Uma família em litígio
Conflito entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro expõe fissuras na extrema direita
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Enquanto o Brasil ainda não convenceu na Copa, os lances jogados entre os Estados Unidos e Brasília movem a política nacional. A crise mais recente atinge a campanha de Flávio e o clã Bolsonaro. É uma crise profunda porque afeta diretamente o núcleo familiar.
– Michelle foi para a ofensiva contra seus enteados. O vídeo gravado questionando Flávio e sua postura veio acompanhado de atitudes que, longe de mitigar a crise, aprofundam com ares de escalada. Deixando de seguir Eduardo e Flávio, Michelle agora ameaça renunciar à disputa do Senado no DF.
– Valdemar da Costa Neto deixou os campos dos Estados Unidos para voltar às pressas para o Brasil. Sua missão não é simples: pacificar o clã e fazer com que a pré-campanha de Flávio deslanche. Já avariada pelo escândalo “Dark Horse”, popularmente chamado de Bolsomaster, a campanha de Flávio teve baixas e segue em alerta.
– Contudo, as pesquisas eleitorais oscilam. As da última quinzena tinham anotado uma queda importante de Flávio, tanto no primeiro quanto no segundo turno. A mais recente pesquisa BTG indica ainda um empate entre os dois no segundo turno. A Atlasintel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º), amplia a vantagem de 6,5 pontos percentuais de Lula sobre Flávio.
– Michelle parece que está deixarando a direção do PL Mulher. Uma primeira mirada na divisão do clã indica que parte dos setores mais “tradicionais” ficam com Flávio, enquanto uma parte dos “evangélicos” teria inclinações maiores por Michele.
– O resumo imediato da querela: os postulantes da oposição de direita ainda buscam um lugar ao sol, diante do clã em crise. O PSD de Kassab esforça-se para impor Caiado como viável, a partir das composições estaduais e da especulação de que o próprio Kassab poderia estar na chapa. Renan Santos subiu quase 3 pontos na citada pesquisa, já se aproximando de 8% nas intenções de voto. Na disputa do Senado do DF, onde será um território central, Michelle liderava seguida de Leila e tendo como terceira Erika Kokay, candidata do PT e do PSOL, que vem aglutinando setores dinâmicos e empolgando o ativismo.
– O clã segue apostando na aproximação direta com Trump. Mesmo essa linha de ação tem recebido duras críticas. O editorial do Estadãode 1º de Julho, referente à burguesia conservadora mais sóbria, bate duro em Flávio. Afirma que o Bolsonaro quer rebaixar o Brasil diante dos Estados Unidos, questionando a carta de Flávio a Rubio. O veredito é duro: “Há uma disponibilidade praticamente incondicional, retrato fiel da sabujice do clã Bolsonaro aos EUA e ao presidente Donald Trump, em particular”.
– Flávio pediu desculpas, mas a ferida segue exposta. A crise da “famiglia” é um dos três elementos que marcam o cenário pré-eleitoral: as contradições internas dentro da própria campanha, que vem impedindo Flávio de tomar a iniciativa no processo eleitoral. Os outros dois elementos são a sombra de Trump e sua ingerência que paira sobre a campanha eleitoral, e a necessidade que existe do governo impor sua agenda para vencer em outubro.
– Por agora, a crise do clã deveria encontrar algumas respostas: Renan e Kassab especulam para encontrar um caminho, sendo o Missão a mais perigosa solução para o impasse dos Bolsonaros; o clã quer encontrar um denominador comum para ir unido para as eleições, deixando o espólio para depois. Cabe a esquerda social, e ao PSOL, uma saída de mobilização para dar largada na campanha “à quente”, seguir a luta pelo fim da 6×1, denunciar os escândalos de Vorcaro e do Master, ampliar a discussão e a politização na sociedade, em defesa de direitos e da soberania.