Fábio Felix denuncia caos na UPA de Ceilândia e cobra providências do poder público
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da CLDF flagra superlotação e falta de retaguarda hospitalar durante vistoria na unidade de saúde
Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF
Após denúncias de superlotação, demora no atendimento e tumulto entre pacientes e familiares na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Ceilândia, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), liderou uma diligência à unidade na manhã de terça-feira (29). A visita ocorreu após dois dias consecutivos de crise no atendimento emergencial.
Durante a inspeção, o parlamentar constatou a gravidade da situação: pacientes internados nos corredores, ausência de estrutura para acompanhantes e improvisações precárias.
“Tem um problema gravíssimo de superlotação na UPA. Não tem retaguarda hospitalar. Ao todo, na UPA, são 27 leitos oficiais, e agora está com 50 internados”, denunciou Felix.
Segundo o deputado, a UPA funciona muito além de sua capacidade. Apesar de estar contratualmente estruturada para realizar cerca de 5.500 atendimentos mensais, o número frequentemente ultrapassa 12 mil – chegando, em certos meses, a impressionantes 17 mil.
Um dos pontos mais críticos identificados foi a chamada “sala verde”, originalmente destinada a pacientes sem risco iminente. Com apenas oito leitos, o espaço está sendo utilizado como uma sala amarela improvisada, com cerca de 30 pacientes internados por até quatro dias.
“A situação desvirtua completamente o papel da UPA, que deveria garantir atendimento rápido e encaminhamento hospitalar adequado”, apontou Felix.
Na ala pediátrica, a sobrecarga também é evidente. Dos cinco leitos disponíveis, sete estavam ocupados na terça-feira – quadro ainda melhor do que no fim de semana anterior, quando 17 crianças ficaram internadas simultaneamente. No domingo (27), o clima de revolta entre usuários foi agravado pela ausência de um pediatra no plantão.
“Na hora, estavam com sete crianças. E três muito graves. Uma com risco de intubação. Então, tiveram que comunicar à comunidade que talvez não houvesse o atendimento e teriam que aguardar. E isso gerou um tumulto, uma indignação”, relatou o parlamentar.
Félix ainda destacou o déficit de profissionais na unidade: pelo menos oito pediatras, sete enfermeiros e 20 técnicos de enfermagem estariam em falta. Para ele, a crise escancara a falta de alinhamento entre a Secretaria de Saúde e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), responsável pela administração das UPAs.
Diante do cenário alarmante, a Comissão de Direitos Humanos da CLDF, sob liderança de Fábio Felix, elaborará um relatório detalhado a ser encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A Secretaria de Saúde e o Iges-DF não se manifestaram sobre a situação.