Aos presidentes do Brasil, Colômbia e México
Declaração de políticos e intelectuais venezuelanos sobre a posição dos três países em relação às alegações de fraude eleitoral
Foto: Aporrea/Reprodução
Oito dias após as eleições presidenciais de 28 de julho, a Venezuela ainda está imersa em uma grave crise política como resultado do não cumprimento, por parte do Conselho Nacional Eleitoral, dos poderes e obrigações derivados da Lei Orgânica de Processos Eleitorais em vigor.
A resposta do governo de Nicolás Maduro à demanda popular pela divulgação dos resultados que respaldam sua anunciada reeleição tem sido uma onda de repressão contra setores populares e líderes políticos, raramente vista antes na história de nosso país.
O clamor por resultados transparentes ultrapassa nossas fronteiras, a ponto de governos próximos ao da Venezuela, como os do Brasil, da Colômbia e do México, ao mesmo tempo em que apoiam essa demanda, estão fazendo gestões junto a seu interlocutor venezuelano para buscar uma solução pacífica para esse conflito, com base no cumprimento dos regulamentos eleitorais e na plena adesão ao texto constitucional.
Nós, abaixo assinados, venezuelanos que vimos de uma reconhecida militância na esquerda democrática, e alguns de nós chegamos a ter importantes responsabilidades estatais, em diferentes níveis, no governo do presidente Hugo Chávez Frías, queremos hoje agradecer infinitamente e dar um voto de confiança aos presidentes do Brasil, Luíz Ignácio Lula da Silva; do México, Andrés Manuel López Obrador, e da Colômbia, Gustavo Petro, por sua iniciativa de promover uma aproximação de posições que nos permitirá encontrar uma solução cívica, pacífica, democrática e constitucional para esta grave crise que ameaça a paz em nossa nação, para que prevaleça o pleno respeito ao veredicto popular expresso em 28 de julho passado.
Além disso, pedimos aos três presidentes desses países irmãos que intercedam pelo fim da repressão e da criminalização dos protestos e das violações dos direitos humanos, e pela libertação das centenas de cidadãos detidos por expressarem suas demandas e reivindicações em relação aos resultados anunciados pelo CNE.
Esperamos que os esforços dos presidentes Lula da Silva, Andrés Manuel López Obrador e Gustavo Petro contribuam efetivamente para que os venezuelanos consigam superar o conflito e a violência, acabar com a repressão e, finalmente, viver em um ambiente político pluralista, de acordo com os postulados da Constituição da República Bolivariana da Venezuela.
Em Caracas, 4 de agosto de 2024.
Assinam
Antonia Muñoz, ex-constitucionalista e ex-governadora da Portuguesa.
Andrés Izarra, Ex-ministro das Comunicações.
Rodrigo Cabezas, professor da LUZ, ex-ministro da Fazenda.
Oly Millán, professora da UCV, ex-ministro de Chávez e membro da Plataforma Ciudadana en Defensa de la Constitución (Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição).
Héctor Navarro, Professor da UCV, ex-ministro de Chávez e membro da Plataforma Ciudadana en Defensa de la Constitución (Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição).
Juan Barreto, ex-prefeito de Caracas.
Vladimir Villegas. Ex-embaixador no Brasil e no México. Constituinte de 1999.
Juan Luis Sosa. Advogado. Ex-diretor do Gabinete da Presidência da República.
Sergio Sánchez, ex-diretor de Projetos Industriais (Ministério da Indústria).
Florencio Porras, ex-constitucionalista e ex-governador do Estado de Mérida.
Gustavo Márquez, ex-ministro de Chávez e membro da Plataforma Ciudadana en Defensa de la Constitución (Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição).
Damián Alifa, sociólogo.
Edgardo Lander, professor da UCV e membro da Plataforma Ciudadana en Defensa de la Constitución (Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição).
Atenea Jiménez, socióloga e pesquisador (UCV).
José Jesús Betancourt Sanoja. Ex-prefeito de San Carlos (Cojedes).
Jackson Páez. Membro da legislatura estadual de Cojedes.
Ana Viloria, membro da Plataforma Ciudadana en Defensa de la Constitución (Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição).
Eduardo Labrador. Legislador do estado de Zulia.
Zenaida Fernández. Legisladora indígena de Zulia.
Juan Francisco García. Ex-deputado da Assembleia Nacional.
Juan García, membro fundador da Aporrea e membro da Plataforma dos Cidadãos em Defesa da Constituição.
Santiago Arconada Ativista político e membro da Plataforma dos Cidadãos em Defesa da Constituição.
Wálter Boza. Médico, ex-membro do Congresso Nacional.
Numa Rojas. Ex-deputado constituinte de 1999. Ex-prefeito de Maturín, Monagas.
Félix Bracho. Ex-prefeito de Cabimas. Zulia.
Esluve Sosa. Advogada e internacionalista. Ex-gerente de Turismo Social (Venetur) e ex-gerente de Treinamento Comercial (Movilnet).
Emily da Silva. Cientista política. Movimento pela Democracia.
José Luis Rodríguez. Ativista social e político do Estado de Lara. Movimento pela Democracia.
Carlos Molina Graterol. Antropólogo. Ex-superintendente nacional da Coopetativas. Ex-vice-ministro.
Juan Carlos Rodriguez Torres. Artista visual. Movimento pela Democracia.
José Miguel Avendaño Infante, ex-vice-presidente da Venezolana de Televisión, pesquisador (UCV).
Manuel Sutherland, diretor do centro de pesquisa e treinamento de trabalhadores Cifo.