Mulheres na linha de frente da verdadeira independência do Brasil
de Albuquerque, G. (1922). Sessão do Conselho de Ministros. Pintura histórica, óleo sobre tela, 236 cm X 193 cm. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro. Fonte: http://mhn.acervos.museus.gov.br/reserva-tecnica/pintura-historica-91/

Mulheres na linha de frente da verdadeira independência do Brasil

Vocês sabiam que foi Dona Leopoldina quem tomou a iniciativa de decretar a independência de Portugal?

Izabel Belloc Moreira 7 set 2019, 17:29

Vocês sabiam que foi Dona Leopoldina quem tomou a iniciativa de decretar a independência de Portugal? A Izabel Belloc Moreira, mestranda e pesquisadora na área de políticas públicas da FLACSO Uruguay, conta essa história, mais uma de apagamento do papel das mulheres na história. A verdadeira independência ainda está por ser feita, e as mulheres estão na linha de frente desta luta!

Leopoldina

No Brasil, os feitos de uma mulher terão decisiva e fundamental importância para sua independência. Em 13 de agosto de 1822, o Imperador Dom Pedro I designa Dona Leopoldina, sua esposa, para exercer o governo durante sua viajem a São Paulo (Brasil, 1822). Assim, Leopoldina torna-se a primeira mulher a exercer a Chefia de Governo do Brasil.

Dias mais tarde, ela recebe a notícia de que Portugal planejava fazer cumprir forçosamente a ordem anteriormente enviada y rechaçada por Pedro I, de mudar-se para Portugal, inclusive enviando forças militares, se necessário. Leopoldina reúne o Conselho de Ministros em 25 (Barroso, 1952) ou 28 (Almeida Lopes, 1972) de agosto e preside a sessão que decide a independência de Brasil; e envia correspondência ao marido, noticiando-lhe o ocorrido.

O mensageiro encontra Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822, às margens do arroio Ipiranga, em São Paulo, que ratifica o feito de Dona Leopoldina e do Conselho de Ministros, no episódio conhecido como o “Grito do Ipiranga”(Barroso, 1952), único fato que passará para a história como marco histórico decisivo da independência do Brasil.

Leopoldina é invisibilizada e raramente é reconhecida por sua atuação política decisiva. Não obstante, como acertadamente constata Rezzutti, em sua obra bibliográfica sobre a Leopoldina:

“D. Leopoldina era uma estrategista, mais preparada e educada que d. Pedro. Teve a sua história diminuída e elevada à categoria de santa, mártir de paciência por tudo o que sofreu no Brasil. Aliás, coisa comum em nossa história são as mulheres entrarem nela com como santas ou como devassas…. uma estrangeira que abraçou o Brasil como seu país, os brasileiros como seu povo, e a Independência como sua causa”. (Rezzutti, 2017)

Referências:

Almeida Lopes, G. (1972). A história que os pintores contam. Anais do Museu Histórico Nacional, vol. XXIII, pp. 25-35.

Barroso, G. (1952). As testemunhas da Independência do Brasil. O Cruzeiro, 38-96. Fonte: http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=MHN&pasta=&pesq=leopoldina

Brasil. (1822). Decreto. Fonte: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/2409

Rezzutti, P. (2017). D. Leopoldina : a história não contada : a mulher que arquitetou a Independência do Brasil. Rio de Janeiro: LeYa. Fonte: http://leyaprimeiro.com.br/anteriores/mai-abr-17/pdf/MIOLO_D.Leopoldina.pdf


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