O PSOL diante de um grande desafio
O PSOL se prepara para as próximas eleições de outubro diante de novas responsabilidades e grandes possibilidades
Foto: Militância do PSOL em mobilização. (PSOL/Reprodução)
A reunião da Direção Nacional do PSOL, convocada para 18 de julho, deverá encarar as tarefas e iniciar o processo de uma disputa eleitoral que terá caráter estratégico. O PSOL tem a responsabilidade de estar na primeira linha do combate à extrema direita e terá a oportunidade de ampliar as suas bancadas de parlamentares, desenvolvendo sua influência eleitoral e política em amplas camadas da população.
As recentes discussões que tiveram espaço nas redes sociais, envolvendo críticas ao financiamento de campanha, em verdade expressam um prolongamento de uma discussão interna anterior: a da relação com o PT e seus desdobramentos. Fruto dessa crise, uma parte do PSOL, ligada a Guilherme Boulos e ao seu grupo interno, a Revolução Solidária, orientou uma participação tática dentro da legenda do PSOL na próxima eleição ao mesmo tempo em que apontou a hipótese de discutir sua saída em direção ao PT depois de outubro.
Isso reconfigurou o cenário interno e revalidou pactos de condução, a partir da atual direção partidária, permitindo uma maior unidade para se preparar para a eleição perante o cenário de incertezas
Um PSOL que sai mais forte
A crise do PSOL foi motivada pelo choque entre os que queriam aprovar a federação partidária com o PT e a ampla maioria do Partido (a votação contou com 75% de apoio do DN, rechaçando a federação com o PT e mantendo a independência organizativa do PSOL e da atual federação com a REDE). As críticas que vieram à tona nas redes são parte dessa dissidência interna.
Quem apostou contra o PSOL, perdeu. O Partido saiu mais forte da última janela partidária e com chances reais, não só de superar a cláusula de barreira, como de ampliar sua bancada. Nomes como Jones Manuel, Duda Salabert, Manuela D´Avila e Aurea Carolina se somaram ao Partido, criando um impacto favorável à simpatia dos que seguem e votam no PSOL. Nossa Federação com a Rede pode ter entre 17 e 21 deputados federais eleitos, disputando entre as duas primeiras vagas para o Senado, conforme as pesquisas no dia de hoje, em dois ou três estados centrais.
A discussão sobre os fundos de campanha deve levar em conta que o PSOL utiliza desses recursos de forma democrática e apostando na diversidade, sabendo que tal financiamento leva a distorções – pelos valores astronômicos – e que devemos ser vigilantes para defender um partido de caráter militante.
Estamos mais fortes para a disputa de outubro. Nossas duas tarefas centrais são: derrotar nas ruas e nas urnas a extrema direita e construir um polo de uma esquerda independente e anticapitalista.
Derrotar os neofascistas, construir um futuro
A primeira tarefa envolve mobilizar todas nossas forças para derrotar Flávio Bolsonaro, votando e fazendo campanha por Lula. Flávio vive um momento delicado, em crise, por conta de seus vínculos com Vorcaro e a crise pública com Michelle Bolsonaro. Devemos aproveitar para partir para ofensiva, sem perder de vista que outros setores neofascista também buscam um lugar ao sol. Renan Santos, do partido Missão, reconhecido como uma das organizações propagandistas da ideoligia redpill no Brasil e que tem como ideólogo o supremacista de direita, Curtis Yarvin, está utilizando todas as brechas para crescer nas pesquisas e nas redes sociais, chegando a quase 8% na última pesquisa Atlas.
Não existe receita mágica. Para enfrentar a extrema direita e os patrões, precisamos nos mobilizar nas pautas que toquem o povo de todo coração. A defesa do fim da escala 6×1, mobilizando por melhores condições de trabalho e tempo de vida para a maioria; a defesa da soberania nacional, combatendo os tarifaços de Trump e sua sanha intervencionista, mostrando que o Pix deve ser defendido, além da regulamentação das redes sociais; e a defesa da taxação dos grandes, como os bilionários, os donos das bets , combatendo o crime organizado e as facções.
O PSOL, contudo, precisa ir além. Defender a derrota dos neofascistas hoje, mas preparando o futuro, com condições de renovar a esquerda programaticamente e auxiliar a classe a abrir seus caminhos e alterar a relação de forças na sociedade.
O desafio do PSOL
Estamos em tempos tumultuados. Trump quer impor um regime de subserviência em todas as nações, se transformando num novo déspota planetário. Enfrenta resistências, como a da nação iraniana que o derrotou política e militarmente, além da perda de apoio em seu próprio quintal, onde são os socialistas do DSA que avançam representados hoje especialmente pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Trump quer tomar o controle da América Latina, com seus títeres como Milei, Bukele e Abelardo de la Espriella. O mundo vive um caos climático, com mais catástrofes como a do terremoto venezuelano e a onda de calor que assola à Europa. Encaramos crises em todos os lados.
O desafio do PSOL é lutar por outro mundo. É se apresentar como uma alternativa diferente dos partidos tradicionais, como o PT e outros. O PT foi expressão da classe trabalhadora nos anos 80 e 90, sucumbindo às pressões estatais e da burguesia, levando ao desastre que foi a estratégia de conciliação de classes. O PSOL tem outra chance. Pode ser a expressão da classe trabalhadora que, mesmo sem grandes armas e ferramentas – pela burocratização das centrais e dos grandes sindicatos – contagiou o país e “ganhou” o debate público da redução da jornada de trabalho.
E, nesse processo, o PSOL tem o dever de ser o motor articulador da unidade antifascista, ao mesmo tempo em que luta por um programa de mudanças radicais para derrotar históricamente os neofascistas, apoiando a reeleição de Lula sem perde a tenacidade na denúncia à austeridade fiscal, lutando contra os interesses da burguesia em um momento de enorme crise capitalistas que fomenta a extrema direita.
A classe trabalhadora que têm levantado a luta contra o racismo e o feminicídio, marcando um terreno na linha política. E o PSOL vem se empalmando com este espírito, seja na luta sem tréguas pelo fim da escala 6×1, seja participando da dianteira das principais lutas das principais lutas dos explorados e oprimidos. O reconhecimento do PSOL como o 3º partido favorito dos brasileiros e brasileiras, ou o reconhecimento da companheira Sâmia Bomfim como uma das poucas parlamentares lembradas espontaneamente por sua ação parlamentar, demonstram isso.
Cabe aos setores revolucionários conscientes dentro do PSOL defender a linha de independência de classe e do debate democrático interno, aproveitando a hipótese de salto eleitoral para dar também um salto político. No terreno imprevisível dos próximos meses e anos, a única certeza que podemos ter é que as batalhas serão cada vez mais duras e sangrentas e um Partido anticapitalista, Ecossocialista e de Combate é cada vez necessário.