Por que o PSOL disse não à federação com o PT?
Acordo poderia levar o partido a dividir palanques com o PL em mais de 80 cidades e comprometer sua independência política
Já imaginou o PSOL apoiando o PL, o partido do Bolsonaro?
É isso o que teria acontecido se o PSOL tivesse entrado numa federação com o PT, proposta de Boulos e Érika Hilton que, felizmente, foi derrotada pelo PSOL no último final de semana.
De acordo com a lei, uma federação partidária significa que dois ou mais partidos vão passar a atuar como se fossem um só.
Isso implica que os partidos de uma mesma federação compartilham recursos, os votos são contados conjuntamente e eles também precisam ter os mesmos candidatos a presidente, prefeito e governador. A questão é que em mais de 80 cidades o PT e o PL vão disputar juntos as eleições. Dá pra acreditar?
Boulos defendia que o PSOL precisava fazer uma federação com o PT porque a esquerda precisa se unir. Mas, na prática, essa federação faria com o PSOL se unisse também à direita.
É por isso que o PSOL não aprovou a federação, mas vai apoiar o presidente Lula no primeiro turno por considerar urgente derrotar Flávio Bolsonaro. Mas o PSOL também segue tendo independência, porque a gente sabe bem que o projeto petista é insuficiente pra combater a extrema direita, já que muitas vezes o PT tá ao lado do PL e do centrão.
Em uma federação, o PT seria o maior partido e portanto o PSOL teria que acatar suas exigências. Mas a independência do PSOL é necessária: basta a gente lembrar que no ano passado, quando a Câmara dos Deputados quis aprovar o chamado PL da Bandidagem, que tentava blindar políticos de serem processados, o PSOL foi o único partido a votar inteiramente contra esse absurdo.
A esquerda precisa se unir, sim, mas em torno de um projeto a favor do povo trabalhador. Não dá pra falar em unidade da esquerda, se uma federação ia nos unir com a direita.
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