Troca de advogado no caso BRB abre alerta para nova delação
Ex-presidente do Banco de Brasília troca defesa e Fábio Felix sugere possível virada nas investigações e eleva risco para figuras centrais da política do DF no Caso Banco Master
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A decisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, de trocar sua defesa jurídica reacendeu o debate político no Distrito Federal e elevou a tensão entre figuras centrais do poder local. Para o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), o movimento pode indicar a preparação de um acordo de delação premiada – instrumento que historicamente tem revelado esquemas complexos de corrupção no país.
“Tem gente do mundo político do DF que não vai dormir essa noite”, afirmou o parlamentar, ao destacar que o novo advogado, Eugênio Aragão, possui atuação especializada em acordos de colaboração com órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público. Até então, a defesa era conduzida por Kleber Lopes, nome associado ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).
Na avaliação de Felix, a possível delação pode expor “todos os tentáculos de um esquema de corrupção maior”, atingindo diretamente agentes políticos que participaram ou viabilizaram operações financeiras controversas envolvendo o BRB.
“A gente quer saber quem são os agentes políticos envolvidos nesse processo”, declarou.
A fala do deputado ocorre em meio à crise aprofundada do banco público, marcada por decisões de alto risco financeiro e pela tentativa de ampliação de capital que pode reduzir o controle estatal sobre a instituição. Para a oposição, trata-se de um processo que combina má gestão, possível favorecimento ao setor privado e uso político de recursos públicos.
Felix também foi direto ao responsabilizar o governo local:
“Foram os governantes do DF, o governador Ibaneis Rocha e o presidente Paulo Henrique, nomeado por ele, que fizeram todas as operações”. A eventual delação, nesse cenário, amplia o risco de responsabilização não apenas de operadores já investigados, mas de figuras com poder decisório – incluindo o próprio chefe do Executivo distrital.
Além do impacto político imediato, especialistas apontam que uma colaboração premiada pode desencadear investigações em cadeia, atingindo contratos, articulações legislativas e relações com o sistema financeiro. Em casos semelhantes no Brasil, delações foram decisivas para revelar estruturas sistêmicas de corrupção, frequentemente envolvendo empresários, bancos e agentes públicos de alto escalão.
Para Felix, a pressão social será determinante: “A justiça vai chegar. Mas com muita pressão e mobilização”. O deputado também enfatizou o prejuízo direto à população: “Os bilhões que o BRB gastou […] são dinheiro nosso. […] A gente quer saber para o bolso de quem [foi]”.
O escândalo do BRB e suas ramificações
O centro da crise envolve a gestão recente do BRB, especialmente operações como a tentativa de aquisição de carteiras do Banco Master e a expansão agressiva de investimentos com recursos públicos. Investigações apontam suspeitas de compra de ativos de baixa qualidade, possíveis fraudes bancárias e pagamento de propinas — o que levou à prisão de Paulo Henrique Costa.
Parlamentares da oposição, como Gabriel Magno (PT), afirmam que os “operadores do esquema já estão na cadeia”, mas cobram o avanço sobre os mandantes políticos. Já Chico Vigilante (PT) responsabiliza diretamente o governo local pela crise, rejeitando tentativas de atribuir o problema ao governo federal.
O escândalo também levanta suspeitas sobre o uso do banco para fins políticos e estratégicos, incluindo articulações legislativas e possíveis benefícios a grupos privados. Caso confirmada, uma delação premiada pode conectar esses episódios e revelar a extensão de um esquema que, segundo críticos, transforma um banco público em instrumento de interesses particulares – com impactos diretos sobre os cofres públicos e a soberania financeira do DF.