empresas implicadas nos colonatos ilegais de Israel ou outras violações de direitos humanos palestinianos. Também deve ser feito um abrangente embargo militar contra Israel, incluindo uma proibição à colaboração em, ou partilha de, pesquisas militares com Israel.

Tradução do esquerda.net da versão publicada pelo mondweiss.net.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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